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Investimentos

Selic a 3%: como fazer sua carteira de renda fixa reagir

Com novo corte do Copom, papel atrelado ao CDI perde em atratividade para o prefixado

  • Melhores oportunidades deste momento estão nos títulos prefixados com vencimento até 3 anos. Há taxas de cerca de 7% ao ano no Tesouro Direto e até 9% em CDBs
  • Para o dinheiro que você pode precisar resgatar a qualquer momento, continue investindo em títulos atrelados ao CDI, apesar da remuneração mais tímida
  • Títulos atrelados à inflação são uma boa sugestão para diversificar a carteira. Eles podem ser o destino das quantias que ficarão depositadas por prazos mais longos

Estragaram a festa do investidor em renda fixa. Após as sucessivas reduções na taxa básica de juros Selic – que hoje está em sua mínima histórica, 3% ao ano – os rendimentos desses tipos de aplicação financeira ficaram muito achatados.

Com a inflação projetada para 2020 beirando 3,1% no cenário mais otimista, o investidor que não olhar com cuidado para suas aplicações em renda fixa e fizer algumas correções de rumo pode acabar tendo ganhos reais próximos de zero. Ou até mesmo negativos, se lembrarmos que em vários tipos de investimento há ainda a incidência de Imposto de Renda.

Esse último corte de juros pelo Banco Central do Brasil veio no mesmo sentido do Federal Reserve norte-americano e de bancos centrais de vários outros países. Eles têm tomado essa medida para tentar estimular uma economia que já andava deprimida, e agora foi fulminada pela pandemia do coronavírus.

Como não adianta se lamentar, o jeito é defender a carteira e adaptá-la aos novos tempos. Por isso, conversamos com quatro especialistas para descobrir o que você pode fazer para preservar a rentabilidade de seus investimentos em renda fixa. Antes de qualquer coisa, é sempre bom lembrar que a estratégia que funciona bem para um investidor pode não ser a melhor para outro.

“Tudo depende do perfil de risco de cada investidor e de seu horizonte de tempo (o quanto ele pode esperar para movimentar o dinheiro)”, explica o head de produtos da Ourinvest, Fernando Fridman. “O mais conservador deve ficar com opções de menor risco, mais seguras, mesmo que tenham um retorno mais magro. Ele precisa honrar compromissos, por isso a carteira não tolera volatilidade.”

A boa notícia é que ainda existem opções que oferecem rentabilidade interessante sem expor o investidor a grandes riscos. No momento atual, quem se destaca são os papéis prefixados. Enquanto os juros no curto prazo sofrem os efeitos desse encolhimento da Selic, as taxas oferecidas em papéis prefixados de médio e longo prazo se movimentaram na direção contrária: para cima. “As taxas de 2, 3 ou 4 anos estavam muito baixas, na casa de 4,5% ao ano. Hoje, você tem títulos prefixados do Tesouro Direto sendo negociados perto de 7%”, diz o sócio-diretor da Ativa Investimentos, Luís Barone.

O governo emite títulos do Tesouro Direto quando precisa captar dinheiro no mercado para custear as necessidades da economia, como novos incentivos fiscais a empresas. Dessa forma, quem compra esses papéis está emprestando dinheiro ao governo, que fica mais endividado. “Quando uma entidade se torna mais devedora, o risco para emprestar dinheiro a ela aumenta e a taxa pela qual os agentes se dispõem a emprestar para o governo também sobe. Por isso, as taxas de longo prazo dos prefixados cresceram, mesmo com a queda da Selic”, explica Barone.

Ainda que os prefixados estejam em uma boa fase, isso não significa que você deve migrar todo o seu capital investido para papéis desse tipo. O ideal é dividir as quantias em horizontes de curto, médio e longo prazo. Cada um deles terá uma estratégia diferente.

“O seu dinheiro de curto prazo, de 6 meses a um ano, é um dinheiro de caixa. Você não está tão preocupado com a taxa (de rentabilidade), mas sim em não perder, não sofrer oscilações bruscas. Privilegie a liquidez, e não o retorno”, ensina o especialista.

