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Investimentos

O que fazer com papéis de varejistas após crédito de R$ 1,9 bilhão

Corretoras avaliam Renner, Via Varejo e Hering, que receberam benefício tributário

Por Jenne Andrade

22/05/2020 | 7:00 Atualização: 22/05/2020 | 8:44

Foto: Pixabay
Foto: Pixabay

Após anos de cobrança indevida de ICMS, as varejistas Renner, Via Varejo e Hering receberam na justiça o direito a crédito tributário no valor total de R$ 1,9 bilhão. As decisões favoráveis aconteceram ao longo dessa semana e os recursos, apesar de não irem direito para os caixas das empresas, poderão ser abatidos nos pagamentos de impostos.

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A notícia elevou os ânimos dos investidores, já que o setor foi bastante impactado pela crise do coronavírus e créditos extras podem injetar liquidez no mercado. Dentre as varejistas, a Renner foi a que recebeu o maior valor, de R$ 1,3 bilhão, em decisão anunciada ainda na segunda-feira (18). Com isso, as ações da empresa saltaram 1,6% no dia.

O mesmo aconteceu com a Via Varejo, que viu suas ações subirem 4,7% após o anúncio do valor de R$ 374 milhões. Na terça-feira à noite (19), foi a vez da Hering anunciar vitória no processo e crédito concedido de R$ 280 milhões junto à Receita Federal. Na manhã seguinte, os papéis do grupo têxtil tiveram forte alta, que chegou ao pico de 11,7%.

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Entretanto, apesar de positivas, as concessões de crédito não influenciam nas análises das empresas. De acordo com os especialistas ouvidos pelo E-investidor, os valores não representam uma mudança significativa no médio e longo prazo e a principal recomendação para os investidores continua a mesma: buscar companhias sólidas, que possam enfrentar melhor a crise.

Renner é unanimidade em recomendações de compra

Segundo os analistas da Ágora, Ativa, Guide e Toro, as ações das Lojas Renner (LREN3) são de alta qualidade e seguem liderando as recomendação de compra, apesar da queda de 94% no lucro líquido da empresa no primeiro trimestre devido ao fechamento de lojas. Os principais motivos são o histórico de solidez da empresa e o bom desempenho em e-commerce.

“Apesar de ter bastante loja física, a Renner tem um comércio eletrônico forte e uma operação muito sólida. Os papéis estão na nossa carteira recomendada para maio.” (Flávia Meireles, analista de research da Ágora Investimentos)

“A capacidade de geração de caixa da Renner pesa mais na recomendação que o crédito tributário. Hoje, a varejista é nossa maior indicação em vestuário, pela empresa ser bem desenvolta, com operação grande e boa gestão. Mas reconhecemos que, durante a crise, o varejo de eletrônicos está sendo mais demandado.” (Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos)

“O crédito faz pouca diferença, já que é uma questão que já vem de muito tempo. A gente gosta da Renner pelos resultados positivos e solidez nos últimos anos, mesmo com as baixas no curto prazo devido à crise.” (Luis Salles, analista da Guide)

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“A recomendação de compra vem antes da crise, pela solidez e histórico da empresa. É uma companhia que já estava bem capitalizada, com um bom caixa. Indicamos inclusive no movimento pré-pandemia.” (Lucas Carvalho, analista do Toro Investimentos)

Hering é vista com receio

Nenhum dos especialistas consultados recomendou a compra dos papéis da Hering, por motivos que vão desde a forte dependência das lojas físicas até os resultados negativos em datas importantes para o comércio durante o ano de 2019.

“A gente fica cauteloso com empresas muito dependentes de lojas de rua e de shopping, que não tem uma operação consolidada em e-commerce, como a Hering. Por isso, não recomendamos, principalmente nesse momento de crise.” (Flávia Meireles, analista da Ágora Investimentos)

“A gente tinha recomendação de Hering até o fim do ano passado, mas vimos que os resultados no fim do ano não foram os esperados e, com a baixa generalizada de preços em março, preferimos companhias que sejam líderes em seus segmentos” (Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos)

“Nossa visão da Hering é neutra. Não recomendamos por conta de a empresa ser mais focada no varejo físico, em que observamos um prazo maior para a retomada, principalmente em vestuário.” (Luis Sales, analista da Guide Investimentos)

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“A empresa começou a cair forte na prévia operacional na época da black-friday, em dezembro. Os últimos resultados já mostraram que as coleções atuais não tiveram impacto na receita e no lucro. Então desde o ano passado já não avaliávamos a empresa como recomendação de compra.” (Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos)

Via Varejo divide opiniões

As principais justificativas dos especialistas que recomendaram os papéis da empresa giraram em torno da atuação da Via Varejo no e-commerce, que indicaria uma possibilidade maior de resistir à crise. Na outra ponta, as questões relacionadas à governança da companhia pesaram para a não indicação.

  • Recomendam

“A gente tem recomendação de compra para a Via Varejo por ser uma empresa ligada a comércio eletrônico. A companhia está avançando muito na parte on-line, divulgaram números positivos no mês de abril, de aumento no tráfego do site e de visitas no aplicativo. Durante a pandemia esse tipo de serviço está bem demandado, então estamos otimistas com o grupo.” (Flávia Meireles, analista da Ágora Investimentos)

“Entre as três empresas, a nossa preferida é a Via Varejo. A gente enxerga um potencial de crescimento no segmento e-commerce, que tem se desenvolvido ao longo dos últimos meses. Acreditamos em uma recuperação melhor da companhia na crise.” (Luis Sales, analista da Guide Investimentos)

“Os últimos resultados foram bem interessantes, com avanços no segmento digital. É uma nova Via Varejo, que está mais preparada para o futuro.” (Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos)

  • Não recomendam

A Via Varejo até o final do ano passado estava bem imbuída em questões de governança, com a troca de comando do Conselho da Empresa. De fato, a parte de e-commerce foi reformulada a partir dessa troca, começaram a dar um foco maior para a parte digital, mas a gente vê que existe um diferencial qualitativo entre as operações de comércio eletrônico da Via Varejo e a de seus pares. Então, além da posição de comércio eletrônico menos favorecida e liquidez menos potente, pesa essa questão de governança.” (Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos)

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