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Investimentos

Banco do Brasil (BBAS3): 8 sinais por trás da alta de 25% e 11 alertas no radar do investidor

Alta recente contrasta com lucro pressionado, inadimplência no agro e ROE abaixo dos pares; o 1T26 pode definir se o rali se sustenta

Por Isabela Ortiz

27/02/2026 | 5:30 Atualização: 27/02/2026 | 7:08

Banco do Brasil: BBAS3 sobe quase 25% no ano, mas 2026 começa com pressão do agro, ROE abaixo dos pares privados e foco em recompor margens com menor risco. (Foto: Adobe Stock)
Banco do Brasil: BBAS3 sobe quase 25% no ano, mas 2026 começa com pressão do agro, ROE abaixo dos pares privados e foco em recompor margens com menor risco. (Foto: Adobe Stock)

O Banco do Brasil (BBAS3) entra em 2026 sob um paradoxo típico de bancos estatais, mas com um dado adicional que chama atenção: as ações já acumulam alta próxima de 25% no ano. No 4T25, o BB entregou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões (queda de 40,1% em relação ao 4t24), com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 12,4%, bem abaixo dos principais “bancões”, que operam acima dos 20%.

Leia mais:
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Ao mesmo tempo, a inadimplência acima de 90 dias permaneceu elevada, nos 5,17%, com o agronegócio ainda concentrando parte relevante da pressão (atingiu os 6,09%). O 1T26 tende a ser decisivo para responder se a recuperação ganha consistência, e justifica a alta recente, ou se o desconto histórico com relação a banco privados segue, ao menos em parte, justificado.

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou, coletiva fechada para a imprensa no início de fevereiro, que 2026 começa sob pressão, com o primeiro trimestre ainda impactado por operações rurais contratadas sob metodologia antiga. A expectativa é de que a inadimplência permaneça elevada no início do ano, comece a ceder no segundo trimestre e apresente melhora mais consistente apenas no segundo semestre.

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Para 2026, o banco projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com ROE entre 10% e 13%. A administração considera improvável superar esse patamar no momento. O payout — parcela do lucro líquido distribuída aos acionistas — será mantido em 30%, sem previsão de dividendos extraordinários no curto prazo, com foco na sustentabilidade dos resultados.

Na estratégia comercial, o foco será recompor margens com menor risco, ampliando a atuação em crédito consignado (com meta de alcançar 20% de participação, inclusive no consignado privado) e expandindo linhas com garantia e relacionamento com clientes de maior valor, enquanto administra os impactos da antecipação de contribuições ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e o ambiente ainda desafiador no agro.

Os sinais que sustentam a tese de valorização

O primeiro vetor é operacional. Depois de um início de 2025 fraco, a margem financeira voltou a ganhar tração ao longo do ano. Como explica Eduardo Nishio, da Genial Investimentos, o principal ponto de inflexão foi justamente essa linha do balanço. “A margem financeira do primeiro tri foi muito fraca […] caiu para R$ 23,8 bilhões, mas veio se recuperando ao longo do ano”, afirma. No quarto trimestre (de 2025), já havia alta anual de cerca de 4%, revertendo a contração observada no início do ciclo.

Esse movimento não é visto como meramente pontual por parte dos analistas. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, avalia que há um componente estrutural na melhora, especialmente na qualidade da carteira, com destaque para o agronegócio e o crédito corporativo. A inadimplência controlada e o nível confortável de cobertura de provisões indicariam que não se trata apenas de um efeito de base fraca.

Lima reforça essa leitura ao destacar que a carteira agro do banco tem qualidade relativamente superior à média do sistema, dada a concentração em grandes produtores e operações com garantias reais.

“Se o banco mantiver disciplina de originação, o custo de crédito deve permanecer controlado, mesmo com maior volatilidade no setor”, ressalta.

O pano de fundo macro também ajuda. Com a Selic ainda em patamar elevado (de 15%) e perspectiva de cortes graduais, o banco segue operando em ambiente favorável para geração de margem financeira, sobretudo nas linhas indexadas ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e no crédito rural. Isso sustenta lucro recorrente robusto no curto prazo e abre espaço para manutenção de dividendos relevantes.

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No campo do valuation, há quem enxergue oportunidade. Nishio lembra que o BB tradicionalmente negocia com desconto relevante frente aos privados por carregar uma “taxa de desconto maior” associada ao risco de ingerência política. Hoje, porém, a ação gira em torno de 6 vezes lucro projetado para 2026, múltiplo próximo ao de bancos privados em recuperação. Para alguns gestores, se o banco entregar retorno sobre patrimônio (ROE) acima do custo de capital com inadimplência controlada, há espaço para re-rating (reprecificação) parcial.

