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Investimentos

Juros de 1% ao mês com baixo risco de calote: os FIIs que atraem investidor em busca de equilíbrio

Na B3, os que mais se destacaram entre setembro de 2023 a agosto deste ano foram aqueles focados em crédito high grade

Por Murilo Melo

29/10/2024 | 3:00 Atualização: 04/11/2024 | 13:23

Investimento
Foto: Adobe Stock
Investimento Foto: Adobe Stock

A taxa básica de juros a 10,75% ao ano e em perspectiva de alta obriga investidores mais arrojados a procurar alternativas com potencial de entregar retornos maiores que a renda fixa balizada pela Selic. No entanto, tais opções também precisam equilibrar os riscos de calote para que a oportunidade não resulte em prejuízo. E é neste contexto que uma família de fundos imobiliários (FIIs) têm se destacado como uma opção sólida: aqueles focados em crédito high grade.

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Entre setembro de 2023 a agosto deste ano, o Rio Bravo Crédito High Grade (RBHG11) liderou o ranking deste tipo de FII com uma distribuição total de 13,8% em dividendos, o que equivale a uma média mensal de 1,08%. O número considera todo o histórico de distribuição mês a mês até agosto deste ano e é dividido pelo fechamento da cota do mercado em agosto (R$ 83,50).

  • Leia mais: FIIs ‘high grade’: as vantagens e desvantagens dos fundos imobiliários com ativos de alta qualidade

Em setembro deste ano, segundo dados da B3, o fundo RBHG11 registrou uma distribuição de R$ 0,90 por cota, resultando em um dividend yield de 1,1% (13,91% anualizado), refletindo uma maior distribuição em relação aos meses anteriores – de agosto para setembro, a distribuição aumentou em cerca de 6%.

  • Qual é a estratégia de investimentos do maior fundo imobiliário do Brasil?

Investir nos FIIs é uma maneira de lucrar com o mercado imobiliário sem a necessidade de adquirir um imóvel e arcar com os custos de manutenção. Os fundos imobiliários de crédito high grade aparecem como uma das preferidas pelos investidores porque são conhecidos no mercado por sua estratégia de investimento focada em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) de alta qualidade de crédito.

Esses ativos, por sua natureza, apresentam menor probabilidade de inadimplência e costumam distribuir dividendos de forma mais consistente, segundo especialistas do mercado financeiro. É essa característica que torna os fundos de crédito high grade especialmente atraentes em um contexto de alta de juros, porque os investidores buscam formas seguras de garantir rentabilidade.

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Para o CEO da Private Construtora, Mateus Vitória Oliveira, os FIIs high grade trazem segurança maior para o investidor em comparação com outros fundos imobiliários que podem estar expostos a riscos maiores, como vacância ou inadimplência de inquilinos. “Esses fundos talvez não entreguem os maiores retornos, como os de perfil mais agressivo, mas oferecem uma renda passiva mais previsível. Isso atrai o investidor que prefere preservar capital e ter uma rentabilidade constante, ainda que o potencial de valorização do fundo seja menor”, diz.

Quando comparados a fundos imobiliários de desenvolvimento ou aqueles que investem diretamente em imóveis, Oliveira afirma que a diferença é clara: enquanto esses outros fundos podem se valorizar mais dependendo do ciclo do mercado imobiliário, os fundos de crédito high grade oferecem maior tranquilidade de uma carteira lastreada em ativos de crédito de qualidade, com menos exposição a oscilações de mercado.

Por que o RBHG11 alcançou esse desempenho? Veja o que atrai os investidores

De acordo com Guilherme Rheingantz, gestor dos Fundos de Crédito Estruturado da Rio Bravo Investimentos, o desempenho do RBHG11 se deve à diversificação da carteira, que inclui pelo menos 37 ativos de 12 setores diferentes, permitindo mitigar riscos e buscar fontes de receita estáveis. O fundo também manteve com seus cerca de 11 mil cotistas – até agosto deste ano – um guidance (projeção) de dividendos transparente, segundo Rheingantz. O FII projeta para todo o segundo semestre de 2024 a distribuição de dividendos dentro da faixa de R$ 0,77 a R$ 0,93 por mês, até dezembro.

  • B3 amplia oferta de fundos imobiliários e títulos do exterior; veja o que muda

Além disso, o gestor afirma que houve uma preocupação com análise de crédito rigorosa, diligência profunda, estrutura robusta das operações, diversificação dos ativos e gestão próxima aos devedores, mantendo conversas rotineiras e visitas constantes nas sedes das empresas. “No mês de setembro, especificamente, tivemos fatores extraordinários que fizeram com que a distribuição fosse maior que nos meses anteriores. Nossa expectativa é de que consigamos manter o guidance que fizemos no início do semestre”, conta Rheingantz.

O analista da Lumi Research, Ricardo Salim, foi em busca de explicações para entender a preferência do investidor pelo ativo. Conforme ele, com o aumento das taxas de juros, houve uma reação forte da curva de juros, o que aumentou os rendimentos de ativos atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), beneficiando os fundos que investem em CRIs de alta qualidade. A política monetária mais restritiva favoreceu a demanda por ativos mais seguros e com menor risco de crédito, como os CRIs de alta qualidade, nos quais o RBHG11 investe.

Ao analisar os relatórios da RBHG11, Salim diz que notou que o fundo adquiriu títulos com taxas atrativas, como o IPCA+ 7,6% e o CDI+ em 3,0%. “Com a Selic em alta e o IPCA ultrapassando a banda superior da meta, o RBHG11 adotou uma estratégia inteligente ao vender títulos com taxas menores e adquirir papéis com taxas maiores, mantendo o risco sob controle”, observa Salim.

