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Investimentos

Para Stuhlberger, Brasil corre sério risco de não ter futuro

Em carta do fundo Verde, o mais importante gestor do País critica os atalhos fáceis dos governantes e demonstra pessimismo 

Por Jenne Andrade

07/10/2020 | 18:45 Atualização: 08/10/2020 | 9:47

Luis Stuhlberger, da Verde Asset Management (Foto: Iara Morselli/Estadão)
Luis Stuhlberger, da Verde Asset Management (Foto: Iara Morselli/Estadão)

O lendário fundo Verde, criado por Luis Stuhlberger, um dos maiores gestores da história do Brasil, enviou um relatório de gestão aos cotistas onde detalha a delicada situação das contas públicas brasileira e faz críticas aos atalhos fáceis dos governantes.

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“É como se o país andasse em círculos e sempre retornasse ao ponto de partida, mas com uma dívida mais alta, e os mesmos problemas na qualidade dos serviços públicos e no atendimento das demandas da sociedade”, diz o documento.

A carta também mostra a preocupação de Stuhlberger com o futuro do País. “Quanto mais conseguirmos racionalizar o uso de recursos no setor público, mais poderemos fazer do ponto de vista da diminuição da pobreza que assola o país. Para isso, temos que acabar com todos os privilégios anacrônicos, não apenas de corporações do setor público, mas de segmentos do setor privado, que drenam recursos da sociedade em benefício próprio à despeito do todo, em particular dos mais pobres. O caminho de não enfrentar os problemas e se esconder nos atalhos fáceis e populistas só nos levará a mais miséria no futuro”, informa o texto.

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A gestora comentou sobre o impacto da pandemia de coronavírus no preço dos ativos. Em setembro, a casa registrou queda de 1,22%, o primeiro resultado negativo desde o ápice do impacto da covid-19 na Bolsa, em março deste ano. Os principais culpados por afundar a rentabilidade da aplicação foram os ativos nacionais, que diferente dos papéis globais, sofrem desvalorização por conta de grande incerteza fiscal que se instalou no País.

A Verde ainda ressalta que não há nação emergente que tenha uma dívida maior que a brasileira. Contudo, o País foi um dos que mais gastou durante a pandemia, se igualando apenas a Peru e Chile, ambos com dívida pública em torno de 25% do PIB, ou seja, com margem de manobra. Para a gestora, o Brasil teve uma reação fiscal típica de ‘primeiro mundo’ e utilizou um volume de recursos que só poderiam ser bancados por países desenvolvidos.

“Urge criar espaço, sem malabarismos ou pedaladas, dentro do Teto, efetivamente cortando gastos ineficientes e usando melhor os recursos da já elevada carga tributária brasileira. Quanto mais conseguirmos racionalizar o uso de recursos no setor público, mais poderemos fazer do ponto de vista da diminuição de pobreza que assola o país”, ressalta.

Auxílio Emergencial não deve ser perpetuado

Outro tema de destaque no relatório foi o auxílio emergencial, criado para ajudar a população brasileira a passar pelo período de pandemia. Na esteira da discussão sobre perpetuar ou não o programa, a Verde analisou que o benefício teve um gasto muito maior que o necessário para igualar a renda das famílias ao que era habitual antes da crise.

“A renda dos domicílios que receberam o auxílio tiveram um aumento de 74% em relação ao que era a renda habitual”, diz o relatório. “Com base nos microdados, estimamos que, em agosto, o Auxílio Emergencial poderia ter sido de R$188 por adulto para que, na média dos domicílios que o receberam, a renda efetiva fosse exatamente a renda que o domicílio recebia habitualmente.”

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A gestora ressalta ainda que, por mais mérito que tenha, o objetivo do auxílio não é reduzir a pobreza pré-existente no Brasil, já que isso se trata de um problema estrutural. A solução para acabar com as mazelas do País passaria pela racionalização dos recursos no setor público, sem atalhos fáceis e populistas, que no longo prazo gerariam ainda mais dívidas.

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