Em relatório enviado em primeira mão ao E-Investidor, o time de research da corretora explica o que levou a essa atualização na avaliação da renda fixa global. Os motivos são vários: possibilidade de uma crise bancária, inflação ainda persistente nos Estados Unidos e volatilidade maior em ativos cujo perfil é majoritariamente prefixado.
O documento mostra que o principal índice de volatilidade implícita do mercado de títulos de renda fixa americano, o índice ICE BofA MOVE, atingiu níveis superiores ao do início da pandemia no começo de 2020, chegando próximo aos patamares da crise financeira de 2008. A diferença em relação aos dois períodos, no entanto, é que a solução à época foi reduzir a taxa de juros a zero, já que não havia em ambos os casos maiores riscos inflacionários.
O cenário atual já é diferente – por isso, faz os especialistas Rodrigo Sgavioli, Camilla Dolle, Francisco Nobre e Clara Sodré, autores do relatório, acreditarem em juros mais altos por mais tempo.
O relatório mostra que a remuneração média dos títulos corporativos americanos no “yield to worst” – que seria o rendimento do ativo no pior cenário sem considerar o caso de default – está em 6,4%. Muito acima da média dos últimos 10 anos, de 1,7%.
Ainda que a alta nas taxas de juros signifique um retorno mais expressivo, o patamar dos yields representa também um risco proporcional.
E é por isso que a XP defende a cautela no momento. “Importante salientar que, quando o mercado precifica os ativos com preços muito baixos, ou seja, com taxas mais elevadas, é porque há aumento de riscos que podem ser de prazo, liquidez e de crédito. Como todos esses riscos não estão nada óbvios no momento atual, sugerimos ainda cautela nas alocações.”
As recomendações da XP
Com o call de cautela para a renda fixa global, o relatório da XP traz algumas recomendações para investidores que quiserem investir nesses ativos. São estratégias para melhorar a eficiência nas alocações durante esse momento de incertezas.
A primeira delas é dar preferência a títulos de baixo risco, como os treasuries ou títulos privados considerados investment grade. Para quem for escolher os bonds, é importante ser seletivo na hora de escolher a empresa emissora e o setor em que ela se encontra, evitando aqueles que dependam de ciclos econômicos favoráveis.
Diversificar ao máximo a exposição para não concentrar a carteira em apenas um ou dois títulos ou fundos de renda fixa global também pode ser uma estratégia, segundo a XP. Para quem optar pela alocação via fundos, a preferência do time da corretora são aqueles com características de multiestratégia, que não estejam obrigatoriamente mais alocados em títulos high yield e de mercados emergentes.
Em relação a prazos de vencimento, a recomendação da corretora é evitar os “riscos desnecessários” de ativos com duração mais longa, especialmente tendo em vista que títulos de prazos mais curtos podem estar pagando a mesma rentabilidade.
Alocação via fundos
O relatório da XP reforça ainda um outro ponto: a alocação via fundos de renda fixa no lugar de comprar separadamente os títulos. Com gestão ativa, essa classe de ativos consegue apresentar maior eficiência e relação risco versus retorno se comparado ao investimento passivo ou via índice.
A corretora dá destaque a 5 ativos:
- Axa WF US High Yield Bonds Advisory
CNPJ: 35142453000137
Tipo de estratégia: Renda Fixa High Yield
Retorno: 3,83%
- Morgan Stanley Global Fixed Income Advisory
CNPJ: 32756019000159
Tipo de estratégia: Renda Fixa Aggregate
Retorno: 3,62%
- Oaktree Global Credit FIC FIM IE
CNPJ: 29853005000149
Tipo de estratégia: Renda Fixa High Yield
Retorno: 7,09%
CNPJ: 23729512000199
Tipo de estratégia: Renda Fixa Flexible Bonds
Retorno: 5,13%
- Wellington Opportunistic Fixed Income Advisory
CNPJ: 45018274000146
Tipo de estratégia: Renda Fixa High Yield
Retorno: 9,62%