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Investimentos

Bancos pequenos querem espaço na Bolsa e na sua carteira; entenda os riscos

Ações de bancos menores têm menos análises no mercado, mas analistas veem oportunidades

Por Luíza Lanza

12/12/2023 | 7:20 Atualização: 13/12/2023 | 8:59

Banrisul (BRSR6) é recomendada por alguns bancos. Foto: Mauricio Lima/Banrisul
Banrisul (BRSR6) é recomendada por alguns bancos. Foto: Mauricio Lima/Banrisul

As ações do setor financeiro costumam ser ativos “coringa” na carteira dos investidores brasileiros. Resilientes em tempos de crise, rentáveis na bonança, com boa liquidez na Bolsa e alta remuneração de dividendos. Características que atraem muitos para os 4 principais bancos tradicionais da B3: Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11).

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Mas eles não são as únicas opções na Bolsa para o investidor que quer se expor ao setor bancário. Fora da carteira do Ibovespa, há nomes menores, mas que estão conseguindo retornos iguais ou até superiores aos “bancões” em 2023, mostra um levantamento feito pela Economatica.

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Carlos André Marinho Vieira, analista-chefe do TC, destaca que, no geral, 2023 foi um ano positivo para os bancos. Ainda assim, melhor para uns do que para outros.

"O atual ciclo de crédito ainda enseja alguns desafios para alguns players, como o Bradesco e Santander, estes que apresentaram alguns dos menores retornos do segmento e que ainda possuem um longo caminho de recuperação pela frente. Por outro lado, players que já vinham performando de forma positiva em 2022 continuaram entregando resultados bastante positivos, como o Banco do Brasil e Itaú Unibanco", diz.

BB tem um dos resultados mais expressivos porque subiu impulsionado também pela reprecificação de expectativas mais pessimistas feitas ao longo de 2022, durante o período eleitoral, contra as estatais, que acabaram não se concretizando. Explicamos mais desse cenário nesta outra reportagem.

Mas o destaque de valorização entre os bancos é o Banco Pine, cujas ações mais do que dobraram de valor em 2023. "O Banco Pine apresentou um dos maiores retornos da amostra, resultado de uma elevação substancial do seu ROAE, principal indicador analisado para bancos", explica Vieira, do TC.

Dois fatores para avaliar antes de investir

Ainda que sejam do mesmo setor dos “bancões” e apresentem rentabilidades atrativas, as ações de bancos de pequeno e médio porte exigem maior atenção do investidor, explicam os especialistas. Especialmente por dois pontos: menor liquidez e baixa quantidade de informações.

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As ações dos 4 grandes bancos brasileiros figuram entre os ativos mais negociados da Bolsa, recebendo, inclusive, aporte dos investidores estrangeiros. Nesse caso, é mais fácil para um investidor pessoa física abrir mão de suas posições quando desejado.

“Essa é uma das diferenças. Para um investidor institucional ou investidor estrangeiro não compensa investir nesses bancos, mesmo que estejam bem descontados em relação aos seus pares, devido a baixa liquidez”, explica Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital.

Um outro ponto que pode exigir maior cautela de investidores em relação aos bancos menores é a baixa quantidade de informações disponíveis sobre os papéis. Os “bancões”, por exemplo, estão no radar de muitas casas de investimentos e corretoras, com análises de analistas sobre os resultados, planos de investimento e preço das ações. Os bancos menores, por sua vez, são bem menos analisados – geralmente, apenas pelos times de research dos grandes bancos.

“Todas as casas de análises cobrem Itaú, Santander, Bradesco, enquanto os bancos menores, não”, diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos. “Quando há menos debate, obviamente passa mais coisa; para o bem e para o mal. Pode ser que o banco pequeno surpreenda mais, porque não tem tanta gente monitorando, como pode ser que também alguma falha passe despercebida.”

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Um exemplo disso são as ações do Banco Pine, uma instituição financeira focada e especializada principalmente no crédito a empresas. Até o fechamento da sexta-feira (8), a PINE4 acumulava uma alta anual de 136%, uma valorização quase duas vezes superior à acumulada pelo Banco do Brasil (BBAS3), o “bancão” do Ibovespa que mais subiu em 2023.

O problema da PINE4, no entanto, é que essa valorização é difícil de ser explicada com detalhes. O papel não está sob a cobertura de corretoras e casas de investimentos – o site de RI da companhia sequer possui a sessão “cobertura de analistas”, em que, geralmente, as empresas de capital aberto informam quais são as instituições que acompanham de perto suas ações.

Sem esse respaldo de especialistas, antes de investir, seria necessário fazer a análise dos números e múltiplos da companhia por conta própria. O que torna o investimento de certa forma mais arriscado, já que pode não ser uma tarefa simples para investidores menos experientes.

“O investidor precisa avaliar em um banco pequeno como está o seu balanço, se a carteira de crédito é concentrada em algum cliente ou região, qual tipo de crédito ele dá, qual é o histórico de inadimplência dele. Tudo isso é extremamente relevante”, pontua Cruz.

O que dizem as análises

As ações do Banco Pine não são acompanhadas de perto pelo mercado, mas as do Banrisul (BRSR6) e do ABC (ABCB4) têm, sim, algumas análises.

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A Genial Investimentos, por exemplo, acompanha a BRSR6, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 16,30. O último relatório da corretora a respeito da Banrisul foi divulgado em meados de novembro, logo após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2023 da companhia.

Na avaliação da casa, o 3º trimestre do Banrisul foi abaixo do esperado, marcado por menor receita líquida de juros, maiores despesas administrativas totais, maior fluxo das despesas de provisão para perdas de crédito, e imposto de renda beneficiando a geração de lucro líquido.

"Apesar do cenário mais desafiador previsto para 2023 em comparação com nossas projeções anteriores, acreditamos que o panorama de 2024 pode ser consideravelmente melhor para o Banrisul", destacaram Eduardo Nishio, Lorenzo Giglioli e Wagner Biondo, da Genial. "Essa melhoria pode resultar em um aumento da rentabilidade, atuando como um catalisador para a valorização de suas ações."

A última análise do BB Investimentos sobre as ações do banco ABC também é do mesmo período de novembro, após a divulgação do 3T23 da instituição. Segundo analistas, o trimestre foi positivo para o ABC, favorecido por receitas maiores em diversos segmentos, mas prejudicado por maiores despesas com provisões no período.

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O analista Rafael Reis, do BB, destaca que a ABCB4 foi bastante impactada pelo evento na Americanas, mas, agora, os números indicam que o pior já passou. "Acreditamos que o resultado do 3T23, apesar de longe de estelar, representa mais um passo rumo à retomada no movimento instaurado no ABC entre 2021 e 2022, de expansão em diversas frentes de negócios, foco nos segmentos mais rentáveis do crédito corporativo, e parcerias estratégicas, o que nos motivou a elegê-lo como uma das nossas Top Picks para o ano de 2023."

O BB tem recomendação de compra para as ações do ABC, com preço-alvo de R$ 25,10.

O BTG Pactual também tem recomendação de compra para as ações do Banco ABC, com preço-alvo de R$ 27,00. Em relatório divulgado após o balanço 3T23 da companhia, o banco destacou que acredita que "o ABC pode sustentar o ROE na faixa de 15-16%, consistente com uma avaliação de pelo menos 1,0x P/BV. Atualmente, o papel é negociado com desconto (0,8x o BV mais recente e abaixo de 5xP/E 24) e tem sido muito consistente nos últimos dez anos (consistentemente superando o IBOV também)", diz o relatório.

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