

Os mercados ainda devem passar por volatilidade intensa diante de ruídos provenientes do anúncio do presidente americano, Donald Trump, sobre o processo tarifário implementado por ele nesta última quarta-feira (2). Segundo os especialistas, os principais temores do mercado são inflação e desaceleração econômica. Analistas escolheram 17 ações para o investidor comprar, lucrar com dividendos e se proteger desse cenário turbulento.
Segundo a equipe da XP, o principal impacto das tarifas de Donald Trump para a economia americana está associado a uma alta na inflação de curto prazo. Os analistas explicam que o comitê de política monetária do Federal Reserve (FOMC) elevou em sua última reunião as projeções de inflação para 2025, antevendo a possibilidade de um choque dessa natureza. Eles reforçam que mensurar o impacto total é uma tarefa complexa e quase impossível, considerando os múltiplos encadeamentos das cadeias globais de suprimentos.
“O Fed espera que, passado o efeito do choque, a inflação volte a convergir para a meta, atingindo 2% em 2027. A inflação corrente persiste acima da meta, diante de atividade econômica e mercado de trabalho ainda resilientes, com contribuições mais altas do lado da inflação de serviços”, dizem Maria Irene Jordão e Raphael Figueredo, que assinam o relatório da XP.
Tarifas de Trump podem desacelerar a economia e até causar recessão
A dupla de especialistas argumenta que a desaceleração da atividade econômica emerge como uma preocupação no primeiro trimestre de 2025, influenciada por um inverno mais frio no hemisfério norte e importações elevadas na tentativa de antecipar o efeito das tarifas de Trump. Eles reforçam que as tarifas podem impactar negativamente a atividade, na forma de redução nas quantidades demandadas pelo consumidor americano, que terá de lidar com um choque de preços.
Publicidade
“Outro fator é o produtor americano, que sofre com o efeito negativo sobre cadeias de suprimentos globais devido ao aumento de custos. Isso causa uma queda generalizada na confiança. Nesse cenário, com a concretização de tarifas universais mais duras que o antecipado, o risco de uma recessão sobe”, afirmam.
Em meio a esses cenários, os analistas recomendam compra para as ações de empresas de materiais básicos, utilidade pública, energia, saúde, bens e consumo, comunicações e o setor financeiro. O maior dividend yield estimado é para as ações do HSBC. A corretora calcula que a empresa deve pagar cerca de 12,5% do seu valor de mercado em dividendos. O menor rendimento em dividendos em dólar é o da Constellation Energy (CEG), a corretora projeta um rendimento de 0,8% para o acumulado de 2025. Veja as ações selecionadas para se proteger da turbulência causada por Donald Trump no mercado acionário.
Publicidade