“Se o investimento é para um ano e meio até 3 anos, aí sim vá atrás de taxa, e nesse caso o prefixado tem taxas muito boas. E se o seu horizonte for muito longo, não é só para a taxa que você terá de olhar, mas para o risco. Coloque essa quantia em uma NTN-b (título público também conhecido como Tesouro IPCA+), que te dá essa proteção. Se tiver aumento de inflação, você estará protegido”, ele sugere.

Vamos falar um pouco mais sobre cada uma dessas estratégias.

Para mexer a qualquer momento: melhor ficar no CDI

Para aquele dinheiro que precisa estar sempre à mão para qualquer necessidade, nada melhor que os títulos pós-fixados, atrelados ao CDI. É verdade que o retorno deles não é tão atrativo neste momento. Mas eles compensam oferecendo maior liquidez. “É importante guardar um pouco de dinheiro nesse colchão, até para aproveitar as oportunidades que surgirem”, aconselha Fridman, da Ourinvest.

Os produtos mais conhecidos são os CDBs. “Alguns têm liquidez diária, ou seja, são do tipo D+0 (que permite o resgate no mesmo dia da aplicação). Eles oferecem pouca rentabilidade, mas são bons para destinar a quantia que você pode precisar mexer em até 90 dias”, conta o superintendente de produtos financeiros da Ágora Investimentos, André Souza Fernandes.

Há também fundos de investimentos do tipo D+0, atrelados à Selic. “Eles são baseados em títulos públicos e operações compromissadas e permitem resgate já no mesmo dia. Pagam uma remuneração mais tímida, mas oferecem liquidez imediata”, diz Fridman.

Quanto maior for o prazo do investimento, maior será a rentabilidade oferecida. Ou seja, para ganhar um pouco mais, o investidor terá de abrir mão da liquidez. Há alguns papéis que, mesmo sendo longos, têm cláusulas de liquidez que permitem a movimentação após 90 dias. Outros não dão essa possibilidade: é preciso aguardar a data de vencimento. Nessa situação, se o investidor tiver um imprevisto e precisar usar o dinheiro, terá de contar com a sorte.

“Existe hoje um mercado secundário de renda fixa, em plataformas digitais. Em uma emergência, essas plataformas podem tentar oferecer o papel a outro cliente que queira comprá-lo. Nesse caso, o investidor consegue resgatar o dinheiro, pagando uma penalidade (perdendo parte do valor). Mas isso é exceção, e não regra”, avisa o gestor da Guide Investimentos, Erick Scott Hood.

Outra questão que influi na rentabilidade do CDB é o rating (classificação de risco) da instituição financeira emissora do título. Devedores que em tese representam mais risco precisam oferecer uma taxa mais atrativa ao investidor. “Bancos pequenos e médios remuneram melhor. Em um CDB de 2 ou 3 anos, o investidor tem que buscar não menos que 120% do CDI”, recomenda Hood. “No caso dos prefixados, a referência é a taxa praticada pelo Tesouro Direto, hoje em 6,70% ao ano para o papel que vence em janeiro de 2023. O banco terá que pagar algo melhor que isso.”

Vale lembrar que o investidor conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito – em até R$ 250 mil por instituição financeira e R$ 1 milhão por CPF. Se o banco que emitiu o papel quebrar, o FGC devolverá diretamente ao devedor a quantia que ele emprestou à empresa. Por isso, para ficar tranquilo, o melhor é pulverizar o dinheiro investido entre vários emissores e nunca exceder os R$ 250 mil em títulos emitidos pela mesma instituição.

Uma boa opção para o investidor diversificar os investimentos a partir de 90 dias são as LCIs e LCAs. Os prazos são mais curtos que os do CDB (há papéis com vencimentos em 60, 90, 180 ou no máximo 360 dias) e não há liquidez – é preciso aguardar o vencimento. Mas há um diferencial importante: a isenção fiscal. Não recai Imposto de Renda sobre os rendimentos pagos por esses títulos..

Por isso, embora à primeira vista as LCIs e LCAs paguem menos que os CDBs, porque suas taxas nominais são menores, deve-se lembrar que essas taxas são líquidas de imposto e as dos CDBs, não. “Esses papéis sempre ganham em rentabilidade na comparação com CDBs de mesmo prazo. Uma LCI que paga 95% do CDI equivale a um CDB que paga 110% (bruto) do CDI”, calcula Fernandes, da Ágora.