Campeões na distribuição de dividendos

Confira os 10 fundos imobiliários que têm se destacado na distribuição de dividendos, segundo a especialista em investimentos Carolina Bohnert, da The Hill Capital.

  1. HGLG11 (Cshg Logística): focado em imóveis logísticos, aproveita a alta demanda do e-commerce para manter uma distribuição regular de dividendos.
  2. KNRI11 (Kinea Renda Imobiliária): um fundo híbrido que investe em ativos de renda e imóveis físicos, reconhecido pela distribuição sólida.
  3. VISC11 (Vinci Shopping Centers): especializado em shoppings, se beneficiou da recuperação do setor, entregando dividendos atrativos.
  4. MXRF11 (Maxi Renda): fundo de papel que investe em CRIs e outros títulos de renda fixa, com boa rentabilidade.
  5. XPML11 (XP Malls): focado em shopping centers, mantém histórico de distribuições consistentes, especialmente durante a recuperação econômica.
  6. BRCR11 (BTG Pactual Corporate Office Fund): atua em imóveis corporativos, oferecendo boas distribuições, apesar de uma maior volatilidade.
  7. TRXF11 (TRX Real Estate): investe em imóveis de alta qualidade, garantindo rendimentos competitivos.
  8. HFOF11 (Hedge Top FOF): fundo de fundos que diversifica investimentos em outros FIIs, proporcionando dividendos constantes.
  9. RECR11 (REC Renda Imobiliária): focado em ativos de renda, vem mostrando desempenho sólido em termos de distribuição.
  10. O BTCI11: fundo focado em recebíveis imobiliários, especialmente Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), que são títulos de renda fixa lastreados em dívidas do setor imobiliário.

Comparativo geral:

  • Rentabilidade: varia conforme a estratégia do fundo. Fundos de papel tendem a ser mais estáveis, enquanto os de imóveis físicos podem ser mais voláteis.
  • Setor: a performance é influenciada pelo setor em que o fundo atua, como logística ou shoppings, que respondem de maneira diferente às condições econômicas.
  • Gestão: fundos com boa gestão e estrutura de taxas adequadas tendem a garantir melhores retornos líquidos.
  • Histórico: fundos com histórico de pagamentos consistentes são vistos como opções mais confiáveis para o investidor.

Fundos de Crédito High Grade: entenda os riscos associados

Embora os fundos de crédito high grade sejam reconhecidos pela sua elevada qualidade creditícia, eles não estão imunes a riscos que podem impactar seus desempenhos, segundo o analista financeiro Atilio Garcia, da TRX Investimentos. Ele afirma que um dos principais é o risco de liquidez. Como a maioria desses fundos investe em CRIs, nem sempre são facilmente negociáveis no mercado secundário. Isso pode se tornar um problema em situações que exigem a venda rápida de ativos porque a dificuldade em encontrar compradores pode limitar a liquidez imediata do fundo.

  • Renda variável: como investir em fundos imobiliários?

Além disso, Garcia aponta que o cenário macroeconômico também influencia o desempenho desses fundos. Alterações drásticas, como aumentos inesperados nas taxas de juros ou recessões, podem prejudicar os resultados. Outro ponto a ser destacado é o risco de concentração. Embora a diversificação setorial ajude a mitigar riscos, fundos que possuem uma maior exposição a setores específicos, como infraestrutura ou incorporação imobiliária, podem se tornar vulneráveis a crises nesses segmentos.

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Assim, mesmo com uma boa diversificação, diz ele, a dependência excessiva de determinados setores pode afetar a estabilidade dos retornos. “A volatilidade nos preços das cotas dos fundos imobiliários também pode ser significativa, principalmente em momentos de instabilidade econômica. Mesmo que o fluxo de rendimentos dos ativos permaneça estável, as oscilações no valor de mercado das cotas podem impactar a percepção de valor do fundo, afetando sua valorização no curto prazo”, pontua.

A liquidez dos fundos imobiliários de crédito high grade, como o RBHG11, tende a ser menor em relação aos fundos de renda tradicionais ou fundos de papel. De acordo com Bohnert, especialista em investimentos e sócia da The Hill Capital, isso ocorre devido a algumas características específicas:

  • Composição dos ativos: fundos high grade investem principalmente em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), que possuem um mercado secundário menos ativo do que imóveis físicos, afetando sua liquidez.
  • Perfil de investidor: investidores que buscam retorno imediato geralmente preferem fundos de imóveis físicos, enquanto aqueles que priorizam segurança aceitam uma liquidez mais limitada em fundos de crédito.
  • Volume de negócios: a liquidez depende do tamanho e da movimentação do fundo. O RBHG11, por exemplo, tem menor volume de negociação em comparação a fundos que investem em imóveis em áreas valorizadas.
  • Condições de mercado: fatores como taxas de juros elevadas e percepção de risco podem reduzir a demanda por fundos de crédito, diminuindo ainda mais a liquidez.

Especialistas concordam que a expectativa é de que o fundo RBHG11 continue a manter sua performance estável, apoiado por sua diversificação e gestão conservadora. Eles explicam que a transparência na divulgação do guidance de distribuição de dividendos, aliada ao controle rigoroso das despesas, fortalece a posição do fundo no mercado.

* A matéria sofreu uma atualização nesta segunda-feira (4). Houve a substituição no ativo que ocupa a 10ª posição entre os fundos imobiliários (FIIs) campeões de dividendos para o BTCI11, que foi formado pela junção de dois fundos de crédito, o FEXC11, que constava na lista antes da atualização, e o BTCR11.

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