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Educação Financeira

Como investir para ter um segundo salário mensal?

Fundos imobiliários podem ser uma boa opção para quem deseja dividendos recorrentes

Como investir para ter um segundo salário mensal?
Foto: Envato Elements
  • Fazer o dinheiro trabalhar por você não é um sonho impossível
  • Para alcançar essa meta e conquistar uma espécie de segundo salário mensal, antes de tudo, é necessário pensar na reserva de emergência
  • Com a reserva estabelecida, chega a hora de analisar alternativas de investimentos para alcançar a renda passiva de acordo com cada perfil de investidor

Alcançar uma renda passiva mensal é um sonho para muitos investidores. O objetivo consiste em obter um rendimento financeiro sem a necessidade de praticar qualquer atividade profissional constante. Ou seja, em termos mais simples, significa fazer o dinheiro trabalhar por você.

Para alcançar essa meta e conquistar uma espécie de segundo salário mensal, antes de tudo, é necessário pensar na reserva de emergência – uma quantia financeira que deve ser separada para eventuais imprevistos ou objetivos de curto prazo. Para montá-la, os ativos mais recomendados são aqueles de liquidez diária e de baixo risco, que permitem o resgate imediato dos valores.

Bruna Centeno, sócia e economista da Blue3 Investimentos, explica que essa reserva seria, portanto, o primeiro passo para buscar autonomia e outras estratégias de aplicações. “Uma vez que você estruturou aquilo de que precisa para a manutenção do seu dia a dia no campo seguro, as oscilações não vão impactar tanto no seu patrimônio final”, afirma.

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Então, fica a recomendação: um planejamento focado em gerar um segundo salário mensal só deve ser executado após a montagem de uma reserva de emergência. Nesta reportagem, especialistas detalham quais são as opções mais seguras para se ter na carteira no atual cenário econômico brasileiro.

Com a reserva estabelecida, chega a hora de pensar em alternativas de investimentos para alcançar a renda passiva mensal. Nesse momento, vale entender qual é o perfil do investidor:

  • Conservador: costuma ser mais avesso ao risco, optando por carteiras com maior previsibilidade de retorno;
  • Moderado: está disposto a assumir um risco maior, mas não tem tanta tolerância como um perfil arrojado;
  • Agressivo: procura retornos potenciais acima da média, mesmo que se submeta a mais oscilações no curto prazo.

Onde investir

Com o crescimento do mercado, as alternativas para quem hoje busca renda passiva são diversificadas. O mais importante é analisar perfil e risco, para ter à disposição aquilo que de fato atenda à sua necessidade. “Não existe estratégia boa ou ruim, existe aquela estratégia que se adequa ao perfil de cada investidor”, destaca Centeno.

Para os conservadores ou moderados, é possível estruturar o planejamento do segundo salário mensal com ativos de renda fixa. Uma das opções são os títulos do Tesouro Direto. Eles funcionam como empréstimos para financiar gastos e investimentos do governo federal que, em troca, devolve os valores corrigidos por juros.

Um dos mais conhecidos é o Tesouro Selic, um título pós-fixado que possui rentabilidade atrelada à Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Conforme simulação de Larissa Frias, planejadora financeira do C6 Bank, uma pessoa precisaria investir R$ 213.001,93 hoje para alcançar o equivalente a um salário mínimo (R$ 1.412) em um mês com essa aplicação. Isso porque a rentabilidade líquida mensal do título está em 0,6629%.

Existem também os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que são emitidos por uma instituição financeira e funcionam como se fossem um empréstimo ao banco. Os papéis estão na lista dos investimentos que contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Isso significa que, se houver inadimplência do emissor dos títulos, o investidor será ressarcido com até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira.

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Um CDB que paga 104% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) atualmente apresenta uma rentabilidade mensal líquida de 0,6882%, superior aos 0,6411% da poupança, de acordo com simulação de Frias, do C6 Bank.

Apesar de popular entre os brasileiros, a caderneta apresenta a menor rentabilidade entre as opções de renda fixa. Seu cálculo leva em conta a Selic, atualmente em 11,75% ao ano. Quando a taxa básica de juros está acima de 8,5% ao ano, como ocorre agora, a rentabilidade é de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais o pagamento da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central.

