Banco Pan deixa a B3: o que muda para o investidor com a incorporação pelo BTG
Ações do Pan deixam de ser negociadas após conclusão da incorporação; antigos acionistas passam a deter Units do BTG (BPAC11) e precisam reavaliar perfil de risco e carteira
Incorporação do Banco Pan pelo BTG encerra a negociação das ações do Pan e marca a troca automática por Units do BTG para os investidores. (Foto: Adobe Stock)
Esta segunda-feira (26) marca o fim do Banco Pan como empresa listada na B3, uma vez que, na última sexta-feira (23), a incorporação do Pan pelo BTG Pactual foi oficialmente concluída. O fato relevante divulgado pelo BTG confirma que todas as condições suspensivas foram cumpridas, incluindo a aprovação do aumento de capital pelo Banco Central. Com isso, as ações do Pan deixaram de ser negociadas ao final do pregão e, a partir hoje, apenas as Units do BTG (BPAC11) seguem em negociação na Bolsa.
Para o investidor pessoa física, o principal ponto é entender o que mudou na carteira. Os antigos acionistas do Banco Pan receberam, automaticamente, Units do BTG na proporção de 0,2157 Unit para cada ação do Pan detida na data de liquidação. Ao todo, o BTG emitiu 54,6 milhões de Units, que serão creditadas nas contas dos investidores no dia 28 de janeiro. Já eventuais frações, decorrentes da participação do Banco Sistema, serão agrupadas e vendidas no mercado, com o valor líquido repassado proporcionalmente.
Segundo Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar, a operação foi positiva sob a ótica do acionista. Ele explica que houve uma troca direta de papéis menos líquidos por um ativo mais relevante no mercado.
“Houve então uma troca das ações do Banco Pan pelas Units do BTG, entregando aos acionistas um papel que está por trás de um banco maior, mais consolidado e com maior liquidez”, afirma.
Além disso, Castro destaca que a operação embutiu um prêmio relevante. “A proposta da aquisição envolveu um prêmio de cerca de 30% sobre o preço de mercado das ações do Banco Pan, o que beneficia quem manteve o papel até a incorporação.”
Esse movimento acontece após um período operacionalmente robusto do Banco Pan. No segundo trimestre de 2025, a instituição registrou lucro líquido ajustado de R$ 191 milhões, com ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de 11,3%. A carteira de crédito alcançou R$ 57,8 bilhões, crescimento anual de 18%, com forte presença em financiamento de veículos e liderança no segmento de motos.
O banco também avançou no consignado privado, que ultrapassou R$ 1,1 bilhão no trimestre e chegou a R$ 1,5 bilhão em julho. Em entrevistas anteriores, o CEO André Calabro vinha reforçando a estratégia de crescimento com foco em eficiência, rentabilidade e expansão do portfólio de crédito, números que ajudam a explicar por que o ativo era visto como estratégico dentro do BTG.
Apesar dos bons fundamentos do Pan, a incorporação muda o perfil de risco e de exposição do investidor. Castro chama atenção para esse ponto. “Quem comprou ações do Banco Pan estava exposto a um banco mais voltado ao crédito ao consumo. Agora, passa a ter exposição a um banco como o BTG, que tem um mix de negócios diferente, mais focado em investment banking e grandes operações”, diz.
Na avaliação dele, essa mudança de perfil tende a ser favorável, mas exige que o investidor olhe para a carteira como um todo e não apenas para um papel específico.
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Henrique Soares, também planejador financeiro CFP pela Planejar, reforça essa leitura mais prática. “O investidor deixa de ter exposição direta ao Banco Pan como empresa listada e passa a ter exposição ao BTG”. Ele lembra que, na corretora, o código do Pan deixa de aparecer e é substituído por BPAC11, que representa um conjunto de ações ordinárias e preferenciais do BTG.
“Isso altera a dinâmica de risco, liquidez e até o acompanhamento do investimento, já que se trata de uma instituição maior e mais diversificada”, explica.
Há ainda pontos operacionais e tributários a serem observados. Castro ressalta que, como houve ganho de capital na operação, o investidor precisa avaliar o impacto tributário, que pode variar conforme o volume de ações que possuía. Já Soares recomenda uma checagem simples, mas importante: conferir no extrato da corretora a quantidade de Units recebidas e como o evento foi registrado.
Vale um esclarecimento relevante para quem não tinha ações, mas produtos de renda fixa do Pan. “Para quem tinha CDB [Certificado de Depósito Bancário] do Banco Pan, nada muda de forma imediata”, afirma Soares. A incorporação afeta apenas as ações. Os CDBs seguem válidos conforme contrato, com juros e vencimentos mantidos, cabendo ao investidor apenas acompanhar normalmente pela corretora ou pelos canais oficiais.