Horizonte de investimento até três anos: aposte nos prefixados

Como dissemos no início do texto, os papéis prefixados estão em alta. “A rentabilidade dos títulos públicos mais longos subiu bastante. A partir de 5 anos, eles já rendem mais de 7% ao ano.
Há papéis que vencem em 2029 pagando 9%”, conta André Fernandes, da Ágora.

Nesse tipo de aplicação, é bom relembrar, o investidor já sabe qual será a taxa de rentabilidade no momento em que faz a aplicação. Mas essa taxa só valerá se ele carregar o título até a data de vencimento.

Se, por outro lado, ele resolver vendê-lo antes, o papel será avaliado pelo valor de mercado. O título será vendido com ágio (mais caro do que o investidor pagou, portanto ele terá lucro) se a taxa de juros do momento for menor que a oferecida no papel. Mas, se os juros tiverem subido, aquele papel (que pagava uma taxa menor) sofrerá desvalorização, o que significa que o investidor terá prejuízo na revenda.

Essa explicação nos mostra que os papéis prefixados têm um risco. O investidor pode perder dinheiro se precisar vender seu título antes do vencimento e a taxa de juros tiver subido desde o momento da compra. Ele deve ter isso muito claro antes de fazer a aplicação.

Quanto mais longo for o prazo do papel prefixado, maior é a chance de que a taxa de juros flutue no período. “Eu não recomendo que aplique no pré com vencimento longo, tipo 6 ou 7 anos, justamente porque o risco de se ter oscilações grandes na taxa de juros é grande. Não sabemos o que acontecerá no cenário. Mas, para aplicar até 2 ou 3 anos, uma taxa de 6,70% a 7% ao ano dá um prêmio gordo o suficiente para o investidor ficar confortável”, afirma Luís Barone, da Ativa.

Ele considera que essa rentabilidade – que é a oferecida atualmente pelo Tesouro no Prefixado com vencimento em 3 anos – justifica até mesmo a recomendação para os investidores de perfil mais conservador. “É pouco provável que, em dois ou três anos, nós tenhamos taxas de juros maiores que 7%, mesmo se o Banco Central voltar a elevar a Selic. Se e quando a tendência se inverter, até os juros voltarem a subir e o cenário ficar ruim para esse investidor, o papel já venceu ou faltará pouco para vencer”, ele avalia.

Para quem quiser obter ganhos um pouco maiores nos prefixados, uma opção aos títulos públicos são os CDBs de bancos menores e as LCs de empresas de crédito. Todos são cobertos pelo FGC dentro do mesmo limite de R$ 250 mil por instituição. Na comparação com um papel do Tesouro Prefixado de prazo idêntico, espere ganhar até 2% a mais na taxa anual – o que, no final de três anos, dará uma nada desprezível diferença de 6% no rendimento.

O senão é que esses títulos privados não têm liquidez, ou seja, não é possível vendê-los antes do vencimento, nem mesmo no mercado secundário. Por isso, se você não tem certeza de que não precisará do dinheiro antes do fim do prazo, talvez seja melhor ficar com o papel do Tesouro, mesmo ganhando um pouquinho menos.

E se a sua carteira estiver muito concentrada em títulos atrelados ao CDI? Nesse caso, como a Selic achatou a rentabilidade dos pós-fixados, pode ser interessante você migrar seu dinheiro para opções prefixadas, mesmo que ainda falte bastante tempo para o vencimento dos seus papéis. Em uma comparação lado a lado, o pré está ganhando de lavada do pós.

“Compare um investimento pós-fixado que paga 100% do CDI (hoje em 3%) e um prefixado que paga 7%. O pré já larga na frente. Nos meses seguintes, essa vantagem vai se ampliando. Para o pós virar o jogo e ultrapassar o pré em rendimento, a Selic teria que subir, e subir todo mês, a mais de 7%, teria que chegar a 10,5% para anular a vantagem do pré. E isso não vai acontecer, nós vamos ficar vários meses sem ver a Selic subir. Então, o pré tem muita gordura, mesmo para o cliente mais conservador”, diz o sócio-diretor da Ativa Investimentos.

