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JPMorgan não se arrisca com nova regra ESG exigida para gestores

As empresas que não levam o ESG a sério podem encarar um futuro pouco animador

JPMorgan não se arrisca com nova regra ESG exigida para gestores
JPMorgan é o maior banco dos EUA (Foto: Dylan Martinez/Reuters)

A unidade de gestão de ativos do JPMorgan Chase está indo na contramão de várias outras gestoras e cumprindo voluntariamente uma nova regra da União Europeia que exige dos gestores de fundos informar seu impacto social e ambiental.

A empresa de Wall Street divulgou um comunicado com o chamado indicador de principal impacto adverso (PAI, na sigla em inglês) dela, em meio à pressão cada vez maior sobre as empresas para mostrar aos clientes da União Europeia até que ponto seus negócios estão prejudicando o meio ambiente. Como diz Mairead McGuinness, comissária de mercados e serviços financeiros da UE, as empresas que não levam o ESG a sério encaram um futuro pouco animador no bloco.

A norma do PAI, imposta em 30 de junho, foi criada para oferecer um conjunto de métricas que ajudem os clientes a comparar as gestoras de ativos operando na Europa, com base em seu impacto ESG negativo. A UE espera que o indicador seja um divisor de águas depois de as exigências ambientais, sociais e de governança anteriores se revelarem complicadas para muitos investidores finais.

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O indicador PAI foi estruturado para dar às empresas com operações menores dentro da UE alguma margem de manobra. As gestoras de ativos com menos de 500 funcionários no bloco podem divulgar apenas o impacto dos produtos financeiros que vendem. Já as empresas maiores precisam informar o chamado impacto de acordo com o nível da organização, o que significa que a pegada social e ambiental de todas as suas operações na UE têm que ser divulgadas.

A JPMorgan Asset Management emitiu uma declaração de PAI de acordo com seu nível, apesar de ter menos de 500 funcionários nas sedes dos países da UE, segundo uma análise da Morningstar. A Vanguard e a State Street, também com menos de 500 funcionários na UE, não divulgaram essas informações, de acordo com a Morningstar.

Os porta-vozes do JPMorgan, da Vanguard e da State Street não quiseram se pronunciar.

As empresas que apresentaram declarações de seus PAIs claramente têm problemas com as divulgações exigidas, segundo análises da Morningstar e da Datia, uma fintech focada na transição para as finanças sustentáveis com sede em Estocolmo.

As gestoras de ativos “estavam muito, muito interessadas em conversar e explicar os números porque estão muito, muito preocupadas com como isso poderia ser interpretado”, disse Hortense Bioy, diretora global de pesquisa de sustentabilidade da Morningstar, que falou com as gestoras nas semanas seguintes ao prazo de 30 de junho para a publicação das informações.

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E as gestoras de ativos examinando os relatórios divulgados estão achando difícil identificar uma tendência.

Há uma “diferença enorme nos dados informados”, disse Carola van Lamoen, chefe de investimento sustentável da Robeco, que apresentou uma declaração de seus impactos segundo seu nível. “A comparabilidade das diferentes declarações de PAI é limitada.”

A análise da Morningstar de oito das maiores gestoras de ativos que operam na Europa revelou “muitas variações e muitas divergências”, disse Hortense. Entretanto, provavelmente vai melhorar com o tempo, disse ela.

O que é uma declaração de PAI e o que ela exige?

– A legislação da UE define os principais impactos adversos como aqueles ligados a “decisões de investimento e assessorias que têm como consequência efeitos negativos nos fatores de sustentabilidade”.

– Os grandes participantes nos mercados financeiros operando na Europa devem apresentar um relatório sobre seus PAIs.

– Existem 14 requisitos obrigatórios dessa divulgação de informações para os investimentos em empresas, incluindo a exposição à indústria dos combustíveis fósseis, os danos causados a áreas com biodiversidade vulnerável e as disparidades salariais médias não ajustadas entre gêneros.

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– As gestoras de investimentos entregando essas declarações precisam fornecer informações que mostrem como estão lidando com esses impactos negativos.

Embora existam questões no que diz respeito à qualidade, os dados ainda podem ser usados de forma eficaz para fazer com que as empresas – principalmente as “retardatárias” – resolvam os riscos ESG, disse Dennis Haensel, chefe de consultoria ESG da unidade de investimento do Deutsche Bank, DWS Group.

“Podemos usar esses números como pontos de ação para a interação com empresas e clientes”, disse ele.

As declarações de PAI contribuem com o Regulamento de Divulgação de Finanças Sustentáveis, a legislação histórica da UE aprovada em 2021 com o objetivo de erradicar o “greenwashing” (divulgação falsa de informações de sustentabilidade) e direcionar o capital para atividades sustentáveis. E, como a maioria das demais exigências de relatórios ESG, o indicador PAI enfrenta obstáculos significativos em relação aos dados.

“Para cada gestora, foi uma espécie de voto de confiança publicar sua primeira declaração de PAI, porque isso nunca havia sido feito antes”, disse Kenneth Robertson, chefe de investimento sustentável para gestão de carteira de clientes da Robeco. “Ninguém sabia o que os outros iriam fazer.”

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A análise da Morningstar mostra que o JPMorgan divulgou emissões de gases de efeito estufa de escopo 3 de mais de 88 milhões de toneladas de equivalentes a CO2, em comparação com as 77 milhões da Amundi, a maior gestora de ativos da Europa. O JPMorgan também divulgou o maior registro de emissões para a água geradas por empresas investidas, da amostra analisada pela Morningstar.

No caso dos riscos sociais, o JPMorgan informou o menor risco de violações dos princípios do Pacto Global das Nações Unidas e das orientações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico para empresas multinacionais.

A empresa disse em um comunicado à Morningstar que está “comprometida em continuar aprimorando sua estratégia para envolver emissores soberanos em questões de ESG de teor financeiro.”

Duas das oito gestoras de ativos analisadas – a Candriam, uma unidade da New York Life Investments, e a Nordea Bank, a controladora da Nordea Asset Management – não incluíram a medida mais ampla de emissões (escopo 3) em seus dados agregados, o que levou a níveis muito mais baixos do que alguns de seus pares.

A Candriam não quis se pronunciar. Eric Pedersen, chefe de investimentos responsáveis da Nordea Asset Management, disse que é uma “questão de como você entendeu o que estava sendo solicitado a se fazer”. Ele espera que a Nordea inclua as emissões de escopo 3 nas emissões totais no futuro.

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Nem todas as gestoras de ativos estão levando as declarações tão a sério como as demais, de acordo com Nora Sandahl, chefe de sustentabilidade da Datia. Uma gestora de ativos ignorou a exigência de mostrar como está lidando com os impactos negativos de suas atividades, enquanto outra chamou a exigência desses relatórios de “inútil”, segundo Nora.

Subestimar a importância da declaração de PAI é arriscado, de acordo com Pedersen.

Embora “saibamos que não podemos confiar necessariamente em todos esses números”, a adoção de um requisito de PAI é “algo realmente grande”, afirmou.

“Eles estão nos obrigando a de fato tabular isso e garantir que tenhamos sistemas capazes de conseguir esses dados das carteiras e reuni-los”, disse Pedersen. A consequência é que uma gestora de ativos não pode depois alegar que não sabia disso, afirmou. “Não dá para dizer que não se estava a par dos dados.”