Caso o fim do benefício tributário seja aprovado, a medida terá um impacto mais significativo para os cotistas que já usufruem dos rendimentos como complemento de renda. “Quem hoje recebe R$ 1.000 em proventos passaria a receber R$ 950 a partir de 2026 (sem considerar outras alterações de mercado)”, exemplifica Carol Borges, head e analista de FIIs da EQI Research. Já para quem está na fase de construção de patrimônio, será preciso reavaliar o planejamento financeiro para entender se os aportes periódicos serão suficientes para alcançar a renda passiva desejada.
Uma simulação realizada por Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP, a pedido do E-Investidor, mostra bem essa necessidade. Com a cobrança da alíquota de 5% sobre os dividendos, será preciso desembolsar R$ 34.821,28 a mais ao longo de 10 anos para que o investidor consiga uma renda passiva de R$ 5 mil. Na prática, esse acréscimo resulta em um aumento mensal nos aportes periódicos de R$ 277,8.
A projeção de Patzlaff considera uma taxa de retorno anual em torno de 8,49%. “A perda de 5% ao mês pode parecer pequena isoladamente, mas, quando acumulada ao longo de anos, afeta o poder de reinvestimento e o efeito dos juros compostos”, diz o planejador financeiro.
Veja quanto é preciso investir por mês para ter renda passiva de R$ 5 mil com FIIs
| Aporte mensal |
Patrimônio acumulado |
Tributação |
Período de investimento |
Taxa anual |
| R$ 3.545,66 |
R$ 671.892,50 |
Isenção de IR |
10 anos |
8,93% |
| R$ 3.823,46 |
R$ 706.713,78 |
Alíquota de 5% |
10 anos |
8,49% |
| Fonte: Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP |
FIIs vão perder a atratividade?
Como mostramos nesta reportagem, a proposta, na avaliação dos especialistas, não retira a atratividade dos fundos imobiliários no mercado, dado que a renda fixa tradicional seguirá com alíquotas mais altas, na ordem de 17,5%. Além disso, a MP prevê a redução do imposto sobre o ganho de capital (quando o investidor vende a sua posição no mercado secundário e obtém lucro com a operação). O tributo passa de 20% para 17,5%, assim como os demais investimentos.
Além disso, Danilo Barbosa, sócio e head de research do Clube FII, ressalta que os fundos imobiliários continuam sendo negociados com desconto na bolsa de valores, o que potencializa o retorno final para os cotistas. “O retorno dos FIIs frente às NTNBs (títulos indexados ao IPCA+) permanece atrativo, tendo em vista o que os fundos estão pagando aos cotistas”, diz Barbosa. Vale destacar ainda que, antes de entrar em vigor, a Medida Provisória precisa receber o aval do Congresso, podendo enfrentar resistência dos parlamentares ou sofrer alterações até ser aprovada.
Veja a mudança na tributação de FIIs e Fiagros prevista pela MP do governo
| Como é hoje |
Proposta da MP |
| Isenção de IR |
Cobrança de 5% |
| Alíquota de 20% para ganho de capital |
Alíquota de 17,5% de IR para ganho de capital
|
| FII isento sobre aluguéis e CRIs |
FII isento sobre aluguéis e CRIs (não haverá bitributação)
|