Outro ponto favorável é a opcionalidade eleitoral. Nishio pondera que, historicamente, eleições podem funcionar como catalisador.

“Se houver alternância de poder [político], a gente acredita que o papel é um dos cavalos que pode andar bastante”, afirma, ainda que reconheça que o movimento pode ocorrer independentemente dos fundamentos no curto prazo.

Dividendos: tese de renda ainda de pé?

Na estratégia focada em renda, o banco também apresenta atratividade relativa. A projeção de dividend yield (rendimento do dividendo) para 2026 gira entre 7% e 8%, segundo estimativas da Genial, considerando payout ao redor de 30% do lucro. Para Nishio, “desse patamar de 7%, 8%, eu diria que está razoável e seguro”, desde que o lucro projetado se confirme.

Os demais analistas concordam que, no cenário-base, o payout atual é compatível com a geração de capital e com a qualidade média da carteira. O dividend yield projetado tende a ser sustentável se o custo de crédito permanecer dentro do guidance (projeções) e a inadimplência não voltar a acelerar.

Mas há uma condição clara: a tese de “máquina de renda” depende da estabilidade da qualidade dos ativos. Caso o risco de crédito volte a pressionar, o dividendo passa a carregar prêmio maior de incerteza.

Os pontos que ainda preocupam

Se há sinais positivos, também existem alertas importantes.

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O primeiro deles é o custo de crédito. Eduardo Nishio, da Genial, lembra que o lucro do BB tem sido volátil justamente por depender das provisões para devedores duvidosos (PDD). Em 2025, o lucro trimestral oscilou de R$ 7 bilhões para R$ 3,7 bilhões antes de voltar a subir, refletindo variações nas despesas com crédito.

Além disso, mudanças regulatórias recentes (como a possibilidade de extensão do prazo de permanência de créditos problemáticos no estágio 3) podem manter a inadimplência estatisticamente mais elevada por mais tempo.

“A inadimplência deve continuar subindo nos próximos semestres”, projeta o analista da Genial, destacando que o foco deve estar no custo de crédito, e não apenas no indicador bruto de atraso.

André Matos, da MA7 Negócios, também chama atenção para o fato de que parte da melhora pode refletir normalização após base fraca. Para ele, no 1T26 o investidor precisa monitorar quatro vetores:

  • Inadimplência acima de 90 dias;
  • Custo de crédito frente ao guidance;
  • Margem ajustada ao risco; e
  • Crescimento seletivo da carteira.

“Se esses vetores convergirem positivamente, a tese de recuperação ganha consistência”, afirma.

Agro continua sufocando o BB

O agro segue como ponto sensível. A safra recorde de soja tende a favorecer volume financiado e fluxo de caixa, mas volume não garante margem. Preços domésticos pressionados e custo financeiro elevado podem afetar produtores mais alavancados. No milho, o cenário é mais apertado; no ciclo do gado, há sinais de reversão que podem ajudar margens, mas o monitoramento da inadimplência rural será crucial ao longo do 1T26 e 2T26.

Por fim, permanece o risco político. Mesmo com rentabilidade comparável à de privados, o prêmio de risco institucional não desaparece, especialmente em período pré-eleitoral. Como resume Matos, o investidor institucional exige desconto relevante em preço sobre valor patrimonial (P/VP) e preço sobre lucro (P/L) como compensação pelo risco de interferência. Se o desconto for exagerado frente aos fundamentos, surge oportunidade; se houver ruído político relevante, a ação tende a sentir no curto prazo.

Comprar, manter ou esperar?

Para o investidor focado em valorização, BBAS3 pode fazer sentido como tese de reprecificação, desde que três condições se confirmem: controle do custo de crédito, manutenção do ROE acima do custo de capital e ausência de interferência estratégica relevante. Nesse cenário, a combinação de múltiplos comprimidos e lucro recorrente pode sustentar potencial de alta relevante em 2026.

Para quem busca renda, o papel oferece dividend yield competitivo, mas a estratégia exige disciplina no preço de entrada. Como o payout está mais conservador e depende da trajetória do lucro, o investidor de dividendos deve considerar um preço-teto que preserve retorno próximo a 8% ao ano, assumindo cenário-base de estabilidade no crédito.

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Já para o perfil mais conservador, a recomendação tende a ser de cautela e monitoramento do 1T26. Se houver nova deterioração na inadimplência ou frustração com o guidance, pode ser prudente esperar maior visibilidade antes de aumentar posição.

Resumo para o investidor apressado

O Banco do Brasil reúne fundamentos que justificam otimismo moderado (margem em recuperação, carteira ainda resiliente e valuation descontado), mas carrega riscos que não permitem complacência. Em 2026, a diferença entre uma alta expressiva e uma ação lateralizada deve estar menos no lucro corrente e mais na qualidade do crédito e na percepção de governança.

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