Com o IFIX acumulando ganhos recentes, casas de análise recalibram carteiras de FIIs e passam a priorizar qualidade, desconto patrimonial e geração consistente de renda. (Foto: Adobe Stock)
Após um início de ano positivo para os fundos de investimentos imobiliários (FIIs), fevereiro de 2026 inaugura uma fase de ajustes – e não de retirada de recursos – nas carteiras recomendadas de bancos e corretoras. Com o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) acumulando ganhos relevantes nos últimos meses, as casas recalibram o discurso e passam a privilegiar critérios mais rigorosos.
A leitura predominante aponta que o ciclo de queda da Seliccontinua sustentando o interesse estrutural pelos FIIs, mas os preços atuais exigem maior seletividade: em vez de apostar apenas no fluxo de entrada, os analistas reforçam a busca por qualidade de ativos, desconto em relação ao valor patrimonial e geração consistente de renda.
Diante disso, as casas reduzem apostas generalistas e reforçam estratégias balanceadas, combinando fundos de crédito, fundos de tijolo bem localizados e, em alguns casos, posições táticas em ativos específicos. Esse reposicionamento aparece de forma clara nas carteiras recomendadas para fevereiro.
Monte Bravo aposta em equilíbrio entre renda, ganho de capital e oportunidades
Na Monte Bravo, a estratégia para fevereiro preserva a estrutura da carteira, refletindo a avaliação de que o portfólio de FIIs já captura de forma eficiente as principais teses do atual momento do ciclo. A casa constrói uma carteira diversificada, voltada tanto para a geração de dividendosquanto para a valorização das cotas no médio prazo.
Segundo a equipe de análise, o portfólio busca “mesclar um bom dividend yield [rendimento do dividendos] com ganhos de capital”, distribuindo o risco entre diferentes estratégias. A carteira se organiza em três blocos: dividendos, ganhos de capital e oportunidades.
Na alocação prática, a Monte Bravo direciona 45% do portfólio para fundos de crédito, outros 45% para fundos de tijolo e reserva 10% para oportunidades específicas. Dentro do crédito, os FIIs de recebíveis imobiliários concentram a maior parte da exposição, com complemento em fundos de infraestrutura. Já nos fundos de tijolo, a carteira se distribui entre logística, lajes corporativas, shoppings e fundos híbridos.
Janeiro trouxe resultados expressivos para a estratégia. Enquanto o IFIXavançou 2,25%, a carteira da Monte Bravo registrou alta de 3,01%, impulsionada principalmente pelos segmentos de lajes corporativas e fundos de fundos, áreas que a casa vinha reforçando nos meses anteriores. Apesar do desempenho recente, a Monte Bravo adota uma postura mais prudente para os próximos meses.
“O mercado teve uma performance bastante positiva nos últimos meses e, com isso, temos sido mais cautelosos em nossas análises”, afirma o relatório.
A casa ainda identifica oportunidades em lajes corporativas e fundos de fundos, pois avalia que outros segmentos já negociam mais próximos de níveis justos.
BTG Pactual reforça qualidade e previsibilidade de renda
Nos fundos imobiliários (FIIs) de tijolo, o BTG escolheu aqueles com imóveis bem localizados e com maior resiliência de fluxo de caixa para a carteira de fevereiro de 2026. (Imagem: Danielle em Adobe Stock)
No BTG Pactual, a carteira recomendada de FIIs para fevereiro segue a mesma lógica de maior disciplina na alocação. O banco direciona a estratégia para fundos com gestão comprovada, ativos de qualidade e capacidade de gerar renda previsível, especialmente em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
A carteira mantém exposição relevante a fundos de recebíveis imobiliários, segmento que, na avaliação do BTG, ainda oferece uma relação risco-retorno atrativa quando estruturado de forma pulverizada e com garantias sólidas. Ao mesmo tempo, o banco seleciona com mais rigor os fundos de tijolo, com prioridade para imóveis bem localizados e com maior resiliência de fluxo de caixa.
Andbank aumenta seletividade após a recuperação do IFIX
A Andbank também adota um tom mais cauteloso após a recuperação recente do mercado. A casa reconhece o impacto positivo do ambiente de juros mais baixos sobre os fundos imobiliários, mas pondera que parte desse movimento já se reflete nos preços atuais.
Por isso, a carteira recomendada para fevereiro combina fundos de crédito com exposição seletiva a fundos de tijolo. A preferência recai sobre fundos com histórico consistente de gestão, contratos mais longos e maior previsibilidade de resultados.
Na visão da Andbank, o investidor precisa olhar além do dividend yield nominal e incorporar à análise fatores como qualidade dos ativos, estrutura de capital e potencial de valorização no médio prazo.
XP Investimentos privilegia fundamentos e diversificação
A XP Investimentos segue linha semelhante. A corretora reconhece que o cenário estrutural continua favorável para os FIIs, mas chama atenção para o efeito da valorização recente sobre as assimetrias de preço.
A carteira recomendada para fevereiro combina renda e proteção, com peso relevante em fundos de crédito de melhor qualidade e exposição seletiva a segmentos como shoppings e logística. A XP também enfatiza a diversificação dentro da classe, evitando concentração excessiva em uma única tese.