Para avaliar se a migração do pós para o pré vale ou não a pena, veja qual é a penalidade que você sofrerá em uma eventual venda antecipada dos títulos que possui. Alguns CDBs são escalonados: conforme você permanece com eles ao longo do tempo, a multa vai caindo.

“Digamos que eu tenho um título pós que paga o CDI e vencerá daqui a um ano. Eu toparia sofrer uma penalidade de 1% para migrar para um pré de 7% e ter um ganho de rentabilidade de 3%. Se faltassem três anos para o vencimento, eu aceitaria uma penalidade de 1,5%”, pondera Barone. “Tem que fazer as contas. Cada carteira tem uma especificidade.”

Para diversificar e proteger a carteira: atrelados à inflação

Nós já aceitamos que o dinheiro do caixa vai continuar atrelado aos voos de galinha do CDI. E consideramos que os papéis prefixados podem ser uma boa ideia para aplicações de até três anos. Agora falta uma estratégia para o dinheiro que vai ficar aplicado por um período de tempo maior. Essa é a parte mais desafiadora do problema, pois é mais difícil prever o que vai acontecer no cenário econômico – os juros, a inflação, o câmbio – em um horizonte mais longo.

Uma solução para alocar esse dinheiro de prazos maiores é investir em títulos atrelados à inflação. Esse tipo de papel paga a variação do IPCA, índice que consolida a oscilação de preços no varejo, e mais uma taxa de juros. No cardápio de títulos públicos do Tesouro Direto, a opção atrelada à inflação é o Tesouro IPCA (que antigamente era chamado de NTN-b, ou Notas do Tesouro Nacional Série B).

“Para diversificar no longo prazo, o investidor pode colocar um pouco da carteira em títulos de inflação, um pouco em prefixados e esticar um pouco os vencimentos dos papéis atrelados ao CDI”, sugere Fernando Fridman, da Ourinvest.

“O perfil mais conservador tem que ficar no papel pós-fixado mesmo. Mas, para quem topa correr algum tipo de risco, o ideal é buscar uma NTN-b mais longa, para 2035 ou 2045, que tem maior volatilidade, mas oferece ganhos maiores no longo prazo que o pós. Ou mesclar esse papel com um pós”, diz Erick Scott Hood, da Guide. “Apesar de a NTN-b ter prazo longo, o governo dá liquidez diariamente. Mas, se sair antes do vencimento, o investidor terá o risco de marcação a mercado.”

Esse risco de que ele fala é o mesmo que enfrentam os títulos prefixados. Caso o título atrelado à inflação seja vendido antes do vencimento, seu valor de revenda será ditado pelo mercado, conforme as taxas de juros oferecidas pelo governo no momento. Se a NTN-b do investidor paga IPCA mais 2% de juros e, no momento da venda, o Tesouro estiver oferecendo IPCA mais 3%, o papel do investidor será depreciado, por exemplo.

Luís Barone, da Ativa Investimentos, também recomenda o Tesouro IPCA para prazos mais longos. “Hoje, temos vencimentos em 2026 pagando o IPCA mais 4% de juros. Aplicando neles, o investidor se protege do risco inflacionário. E a expectativa de inflação é real, pelo aumento do endividamento dos governos em geral, não só o brasileiro. Temos uma pressão inflacionária no cenário”, justifica.

Já o analista da Ágora Investimentos não indica que se comprem papéis atrelados ao IPCA por enquanto. “A inflação está baixa e não vai subir neste momento”, ele acredita. Mas diz que é sempre uma boa ideia ter uma carteira diversificada, com ativos e indexadores de vários tipos. “O investidor primeiro divide entre CDI, prefixado e inflação. Depois, acrescenta fundos multimercado e renda variável. E complementa com câmbio”, ensina. “Diversificar dilui o risco, porque a carteira consegue responder a cenários diferentes. Ela fica equilibrada, sofre flutuações menos bruscas, e as variações positivas são mais acentuadas que as negativas.”

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