Corrida para antecipação de proventos em 2025 levou empresas a elevar dividendos por ação diante das mudanças na tributação. (Foto: Adobe Stock)
O ano de 2025 foi marcado pela corrida de antecipação de proventos diante mudanças tributárias, com muitas empresas elevando seus dividendos por ação distribuídos aos investidores. Em valores absolutos, alguns papéis aumentaram em até R$ 8,39 os proventos por ação; em níveis percentuais, as altas chegaram a 2.473,8%.
Os dados são de um levantamento da consultoria de dados financeiros Elos Ayta, que revela as 20 ações que mais surpreenderam positivamente o investidor com alta na remuneração por papel no ano ano passado. Veja o ranking abaixo
*Os dados são até dia 30 de dezembro de 2025. Foram considerados dividendos informados à B3 nesse período, que podem ainda não ter pingado no bolso do investidor
No TOP5
Liderando o ranking, a Unipar (UNIP6) apresentou a maior alta no dividendo por ação ano contra ano. Em 2024, distribuiu R$ 4,09 por papel aos acionistas e em 2025, o montante chegou a R$ 12,48, avanço de R$ 8,39 (205,2%).
Segundo Wendell Finotti, CEO da Meu Dividendo, a companhia foi favorecida por dois fatores: o primeiro foi a forte geração de caixa no setor químico, com preços positivos de soda cáustica e PVC. Já o segundo motivo foi a tributação de dividendos, que levou a empresa a antecipar os dividendos dos próximos 2 anos. “Foi uma combinação de lucro operacional elevado, bons fundamentos e a pressão da antecipação”, avalia. Para Finotti, dado os fundamentos sólidos da Unipar e baixa alavancagem ainda haveria espaço para sustentar dividendos elevados em 2026.
Na segunda posição, uma companhia que surpreendeu os analistas foi a Sabesp (SBSP3). Isso porque a empresa está com planos de crescimentos agressivos após a privatização, o que requer fortes investimentos nos próximos anos.
Para Marco Saravalle, estrategista-chefe da MSX Invest, tanto Sabesp quanto Axia (ex-Eletrobras) apresentaram uma estrutura de capital muito confortável em 2025, bem estruturada, com endividamento saudável no longo prazo, e quando teve o movimento de antecipação de proventos, as companhias aproveitaram este fluxo para retornar o capital investido pelo acionista. A empresa de saneamento elevou os dividendos por ação em R$ 4,78 (341,6%).
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Completando o pódio está a empresa de saúde Rede D’Or (RDOR3), que elevou os proventos por ação em R$ 3,65 (562,7%). Filipe Ferreira, professor do Insper e sócio da CTW consultoria, destaca que a companhia vem apresentando forte crescimento nos lucros. “Nos últimos três anos, a Rede D’Or quase triplicou os lucros, mas nos dividendos o salto foi de quase 5 vezes, sem dúvida por conta de um movimento mais aguçado para aproveitar a janela isenta de distribuição de dividendos”, avalia Ferreira.
Na Isa Energia (ISAE4), Finotti destaca a mudança na prática de proventos, diante de pressão dos investidores por mais recorrência. A Isa pagava uma única vez por ano e passou a parcelar pagamentos e até mesmo fazer dois anúncios por ano. Além de sinalizar que avaliava ter uma frequência maior. A companhia também fez um anúncio em dezembro com pagamentos programados para 2026.
Já na Axia (AXIA3), a antecipação de proventos foi marcante. A companhia teve um salto de R$ 3,28 nos dividendos por ação (258,6%). A companhia não apenas distribui dividendos de R$ 4,3 bilhões na corrida pela tributação com base nas reservas, como também instaurou um sistema criativo de remuneração no mercado, com bonificação de ações resgatáveis ao investidor que podem se recompradas ainda em janeiro de 2026. O modelo foi replicado por outras companhias como Cyrela (CYRE3) e Localiza (RENT3) e segundo analistas, pode ganhar força neste ano.
Saravalle, que possui Axia na carteira de dividendos da MSX Invest, destaca que a companhia é o tipo de empresas que oferece retorno nas duas pontas: investidor ganha com dividendos e com ganho de capital no longo prazo.
Proventos em 2026
A história de “despir um santo para vestir outro”, claramente se aplica ao cenário para dividendos em 2026. Luiz Barsi Neto e Matheus Barsi, especialistas da Barsi Investimentos, destacam que 2026 não será um ano generoso em proventos como foi 2025.
“A maioria das empresas vai anunciar ou pagar apenas o mínimo obrigatório de 25% estabelecido por leio no estatuto. O fato de ter um ano eleitoral, juros ainda altos, atrapalha as remunerações”, dizem.
Apesar disso, o investidor não deve ser ao todo prejudicado, na visão de Barsi Neto, mesmo com o Ibovespa fechando 2025, com alta de 34%, o melhor desempenho de 2016, ainda há espaço para altas neste ano, o que deve beneficiar os investidores com ganho de capital.
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Barsi acredita ainda que as empresas devam optar mais por bonificar os acionistas com novas ações, transferindo para eles o ônus de ter que pagar ou não imposto de renda. “Fica a critério do investidor se quer vender as ações para gerar caixa ou ter um aumento de posição para no futuro ter dividendos mais generosos”, aponta.
Ferreira, da CTW consultoria, destaca, contudo, um grupo de empresas que ainda podem render proventos generosos ao acionista, por conta da pressão fiscal do governo. Se trata das estatais como Petrobras (PETR3; PETR4), Banco do Brasil (BBAS3) e BB Seguridade (BBSE3), entre outras. “A União pode forçar a distribuição de proventos para fechar no azul as contas públicas. Olhando o preço da ação pode até ser arriscado investir em estatais, mas pensando no longo prazo, pode ser um momento para aproveitar a volatilidade dos papéis”, avalia.
Ferreira também alerta para um risco nas empresas com a nova tributação, que é a predisposição para se endividar, principalmente companhias de saúde e utilidade pública. “O ponto de equilíbrio entre a estrutura de capital própria e de terceiros muda. Mas isso também eleva o risco de as empresas quebrarem ou diminuir a distribuição de dividendos no longo prazo”, alerta.
O que vale levar para a carteira?
Mesmo diante da incerteza, analistas estão otimistas com alguns papéis da lista para compor uma carteira de dividendos em 2026. Lideram as indicações Axia, Unipar, Sabesp e Direcional (DIRR3).
Há também nomes fora do radar, não presentes no ranking. Veja recomendações abaixo.