O Tesouro Selic é um título público oferecido pelo Tesouro Direto, plataforma utilizada pelo Tesouro Nacional para vender papéis a investidores. Na prática, ao comprar um título público, os investidores emprestam dinheiro para o governo e recebem rendimentos em troca. No caso do Tesouro Selic, esses rendimentos estão atrelados à taxa Selic, que se encontra hoje em 15% ao ano.
Apesar de reduções previstas para os próximos meses, a Selic deve chegar em dezembro ainda em dois dígitos, no patamar de 12,25% ao ano, segundo as estimativas mais atuais compiladas pelo Boletim Focus, do Banco Central (BC).
“É a melhor escolha para começar a investir porque é um papel com liquidez diária, segue a Selic, e é garantido pelo Tesouro Nacional”, afirma Patzlaff. A liquidez diária citada pelo especialista é a possibilidade de resgatar o dinheiro investido rapidamente, no prazo de 1 dia.
Além disso, essa modalidade de título é pouco afetada pela chamada marcação a mercado, termo usado para descrever as oscilações positivas ou negativas no preço dos ativos conforme mudam as perspectivas econômicas. Em outras categorias, caso do Tesouro IPCA+ (atrelado à inflação) e prefixados (taxa “fixa” anual), essas oscilações podem causar perdas ou ganhos relevantes aos investidores que pretendem resgatar os títulos antes do vencimento.
Como juntar R$ 15 mil com o Tesouro Selic
Para juntar R$ 15 mil até dezembro de 2026, por exemplo, seria necessário investir cerca de R$ 1,1 mil por mês no Tesouro Selic, segundo cálculos de Patzlaff com rendimentos de 1% ao mês, já considerando os esperados cortes nos juros. Seguindo essa projeção, o Tesouro Selic renderia R$ 876 em juros.
Se o valor mensal do investimento ainda parece muito, é possível alongar o prazo para o alcance desse objetivo financeiro. Contudo, para formar qualquer tipo de reserva financeira, é necessário poupar e isto pressupõe ajustes no orçamento pessoal. “Para quem está começando agora ou saindo das dívidas, o melhor valor é aquele que você consegue manter todo mês, mesmo que seja apenas 1% do salário”, afirma Patzlaff.
Para quem um custo de vida muito alto em comparação ao salário disponível, o primeiro passo é anotar tudo o que ganha e o que gasta e entender onde estão os maiores gargalos da vida financeira. Depois, o especialista recomenda a aplicação de um método chamado “50/30/20”. Ou seja, 50% da renda para contas essenciais, 30% para lazer e 20% para investimentos.
“O importante é pensar no futuro e, assim que o salário cair, já separar o valor para os investimentos. Se deixar para investir o que sobra no fim do mês, nunca sobrará nada”, diz Patzlaff.
Tenho muitas dívidas: e agora?
Se você tem dívidas que enforcam o salário, é preciso dar um passo para trás antes de definir quanto poupar por mês. Nayra Sombra, planejadora financeira CFP da Planejar, aponta algumas opções para quem está com o orçamento enrolado por débitos.
Em primeiro lugar, é necessário parar de gerar novas dívidas. Entender para onde está indo o maior fluxo de dinheiro e como estancar essa despesa. Depois, substituir dívidas “caras”, com juros maiores, por dívidas baratas, com juros menores. Por exemplo, contratar um crédito consignado ou crédito pessoal com garantia para pagar as parcelas atrasadas do cartão de crédito, que geralmente possuem níveis de juros bastante elevados.
“Já acompanhei famílias que pagavam mais de R$ 1.200 por mês só em juros no cartão. Após a troca por uma linha mais barata, a parcela caiu para R$ 800, liberando R$ 400 por mês, que passaram a ser direcionados para a reserva de emergência”, afirma Sombra.
Outro ponto a se considerar é o possível alongamento da dívida, isto é, negociar para diminuir as parcelas a serem pagas. “Pensando em estratégias de curto prazo que permitam trazer clareza de decisão, é sempre mais saudável alongar as dividas (48 ou 60 meses)”, diz Beny Fard, especialista em investimentos e finanças.
No final, a orientação universal é não fugir do problema e encarar as finanças. “Quando a pessoa sabe exatamente quanto precisa juntar no mês e quanto precisa “fazer” por dia, o dinheiro deixa de ser um sonho distante e vira algo visível”, diz Milene Dellatore, especialista em investimentos e finanças e diretora da MIDE Mesa Proprietária.