A entrada em vigor de uma tarifa global de 10% nos Estados Unidos — abaixo dos 15% que chegaram a ser cogitados — amenizou o estresse recente e levou as Bolsas no início da tarde às altas. Em Nova York, os índices avançaram, enquanto os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, encerraram sem sinal único. O ouro realizou lucros em meio a “tensões geopolíticas” persistentes.
No Brasil, o Banco Central divulgou que o País teve déficit de US$ 8,360 bilhões na conta corrente em janeiro, após um saldo negativo de US$ 3,363 bilhões em dezembro. O rombo superou todas as estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, que apontavam um déficit entre US$ 7,70 bilhões e US$ 3,033 bilhões. A mediana da pesquisa era negativa em US$ 6,60 bilhões.
Ao mesmo tempo, a entrada líquida de Investimentos Diretos no País (IDP) somou US$ 8,168 bilhões em janeiro. O resultado ficou mais próximo do teto da pesquisa Projeções Broadcast, de US$ 8,30 bilhões, do que da mediana, de US$ 6,960 bilhões. O piso do levantamento era de US$ 5,50 bilhões. Quanto à arrecadação, somou R$ 325,751 bilhões em janeiro. O montante ficou abaixo da mediana, de R$ 326,100 bilhões.
Na volta do feriado pelo ano-novo Lunar chinês, o minério de ferro fechou em baixa de 1,79%, o que não contamina as ações do setor. A exceção é a Gerdau, que divulgou balanço e cai mais de 2%. A Gerdau apresentou lucro líquido ajustado de R$ 670 milhões no quarto trimestre de 2025. A cifra representa uma queda trimestral de 38,5% e uma alta de 0,5% sobre o visto no quarto trimestre de 2024. A siderúrgica também anunciou um programa de recompra de ações com prazo de 18 meses.
Após o fechamento do mercado, chega a vez do GPA (PCAR3) divulgar seus números do quarto trimestre.
Na segunda-feira (23), o Ibovespa fechou em baixa de 0,88%, aos 188.853,49 pontos, refletindo uma combinação de agenda doméstica e incertezas externas. No Brasil, o Boletim Focus mostrou leve recuo nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 3,95% para 3,91%, e queda na estimativa do dólar ao fim do próximo ano, de R$ 5,50 para R$ 5,45. A mediana para o Produto Interno Bruto subiu de 1,80% para 1,82%, enquanto a projeção para a taxa Selic no fim de 2026 foi ajustada para 12,13%.
Ibovespa hoje: veja os destaques da sessão desta terça-feira (24)
Os ativos financeiros foram guiados por incertezas geopolíticas, política monetária e falas em relação à política tarifária do governo americano. As novas tarifas globais dos Estados Unidos entraram em vigor nesta terça-feira com alíquota de 10%, abaixo dos 15% mencionados pelo presidente Donald Trump, após a Suprema Corte dos EUA barrar parte do tarifaço de abril de 2025. Documentos do governo confirmam que a cobrança começou no nível mais baixo.
Além disso, Trump indicou que avalia novas sobretaxas de segurança nacional, que podem afetar setores como baterias, químicos, telecomunicações, aço e alumínio. Nesse contexto, as bolsas de Nova York subiram. O Dow Jones avançou 0,76%, o S&P 500 teve alta de 0,77% e o Nasdaq registrou ganho de 1,04%.
As bolsas europeias fecharam sem sincronia nesta terça-feira em meio às incertezas das tarifas do governo Trump, que levaram a União Europeia (UE) a congelar o acordo comercial com os EUA. Em Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 0,04%, a 10.680,59 pontos. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,12%, a 25.021,65 pontos. Em Paris, o CAC 40 subiu 0,26%, a 8.519,21 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,10%, a 46.651,72 pontos. Em Madri, o Ibex 35 marcou baixa de 0,38%, a 18.218,30 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 terminou o pregão com avanço de 0,25%, a 9.269,17 pontos.
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta, em meio à retomada dos negócios na China após o feriado do ano-novo lunar, apesar de novas ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, e do fraco desempenho de Wall Street ontem.
Na China continental, o índice Xangai Composto subiu 0,87%, a 4.117,41 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,23%, a 2.713,38 pontos, depois de ficarem cerca de uma semana sem operar devido ao feriado de ano-novo. O banco central chinês (PBoC) deixou suas principais taxas de juros inalteradas: a chamada LPR de 1 ano foi mantida em 3% e de 5 anos permaneceu em 3,5%.
Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei subiu 0,87% em Tóquio, a 57.321,09 pontos, também na volta de um feriado, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 2,11% em Seul, a 5.969,64 pontos, renovando máxima histórica pelo quarto pregão seguido. Exceção, o Hang Seng caiu 1,82% em Hong Kong, a 26.590,32 pontos, pressionado por ações de tecnologia e da área de saúde.
Na Oceania, a bolsa australiana ficou praticamente estável hoje, com baixa marginal de 0,04% do S&P/ASX 200 em Sydney, a 9.022,30 pontos.
Commodities e cotação do dólar
O petróleo recuou, em meio à expectativa de negociações entre EUA e Irã em Genebra, enquanto Trump afirmou que a decisão sobre possível ação militar contra o país será exclusivamente dele. O barril do petróleo WTI para abril cedeu 1,02% na Nymex, a US$ 65,63, enquanto o do Brent para maio recuou 0,75% na ICE, a US$ 70,58.
Na volta do feriado do Ano Novo Lunar chinês, o contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em queda de 1,79%, cotado a 740,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 107,17. O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em baixa de 1,83%, a 724,5 yuans, o equivalente a US$ 104,86 por tonelada.
O dólar fechou em alta ante outras moedas de economias desenvolvidas. A divisa americana subiu a 155,78 ienes, enquanto o euro recuou a US$ 1,1783 e a libra teve valorização a US$ 1,3509. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, fechou em alta de 0,14%, a 97,843 pontos.
Esses e outros indicadores moldaram o humor do mercado nesta terça-feira (24) e influenciaram os resultados do Ibovespa hoje.