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Investimentos

“ETFs são tudo o que o investidor sonha; bons, baratos e simples”, diz Bloomberg Intelligence

As vantagens dos ETFs fazem Eric Balchunas, analista sênior da Bloomberg, apostar em um crescimento de US$ 20 tri em 10 anos

Por Luíza Lanza

27/01/2025 | 3:00 Atualização: 27/01/2025 | 18:59

Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg Intelligence. (Foto: Bloomberg Intelligence)
Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg Intelligence. (Foto: Bloomberg Intelligence)

Na hora de investir em renda variável, existem algumas alternativas. Comprar os ativos diretamente na Bolsa, escolhendo as melhores opções sozinho ou com auxílio profissional; delegar essa tarefa a uma gestão ativa via fundos de investimento; ou comprar um fundo de índice, como também são conhecidos os Exchange Traded Funds (ETFs). Esta opção costuma chamar a atenção pela simplicidade: é fácil de investir, exige um baixo investimento mínimo e, no geral, cobra taxas mais baixas do que as praticadas na indústria de fundos.

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É esta tríade de benefícios que faz a Bloomberg Intelligence apostar que a indústria global de ETFs atinja US$ 35 trilhões até 2035. “Os ETFs são tudo que o investidor sonha. Quando há um produto assim, ele ganha adeptos”, diz Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg Intelligence.

Em 2024, esse mercado deu um salto de 32% e esteve no foco do noticiário de mercado com a aprovação inédita na SEC (ou U.S. Securities and Exchange Commission), a “CVM dos Estados Unidos”, de um ETF de bitcoin distribuído pela maior gestora do mundo, a BlackRock. Mas essa foi apenas uma ponta do crescimento deste mercado, destaca Balchunas em entrevista ao E-Investidor.

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Para ele, são as vantagens dos ETFs em relação aos fundos de investimento e a outros ativos que farão o produto se popularizar entre os investidores, especialmente quem pensa no longo prazo.

Confira os principais trechos da conversa:

E-Investidor – No Brasil, gestores de fundos têm enfrentado períodos duros com a alta volatilidade do mercado e a dificuldade em bater o benchmark, o que tem se traduzindo em um alto nível de resgates. Por que optar por um ETFs em detrimento da gestão ativa pensando no longo prazo?

Eric Balchunas – Os gestores também conseguem criar valor. O problema é que um fundo de investimento costuma cobrar taxas entre 1% e 2%. Isso significa que o produto precisaria superar o benchmark em pelo menos 2,5% para entregar o mesmo retorno. No longo prazo, não importa o quão bom seja, o gestor não consegue superar isso. As taxas podem parecer pequenas, mas imagine um investimento de US$ 10 mil com um rendimento que deveria ser de 8% caindo para 6%. Parece apenas um ‘gap’ de 2% pela taxa de administração. Em 50 anos, porém, esses mesmos US$ 10 mil se tornam US$ 350 mil ao considerar os 8%, versus US$ 150 mil a 6% de retorno ao ano. Ou seja, você perdeu cerca de 60% do que poderia ter recebido. Portanto, prefiro me concentrar em índices, sabendo que não pagarei taxas e vencerei 90% dos gestores em 15 anos. É um bom negócio.

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A projeção da Bloomberg é que o mercado global de ETFs ultrapasse os US$ 35 trilhões em dez anos. O que é necessário para a indústria alcançar esse patamar? 

Em termos de escala, podemos ver o mercado sair de US$ 15 trilhões para um incremento de US$ 20 tri, mas, somente no ano passado, a indústria cresceu US$ 3,5 tri. Se tivermos um ano como 2024 na próxima década, chegaremos lá antes de 2035. Os ETFs são tudo que o investidor sonha – eles são bons, fáceis, baratos e simples. Cumprem todos os requisitos. E quando há um produto assim, ele ganha adeptos. Isso tende a se expandir globalmente à medida que mais pessoas se preocupam com a aposentadoria e começam a aprender sobre investimentos.

Quais fatores levaram a esse boom? Tem a ver com a aprovação do primeiro ativo ligado a bitcoin?

O interessante é que, dos 32% que a indústria global de ETFs cresceu em 2024, apenas 2% foi por causa de criptos. Não me surpreende como o ETF de bitcoin decolou, porque é uma forma de reduzir taxas e fazer a operação ser mais conveniente ao investidor. E adiciona-se um tipo de segurança regulatória que vem com a aprovação pela SEC e a gestão da BlackRock, a maior gestora do mundo. Foi uma combinação poderosa e estes ETFs quebraram todos os recordes. Ainda assim, mesmo que sejam o novo queridinho do momento, eles eram uma fracção pequena desse número de crescimento em geral.

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Quais os principais desafios de manter esse ritmo de crescimento nos próximos anos, especialmente em mercados emergentes como o Brasil?

Ainda há países onde a população não olha para o mercado de investimentos e talvez até coloque dinheiro embaixo do colchão. O segundo ponto são pessoas que assumem que o governo ainda será capaz de cobrir a aposentadoria. No entanto, a população, sobretudo mais jovem, já começa a entender que também terá que ser responsável pela própria aposentadoria – e, quanto mais você se preocupa com isso, mais perto você está de descobrir o mercado de ETFs. Em países emergentes pode levar mais tempo, mas as coisas estão mudando, só que em velocidades diferentes.

 Especialistas têm reforçado que os ETFs ligados às Bolsas americanas são peças importantes para que investidores brasileiros diversifiquem as carteiras internacionalmente. Na sua avaliação, quais ativos não podem faltar em uma estratégia de longo prazo?

É quase uma piada o quão forte o mercado americano está agora, é a 8ª maravilha do mundo. Eu diria que o índice S&P 500 ou o Nasdaq 100 é um “must have” [indispensável]. Você precisa ter “As Sete Magníficas” (grupo formado por Apple, Amazon, Alphabet, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla) que embalam esses índices. Se você está em outro país, deveria ter ao menos uma exposição aos EUA, porque é onde está muito do crescimento e apetite por risco. E o retorno fala por si.

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