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Investimentos

Poupança: rentabilidade atinge maior nível desde 2016. Agora vale investir?

A poupança é o investimento mais popular entre os brasileiros e costuma ser o menos rentável do mercado

Poupança: rentabilidade atinge maior nível desde 2016. Agora vale investir?
Caderneta de poupança é o investimento mais acessível para os brasileiros (Foto: Envato Elements)
  • Segundo uma simulação do C6 Bank, a rentabilidade da poupança ficou bem próxima dos retornos líquidos do Tesouro Selic e CDBs
  • Os ganhos do investimento mais popular entre os brasileiros se devem à taxa referencial que acumula nos últimos 12 meses uma alta de 1,9%
  • Com o atual desempenho, a poupança atinge o seu maior patamar desde 2016, segundo um levantamento da Economatica

Os títulos do Tesouro Selic e os CDBs são os investimentos mais recomendados pelos analistas para quem busca construir a sua reserva de emergência. A segurança e a liquidez diária que possibilita o resgate a qualquer momento tornam os ativos mais adequados a essa necessidade. No entanto, a incidência do Imposto de Renda (IR) reduz a rentabilidade líquida no curto prazo ao ponto de o retorno ficar similar ao da poupança, taxado como o pior investimento do mercado.

Segundo uma simulação do C6 Bank, enviado ao E-Investidor, a poupança acumula uma rentabilidade de 8,07% em 2023. Já os rendimentos brutos do CDB 104% do CDI e do Tesouro Selic 2026 entregam retorno de 10,84% e de 10,56%, respectivamente, em um ano. Mas quando descontamos a incidência do Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos, a rentabilidade cai para 8,5% no Tesouro Selic e 8,94% no CDB. (Confira na tabela abaixo)

A boa notícia é que os ganhos com pouca diferença da poupança não retiram a atratividade do CDB e do Tesouro Selic. Segundo Wellington Gonçalves, analista da Ágora Investimentos, os ativos exercem um papel importante na carteira dos investidores que pretendem construir uma reserva de emergência. “O Tesouro Selic, por exemplo, é o produto mais conservador que existe no mercado e não tem volatilidade porque acompanha diretamente a Selic”, afirma.

O investidor ainda consegue ampliar os ganhos se utilizar o tempo a seu favor. “A partir de dois anos, o efeito do imposto de renda reduz (devido à regressão do percentual da alíquota do IR) e a rentabilidade aumenta”, cita Gonçalves. Segundo a simulação do C6 Bank, se olharmos para o intervalo de investimento de cinco anos, a rentabilidade líquida do Tesouro Selic e do CDB 104% do CDI chega a 56,6% e 57,9%, respectivamente. Ou seja, uma diferença de quase 10 pontos porcentuais.

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Mas se o foco for curto prazo, as letras de crédito LCI e LCA e as debêntures incentivadas são as grandes campeãs, com  10% em um ano e de 20% em dois anos. Além da rentabilidade, no caso das LCIs e LCAs, há um atrativo a mais: os ativos contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira. Por outro lado, os ganhos mais elevados costumam ser acompanhados por riscos maiores em relação aos investimentos tradicionais.

No caso das letras de crédito, o maior está no emissor da dívida e, por essa razão, os analistas recomendam avaliar a situação financeira da empresa responsável pela emissão do LCI ou LCA e entender a finalidade do dinheiro levantado com a emissão da dívida antes de investir.

No caso das debêntures, além do risco de crédito do emissor, temos o risco de mercado, que pode influenciar na precificação do papel (para cima ou para baixo) por conta da marcação a mercado”, diz Rodrigo Caetano, analista da Toro Investimentos.

Por que o rendimento da poupança subiu?

A atual rentabilidade da poupança é a maior desde 2016, quando entregou aos brasileiros um retorno de 8,30%, segundo um levantamento da Economatica. O desempenho se deve à Taxa Referencial (TR) que, no acumulado dos últimos 12 meses, atingiu um patamar de 1,9%. Graças a esse percentual, o retorno da caderneta chegou a 8,07%, enquanto no mesmo período do ano passado a rentabilidade era de 7,83%. Conhecida como a taxa de juros de referência, o percentual de pagamento da TR também é influenciada pelo movimento da Selic, a taxa básica de juros, assim como ocorre com as outras classes de ativos.

“A origem da TR vem da Taxa Básica Financeira (TBF) que possui uma sinergia positiva com a Selic. Ou seja, quando a Selic sobe, a TBF acompanha; se a Selic cair, a TBF também cai”, explica Larissa Frias, planejadora financeira do C6 Bank. Como a taxa básica de juros permaneceu por um ano cravada a 13,75% ao ano, e ainda está em um patamar de dois dígitos, o percentual da TR também alcançou níveis elevados.

Desde dezembro de 2021, a taxa referencial permaneceu como a única variável capaz de mudar a rentabilidade da poupança devido ao ciclo de aperto monetário no mercado brasileiro. Isso acontece devido às regras de rentabilidade da poupança definidas pelo Banco Central (BC) em 2012.

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Segundo o BC, o rendimento da poupança permanece fixado a 0,5% ao mês nos períodos em que a Selic estiver acima dos 8,5% ao ano mais o pagamento da taxa referencial. Em um cenário em que a Selic estiver abaixo dos 8,5%, a rentabilidade muda e passa a corresponder a 70% da taxa básica de juros mais o acréscimo da taxa referencial.

No entanto, com a perspectiva de novos cortes da Selic, a rentabilidade da poupança não deve permanecer nesse patamar por muito tempo já que os cálculos da TR possuem influência da taxa básica de juros. “A nossa previsão é que a SELIC chegue a 9,25% no fim de 2024. Então, a tendência é que a rentabilidade continue caindo”, diz Frias. A projeção do C6 Bank é a mesma do Boletim Focus publicado nesta segunda-feira (11).

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