O que muda para o investidor em fevereiro
Fevereiro de 2026 marca uma fase de consolidação. Com o IFIX em níveis mais elevados, o investidor precisa olhar além do carrego imediato e incorporar análise de preço, risco e qualidade de gestão.
Os fundos imobiliários ainda podem ocupar espaço relevante na carteira de investimentos, especialmente como fonte de renda passiva e diversificação. No entanto, a escolha dos ativos passa a ter peso ainda maior.
Monte Bravo
A Monte Bravo não realizou nenhuma movimentação no portfólio .
FIIs recomendados
KIVO11 – Kilma Volkano
MCRE11 – Mauá Capital
KNCR11 – Kinea Rendimentos
KNSC11 – Kinea Securities
AFHI11 – AF Invest
KDIF11 – Kinea Infra
BTGL11 – BTG Pactual Logística
HGLG11 – CSHG Logística
LVBI11 – VBI Logístico
PVBI11 – VBI Prime Properties
JSRE11 – JS Real Estate Multigestão
XPML11 – XP Malls
HGBS11 – Hedge Brasil Shopping
TRXF11 – TRX Real Estate
RBRX11 – RBR Plus Multiestratégia
BCIA11 – Bradesco Carteira Imobiliária Ativa
BTG Pactual
O BTG escolheu os fundos que compõem a carteira de forma a equilibrar o “portfólio com fundos que tenham estratégias complementares, proporcionando, além da diversificação setorial, exposição a diferentes regiões do País”, escreveram os analistas de FIIS do banco, no relatório.
FIIs recomendados
BTCI11 – BTG Pactual Crédito Imobiliário
KNCR11 – Kinea Rendimentos
KNIP11 – Kinea Índices de Preços
MCCI11 – Maua Capital Recebíveis
RBRR11 – RBR Rendimento
RBRY11 – RBR Crédito Imobiliário
BTLG11 – BTG Pactual Logística
VILG11 – Vinci Logística
BRCO11 – Bresco Logística
PVBI11 – VBI Real Estate
BRCR11 – BTG Pactual Corporate Office
HGBS11 – Hedge Brasil Shopping
HSML11 – HSI Malls
GZIT11 – Gazit Malls
TRXF11 – TRX Real Estate
Empiricus Research
Para fevereiro, a casa sugere a desmontagem de posição no RBR High Grade (RBRR11) e alocação dos recursos no Mauá Recebíveis (MCCI11)
FIIs recomendados
BRCO11– Bresco Logística
KNRI11 – Kinea Renda Imobiliária
KNSC11 – Kinea Securities
PMLL11 – Patria Malls
MCCI11 – Mauá Capital Recebíveis Imobiliários
AndBank
O Andbank promoveu, para fevereiro, a entrada dos fundos Rio Bravo Renda Varejo (RBVA11), Vinci Logística (VILG11) e Pátria Escritórios (HGRE11).
FIIs recomendados
BTCI11 – BTG PActual
MCCI11 – Mauá Capital Recebíveis
VCJR11 – Vectis Juros Real
CPTS11 – Capitania Securities
MCRE11 – Maua Capital
TVRI11 – Tivio Renda Imobiliária
HGRE11 – Pátria Escritórios
VILG11 – Vinci Logística
BBIG11 – BB Premium Malls
RBVA11 – Rio Bravo Renda Varejo
Terra Investimentos
A carteira recomendada de FIIs da Terra passou por três mudanças em fevereiro. A corretora retirou os fundos CGHG Logistica (HGLG11), Kinea Hedge Fund (KNHF11), TRX Real Estate (TRXF11), e incluiu o Vectis Juros Real (VCJR11), HSI Mall (HSML11) e Valora Recebíveis IPCA (VGIP11).
FIIs recomendados
JSRE11 – JS Real Estate
HGRE11 – Pátria Escritórios
BODB11 – Bocaina Infra
VILG11 – Vinci Logística
CPTS11 – Capitania Securities II
RBRX11 – RBR Multiestratégia Real Estate
KCRE11 – Kinea Creditas
VCJR11 – Vectis Juros Real
HSML11 – HSI Mall
VGIP11 – Valora Recebíveis
Santander
O Santander excluiu o fundo HSML11 (HSI Malls) e incluiu Tellus Properties (TEPP11).
FIIs recomendados
MCCI11 – Mauá Capital Recebíveis
HGCR11 – Pátria Recebíveis Imobiliários
KNCR11 – Kinea Rendimentos Imobiliários
PCIP11 – Pátria Crédito Imobiliário
BTHF11 – BTG Pactual Hedge Fund
KNHF11 – Kinea Hedge Fund
XPML11 – XP Malls
BRCO11 – Bresco Logística
VILG11 – Vinci Logística
GARE11 – Guardian Real Estate
TRXF11 – TRX Real Estate
TEPP11 – Tellus Properties
BB Investimentos
Para fevereiro, o banco não realizou alterações.
FIIs recomendados
RZTR11 – Riza Terrax
GARE11 – Guardian Real Estate
KNHF11 – Kinea Hedge Fund
TRXF11 – TRX Real Estate
VGIP11 – Valora CRI Índice de Preço
RECR11 – REC Recebíveis Imobiliários
VGIR11 – Valora CRI CDI
XPCI11 – XP Crédito Imobiliário
Itaú BBA
O Itaú BBA recomenda que o investidor, em fevereiro, invista nos seguintes FIIs: