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Investimentos

Minério a US$ 110 por tonelada é euforia? Genial vê alta passageira e alerta investidores

Recente valorização da commodity reflete fatores técnicos e cíclicos, enquanto os fundamentos, especialmente na China, seguem frágeis e limitam a sustentação dos preços, diz corretora

Por Isabela Ortiz

13/01/2026 | 12:11 Atualização: 13/01/2026 | 12:11

Navios carregados de minério de ferro em porto chinês: estoques elevados e demanda fraca por aço reforçam a visão cautelosa da Genial sobre os preços. (Foto: Adobe Stock)
Navios carregados de minério de ferro em porto chinês: estoques elevados e demanda fraca por aço reforçam a visão cautelosa da Genial sobre os preços. (Foto: Adobe Stock)

A recente escalada do minério de ferro para US$ 110 por tonelada reacendeu o debate do mercado: trata-se de um movimento sustentado por fundamentos ou apenas mais um episódio de euforia de curto prazo? Na leitura da Genial Investimentos, a resposta tende mais para a segunda alternativa.

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No relatório mais recente, a casa avalia que, apesar da resiliência do preço spto (transação para liquidação imediata) os fundamentos do mercado de minério de ferro e aço seguem estruturalmente frágeis, sobretudo quando se observa a dinâmica da China, principal polo de demanda global.

Segundo os analistas, “os fundamentos continuam fracos, apesar da recente resiliência nos preços spto“, um descompasso que já acende um sinal de alerta para investidores.

Do lado da oferta, o quadro é de abundância

Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses chegaram a 136,5 milhões de toneladas, patamar 14% acima da média dos últimos cinco anos. Esse acúmulo reflete a combinação de embarques ainda robustos das grandes mineradoras e uma demanda que não reage na mesma intensidade.

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Embora parte desse movimento tenha caráter sazonal, com recomposição de estoques antes do Ano Novo Lunar, a Genial observa que o padrão atual parece “cada vez mais desalinhado com o ritmo anêmico do consumo de aço”.

A fragilidade do lado da demanda, por sua vez, vai além de fatores pontuais. Os dados mais recentes mostram que a produção de aço bruto da China caiu 11% na comparação anual em novembro, aprofundando a contração observada ao longo de 2025.

No acumulado de janeiro a novembro, a queda foi de 4%, reforçando a avaliação de que não se trata de um ajuste temporário. A taxa de utilização dos altos-fornos recuou para 88%, enquanto a rentabilidade das usinas segue pressionada: margens de vergalhão voltaram ao território negativo e o aço laminado a quente (HRC) opera próximo do ponto de equilíbrio.

Estoques de aço acabado permanecem elevados

Mesmo com cortes mais profundos na produção, os estoques de aço acabado permanecem elevados, evidenciando um desequilíbrio persistente entre oferta e demanda. Na visão da Genial, esse quadro é alimentado por três vetores principais:

  • Crise prolongada do setor imobiliário chinês;
  • Atividade pouco estimulante em infraestrutura; e
  • Potencial limitado da demanda industrial.
“Esperamos que esses fatores continuem a prejudicar o consumo de aço na China ao longo de 2026”, afirma a casa.

É nesse contexto que o avanço recente do minério (cerca de 10% em dois meses, levando o preço para perto de US$ 110/t) precisa ser interpretado.

Para a Genial, a alta tem caráter cíclico e transitório, sustentada por elementos de curto prazo. Entre eles, a reposição de estoques antes do feriado, os ventos favoráveis do câmbio (com o yuan mais fraco frente ao dólar) e o posicionamento especulativo nos mercados futuros.

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Esses fatores, no entanto, “não alteram os fundamentos instáveis” do setor.

A influência do cenário macro chinês

Apesar de alguma melhora marginal nos indicadores, a recuperação segue desigual. O índice de preços ao consumidor (CPI) acelerou para 0,8% ao ano, impulsionado basicamente pelos alimentos, enquanto a inflação subjacente permanece moderada.

Já o índice de preços ao produtor (PPI) continua em território deflacionário pelo terceiro ano consecutivo, refletindo excesso de capacidade e demanda interna fraca.

Mesmo os Índices de Gerentes de Compras (PMIs), que voltaram pontualmente à zona de expansão, são vistos pela Genial como sinais incipientes, e não como evidência de uma retomada robusta.

Diante desse pano de fundo, a casa mantém uma visão mais conservadora para os preços do minério de ferro. A projeção média para 2026 é de US$ 95 por tonelada, abaixo tanto do nível atual quanto do consenso de mercado, que gira entre US$ 100 e US$ 105.

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“A resiliência atual dos preços é amplamente cíclica e transitória”, reforça o relatório, citando estoques elevados, demanda fraca por aço e oferta abundante como âncoras negativas.

Mais adiante na curva, a Genial revisou levemente para cima sua estimativa para 2027, para US$ 90/t, reconhecendo que o aumento da oferta global (especialmente com projetos como Simandou) deve ocorrer de forma mais gradual.

Ainda assim, a perspectiva de médio prazo segue inclinada para baixo, à medida que esses novos volumes ganhem tração e a desaceleração estrutural da demanda chinesa se consolide.

O preço do minério de ferro a US$ 110 por tonelada parece ter mais a ver com expectativas e fatores técnicos do que com uma mudança efetiva nos fundamentos. Para o investidor, a Genial orienta que sem uma recuperação mais consistente da demanda por aço na China, especialmente fora do setor imobiliário, a sustentação desse patamar de preços tende a ser limitada e a volatilidade, a regra.

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