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Investimentos

Petrobras (PETR4) cai mais de 20 posições e impacta dividendos globais; veja ranking

Estatal brasileira é uma das 5 empresas a limitar recorde de dividendos globais em 2023, mostra Janus Henderson

Por Luíza Lanza

13/03/2024 | 1:00 Atualização: 14/03/2024 | 15:03

(Foto: Adobe Stock)
(Foto: Adobe Stock)

A quantia paga por companhias de capital aberto em dividendos bateu o recorde de US$ 1,66 trilhão em 2023, uma alta de 5,6% em relação ao ano anterior. O montante poderia ser maior dado que 86% das empresas globais aumentaram ou mantiveram seus níveis de remuneração ao investidor, mas os cortes de 5 nomes ajudaram a limitar o crescimento anual dos proventos em 2 pontos percentuais: as mineradoras BHP e Rio Tinto, a telecom AT&T, a tech Intel e a petrolífera brasileira Petrobras (PETR4).

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Os dados são da 41ª edição do Janus Henderson Global Dividend Index, ranking divulgado nesta quarta-feira (13) e enviado em primeira mão ao E-Investidor.

Os cortes nos dividendos da Petrobras (PETR4) são o assunto da semana no mercado brasileiro, desde que a estatal divulgou seu balanço referente ao 4º trimestre de 2023, com a decisão de não pagamento de dividendos extraordinários ao se ater aos 45% do fluxo de caixa livre (FCL) definidos como pagamento mínimo estabelecido pela Política de Remuneração aos Acionistas.

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Segundo a Janus, a Petrobras distribuiu US$ 10,0 bilhões a menos a seus acionistas na comparação anual. Se em 2022 a companhia estava no posto de segunda maior pagadora de dividendos do mundo, em 2023, caiu para a 25ª posição.

E não foi só a estatal que prejudicou os resultados brasileiros na 41ª edição do ranking da Janus Henderson. A Vale (VALE3) também teve um corte anual de US$ 1,2 bilhão em sua distribuição, o que somado a uma redução de proventos na Ambev (ABEV3) praticamente anulou o crescimento dos dividendos dos bancos no País. Esse impacto fez o Brasil ser a nação mais fraca no índice em 2023, com os resultados reduzidos em dois quintos na base nominal, diz o relatório.

Recordes pelo mundo

Apesar da queda do Brasil ter limitado o crescimento dos dividendos entre os mercados emergentes, nas outras regiões, 2023 foi um ano recorde. Ao todo, 22 países viram suas companhias remunerarem seus acionistas como nunca, incluindo os Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Itália, o Canadá e o México.

Os EUA deram a contribuição mais significativa para o crescimento global dos dividendos no último ano, com as empresas americanas distribuindo um recorde de US$ 602,1 bilhões em 2023. “Os dividendos dos EUA têm crescido todos os anos desde 2011, mesmo durante a pandemia, e são agora três vezes maiores do que em 2010. O crescimento dos dividendos nos EUA tem sido aproximadamente duas vezes mais rápido que o do resto do mundo desde logo após a crise financeira global”, pontua o relatório da Janus.

É do país, inclusive, a maior pagadora de proventos do mundo, a Microsoft (MSFT34).

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Mas, em termos de crescimento, o destaque mesmo da 41ª edição do JHGDI foi a Europa. Excluindo o Reino Unido, a região foi responsável por dois quintos do aumento global de proventos em 2023, ao aumentar seus resultados em 17,6% para o recorde de US$ 300,7 bilhões.

“Moedas europeias mais fortes e grandes dividendos especiais da Volkswagen, Equinor e Moller-Maersk, entre outros, impulsionaram a taxa de crescimento”, informa o documento. “Três décimos do crescimento na Europa vieram apenas dos bancos, mas houve uma forte contribuição de uma série de setores, incluindo industriais, automóveis, produtores de petróleo e cuidados de saúde.”

Na China, os resultados foram mais fracos: dois terços das empresas chinesas cortaram dividendos na comparação anual, refletindo os desafios econômicos do país. Ainda assim, três companhias chinesas figuram na lista de 10 maiores pagadoras de proventos do mundo – duas delas, a China Construction Bank e a Petrochina foram responsáveis por metade do valor pago a investidores por empresas chinesas.

Veja o ranking:

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O que esperar de 2024

Para 2024, a Janus tem uma projeção positiva: um novo recorde de dividendos global na casa de US$ 1,72 trilhão. Se confirmado, seria equivalente a um crescimento de 3,9%.

O entendimento da gestora é que o pessimismo em relação à economia global em 2023 acabou se revelando infundado e, embora as perspectivas deste ano ainda sejam incertas, os dividendos parecem bem sustentados. Ben Lofthouse, head de renda variável global da Janus, destaca ainda que os proventos têm se mostrado historicamente mais resistentes que os lucros.

"O ritmo acelerado de crescimento dos dividendos nos EUA no quarto trimestre é um bom augúrio para todo o ano, as empresas japonesas iniciaram um processo de devolução de mais capital aos acionistas, parece provável que a Ásia aumente e os dividendos na Europa estão bem sustentados", diz Lofthouse no relatório.

Além disso, segundo o executivo, do ponto de vista setorial, embora o rápido crescimento que tem sido observado nos bancos em todo o mundo vá abrandar este ano, os rápidos declínios do setor minerador também deverão ter um impacto menor. "Esperamos, portanto, que 2024 proporcione um crescimento subjacente semelhante ao de 2023."

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