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Investimentos

Como aproveitar os juros altos para lucrar com fundos de hedge

Ao fazer a proteção cambial, esse tipo de investimento se beneficia do diferencial de juros entre os países

Por Luíza Lanza

20/05/2022 | 9:16 Atualização: 20/05/2022 | 9:16

O hedge protege os investidores das variações cambiais, reduzindo risco do investimento no exterior. (Foto: Envato)
O hedge protege os investidores das variações cambiais, reduzindo risco do investimento no exterior. (Foto: Envato)

Nos períodos em que os juros estão elevados, como o atual, os investidores costumam ir para a renda fixa. Com a Selic em 12,75% ao ano, o movimento é uma tentativa de proteger a carteira da volatilidade, priorizando ativos de menor risco que remuneram um prêmio maior, dado o atual patamar da taxa.

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Mas, correndo pelas beiradas e muitas vezes longe do radar dos investidores, há uma classe de ativos na renda variável que também pode se beneficiar do cenário.

Os fundos de investimentos internacionais com hedge – ou simplesmente fundos hedgeados – oferecem ao investidor uma exposição a diferentes tipos de ativos no exterior sem as variações cambiais comuns aos investimentos internacionais. Na prática, o hedge funciona como uma ferramenta a mais de proteção da carteira, mas paralelamente acaba beneficiado pela alta de juros no Brasil.

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Isso acontece porque, ao fazer a operação de proteção cambial, os gestores dos fundos hedgeados precisam trazer os contratos futuros das moedas utilizadas na operação para o valor presente, um cálculo feito a partir das taxas de juros de cada país. Dessa conta surge um diferencial que é “carregado” pelo fundo junto ao retorno dos ativos investidos.

Um exemplo: um fundo hedgeado que investe nos Estados Unidos protege o investidor brasileiro das oscilações de câmbio entre o dólar e o real. Por outro lado, surfa no grande diferencial de juros que os dois países têm. Enquanto no Brasil a taxa está em 12,75% ao ano, nos EUA, os juros estão em 0,75% – uma diferença que já coloca o investimento 12% no positivo.

“O investidor que está avesso ao risco e quer investir em renda fixa, tem duas boas opções para isso: a renda fixa local ou a renda fixa internacional hedgeada”, avalia Bernardo Queima, CEO da Gama Investimentos.

O especialista destaca a previsão de juros no curto prazo até o fim do ano: mesmo com a piora nas previsões monetárias dos EUA, onde os mais pessimistas já preveem uma taxa de 3% ainda em 2022, no Brasil os juros devem encerrar o ano perto dos 13%.

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“Ainda estamos falando de 10 pontos percentuais de diferença. Se olharmos para a Europa, o diferencial é ainda maior já que os bancos centrais por lá ainda não iniciaram a alta de juros. Para o investidor brasileiro, é como se ele tivesse o retorno do CDI + a rentabilidade que o fundo está lá fora”, explica Queima.

Ernesto Leme, diretor comercial e membro do Comitê Executivo da Claritas, vai além. Mesmo no longo prazo, olhando para a curva de juros de dez anos, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos ainda torna os fundos hedgeados atrativos. “Quando olhamos para um período de dez anos, vemos que os treasuries americano, hoje, estão em 2,8%; enquanto a taxa de 10 anos do Brasil está um pouco acima de 12%. Esse diferencial, mesmo no longo prazo, se mantém”, diz.

Por que hedgear?

O hedge cambial é uma ferramenta muito utilizada no mercado para anular a variação entre o real e outras moedas, de forma que uma possível desvalorização do ativo brasileiro não afete a rentabilidade do investimento. Nada mais do que uma tentativa de proteger a carteira do investidor. Mas vale sempre a pena?

Dá para olhar por diferentes lados, a depender da expectativa do investidor quanto à trajetória do câmbio e o seu apetite ao risco. “O hedge neutraliza o investimento e isso tem um lado positivo e um negativo. Se o dólar se valoriza e o fundo não é hedgeado, o investidor acaba ganhando mais. Mas o contrário também é verdadeiro. Se o real se fortalecer, parte da rentabilidade fica na mesa”, pontua Luiz Cesta, chefe de análise na Monett.

Com diversos fatores macroeconômicos influenciando a trajetória do mercado, a volatilidade do câmbio deve continuar em 2022. Para Cesta, a valorização do real frente ao dólar vista nos primeiros meses do ano não deve se repetir. Por isso, é preciso pensar bem antes de optar pelo hedge. “Como a minha expectativa é de volatilidade, com eleições aqui, crise na China, guerra na Rússia e uma escalada de juros nos EUA, a minha impressão é que o dólar pode se valorizar ainda mais frente ao real. O fundo hedgeado pode te deixar fora disso”, explica.

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Por outro lado, os fundos hedgeados podem funcionar como uma boa opção para os investidores mais conservadores, que preferem deixar as carteiras o mais protegidas possível. Por isso, para Bernardo Queima, da Gama, eles funcionam como uma maneira de manter a diversificação internacional, mesmo em períodos de volatilidade.

“Não necessariamente o investidor quer ter exposição a uma moeda forte na carteira. Tem boas oportunidades lá fora para fazer essa diversificação sem o risco cambial. Se a volatilidade está tirando o sono das pessoas – e com razão, porque está demais – olhar para os fundos hedgeados pode trazer uma diversificação que vai deixar os portfólios mais robustos”, afirma.

Antes de entrar nesse tipo de investimento, os investidores precisam ficar atentos às taxas de administração dos fundos e fazer uma boa escolha dos gestores e casas em questão. Mas, fora isso, a perspectiva segue positiva para quem quer aproveitar a alta nos juros para se expor a mercados internacionais sem os riscos tradicionais dos investimentos em bolsa.

“Sem dúvidas é uma oportunidade de diversificar e acessar setores que ainda não são muito desenvolvidos aqui no Brasil. Quanto mais diversificado você está, mais protegido está o seu investimento, por isso gostamos de ativos hedgeados lá fora”, diz Leme, da Claritas.

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