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Investimentos

Por que os ajustes da taxa Selic afetam os investimentos

A taxa básica de juros impacta de forma geral os investimentos do País, tanto a renda fixa quanto as ações

Por Lara Castelo

02/08/2023 | 20:04 Atualização: 03/08/2023 | 10:30

(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela influencia as taxas de juros de todo o País e é utilizada pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação. Nesta quarta-feira (2), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a Selic em 0,50 ponto porcentual. Depois de um ano estagnada em 13,75%, a taxa básica de juros do Brasil caiu para 13,25%. Mas, o que isso significa para os seus investimentos?

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Rachel de Sá, chefe de economia da Rico Investimentos, explica que por ser a referência de todas as taxas de juros na economia, a Selic impacta de forma geral os investimentos do País, tanto a renda fixa quanto as ações. O E-Investidor conversou com analistas do mercado e sintetizou os principais impactos do corte da taxa básica de juros por categorias de investimentos. Confira:

Renda fixa

A renda fixa é parte importante do portfólio de todo o investidor e é caracterizada por ter menos riscos que a renda variável. Todo o investimento é um empréstimo em troca de um valor e, no caso da renda fixa, quem toma esse empréstimo são instituições com pouquíssimas chances de calote como o governo e os bancos, por isso o baixo risco.

Dentro dessa modalidade, há alguns modelos de rendimento disponíveis: pós e prefixados, além dos híbridos. Cada um deles sente o corte da Selic de uma maneira diferente.

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1.Pós-fixados

Os investidores que optam por essa categoria só saberão o rendimento do seu investimento no dia do resgate, porque ele é anexado a índices variáveis como a Selic, o CDI (Certificados de Depósitos Interbancários, que anda lado a lado com a Selic). Aqueles que estão anexados à Selic ou ao CDI estão na linha de frente dos impactos do corte dos juros, por terem seu rendimento diretamente ligados a ele.

“Se, por exemplo, o investidor tem uma aplicação no Tesouro Selic que estava rendendo 13,75% ao ano, a partir de agora, ela vai render 13,25% a.a” explica Rachel de Sá.

Apesar disso, os títulos pós-fixados continuam sendo atrativos, segundo Victor Beyruti, economista da Guide Investimento. “Pelos seus baixos riscos e por a Selic se manter alta e, segundo nossas projeções, terminar o ano em torno de 12% a.a. esses investimentos continuam sendo recomendados”.

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2. Prefixados e híbridos

Os prefixados, conforme o nome indica, já têm o valor do rendimento definido desde o início, ou seja, não são influenciados diretamente pela variação de indexadores externos, como a Selic ou o CDI. O rendimento desses títulos está ligado às expectativas do mercado em relação aos juros futuros, representadas pela curva de juros. Quando as expectativas dos juros futuros caem, os títulos prefixados existentes tendem a se valorizar.

“Por isso, o mais importante para essa categoria é o tom do Copom, que, no caso, sinalizou que os próximos cortes estão próximos, o que deve dar uma fechada na curva de juros futuros, fazendo com que os títulos prefixados existentes se valorizem” explica Rachel de Sá.

Quanto aos híbridos, que têm o rendimento parte atrelado a um índice ligado à inflação, parte já definida no início, os impactos seguirão as duas linhas.

Renda variável

Essa é a classe de investimentos mais beneficiada com o corte dos juros. Quanto mais baixos os juros, maior a atratividade dos ativos de risco, como as ações e os fundos imobiliários. Isso se explica por alguns motivos:

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Econômico: Com o corte da Selic, o governo está diminuindo o freio sobre a circulação de moeda e sobre a atividade econômica. Com o aquecimento da economia e do consumo, as empresas tendem a crescer.

Financeiro: Com a queda dos juros, fica mais fácil buscar crédito e as dívidas das empresas normalmente ficam mais baratas.

Atratividade: Com os juros elevados, as vantagens de se investir em ativos de renda fixa aumentam, por isso, com a queda da Selic, o interesse do investidor pelos ativos de risco, que oferecem maior rendimento, devem aumentar. “Para você correr o risco de colocar em ações com menos segurança, o trade-off (custo de escolha) tem que valer a pena”, diz Rachel de Sá.

Valor justo: O valor justo de uma empresa é calculado pelos fluxos de caixa futuros a valor presente, obtido a partir do desconto da taxa de juros, segundo Alexandre Espírito Santo, economista chefe da Órama Investimentos. Por isso, quanto menor a taxa de juros, maior o valor justo desses ativos.

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