Ao analisar diferentes alternativas na renda fixa, o levantamento realizado pelo C6 Bank mostra quais aportes mensais um investidor precisaria fazer para ter uma renda passiva de 1 salário mínimo (R$ 1.412), 3 salários mínimos (R$ 4.236) e 5 salários mínimos (R$ 7.060) em um mês:

O tempo também pode ser um aliado. Caso a pessoa siga, no longo prazo, a estratégia para alcançar a renda passiva, ela precisaria aplicar R$ 2.773,36 mensalmente para alcançar um salário extra mensal de R$ 1.412 em cinco anos, considerando um CDB que paga 104% do CDI. Veja abaixo:

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Observando o levantamento, é possível perceber que as aplicações em Letras de Crédito Imobiliárias e do Agronegócio (LCI e LCA) apresentam maior rentabilidade líquida. Isso ocorre porque a classe é isenta de Imposto de Renda (IR), diferentemente de CDBs e títulos do Tesouro, que seguem uma tabela regressiva de cobrança do tributo.

A alíquota mais alta aplicada é de 22,5%, para investimentos mantidos por até 180 dias. Para os que ficam mais tempo, de 181 a 360 dias, a alíquota cai para 20% e, se o investimento for de um a dois anos, a taxa vai para 17,5%. A menor alíquota, de 15%, vale para investimentos mantidos por mais de 720 dias:

FIIs: os campeões de dividendos

Para perfis de investidores mais arrojados, especialistas recomendam aplicar uma parte do portfólio em renda variável. Principalmente em meio ao ciclo de afrouxamento monetário no cenário doméstico, que tende a beneficiar o setor. De acordo com dados recentes do Boletim Focus, a projeção para a Selic ao fim de 2024 já está em 9% ao ano.

Ivan Eugênio, analista da Money Wise Research, acredita que os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) podem ser uma alternativa interessante para quem deseja se arriscar mais e conquistar um segundo salário mensal. Por lei, os FIIs são obrigados a repassar, no final de cada semestre, pelo menos 95% do lucro apurado no período aos cotistas. No entanto, segundo o especialista, a grande maioria dos fundos hoje realiza a distribuição mensal aos investidores.

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A vantagem dos fundos em relação às ações listadas na Bolsa de Valores está justamente nessa maior previsibilidade e recorrência de dividendos. “Com ações, você pode ter uma certa previsibilidade, mas se a empresa resolver investir ao invés de repassar o lucro para os seus acionistas, ela vai te entregar menos dividendos ou nem sequer vai distribuir o dinheiro”, destaca Eugênio.

Centeno, da Blue3 Investimentos, ressalta, no entanto, que é preciso ter cuidado ao investir nos fundos, porque as cotas são negociadas na Bolsa, então o volume de negociação e os ruídos de mercado podem ter forte influência nos preços. “Uma pessoa que não está preparada ou talvez precise de uma liquidez imediata, por exemplo, corre um risco muito grande de necessitar do recurso no movimento baixista de mercado”, afirma.

Outro cuidado é não se iludir com grandes retornos e entender o caminho do dinheiro. Ou seja, reconhecer os motivos que levaram determinado fundo a conseguir um alto rendimento e verificar se esse pagamento pode ser recorrente ou não.

Para 2024, um FII que está na lista de recomendações do analista da Money Wise Research é o Guardian Logística (GALG11), fundo de galpões logísticos com contratos ativos – operações de longo prazo, em que o investidor tem a maior previsibilidade de renda. “A sua cota hoje está na faixa de R$ 9,20 e ele está gerando um dividend yield (DY) de 0,92% no mês”.

O DY, indicador importante no mercado, corresponde a uma taxa que faz a relação entre os proventos pagos por um FII e o valor de mercado da sua cota. De acordo com Eugênio, muitos fundos pagam no mínimo um DY de 0,8% ao mês. Então, ao pensar numa carteira de FIIs que gera um retorno de 0,8% por mês em dividendos, o investidor precisaria aplicar R$ 176.500 para receber o equivalente a um salário mínimo em um mês, um montante menor do que o necessário com as aplicações em renda fixa.

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