EURO R$ 6,06 +0,52% DÓLAR R$ 5,36 +0,32% ITUB4 R$ 26,72 -0,85% MGLU3 R$ 80,66 +1,59% BBDC4 R$ 21,70 -1,14% IBOVESPA 98.970,38 pts -0,19% PETR4 R$ 22,14 +0,00% GGBR4 R$ 16,04 -0,06% ABEV3 R$ 14,58 -0,41% VALE3 R$ 56,72 +0,53%
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Investimentos

A taxa de administração do meu fundo é cara?

Não existe resposta rápida para a pergunta. É preciso ver os resultados

Foto: Pixabay
  • No fundo DI puro, é mais fácil ter uma ideia de quanto a taxa de administração está pesando nos ganhos. Partindo da Selic, desconta-se a taxa de administração e o Imposto de Renda para se obter a rentabilidade líquida
  • Nos fundos RF e multimercado, é mais difícil fazer essa avaliação. Conforme os rendimentos obtidos, a taxa cobrada pode pesar mais ou menos. Veja o histórico de rentabilidade do fundo para ter uma ideia dos ganhos
  • Não use a taxa de administração como critério para escolher o fundo! O que importa não é o fundo ser barato. Se ele entregou mais retorno com menos risco, tudo bem ele a taxa ser mais cara

As taxas de administração sempre estiveram presentes na contratação de um fundo de investimentos. Mas esse detalhe passou a ter mais importância quando os cortes na taxa básica de juros, a Selic, espremeram os rendimentos das aplicações. Com menos gordura para queimar, há casos em que a taxa de administração pode até anular os ganhos obtidos.

Por isso, é importante que o investidor observe as taxas de administração de suas aplicações e verifique se não está pagando caro demais. Infelizmente, não existe uma resposta rápida para essa pergunta.

As taxas cobradas dependem de vários fatores. O primeiro é a complexidade do produto. Nos fundos mais simples, com risco menor e estrutura operacional mais enxuta, como os fundos DI, a gestora consegue praticar taxas de administração mais baixas.

“Já um fundo mais complexo, como um multimercado, demanda mais trabalho do gestor e um time de analistas que estude vários mercados diferentes”, diz Marcelo Nantes, superintendente de gestão de fundos da Bradesco Asset Management. “Como é um produto diferenciado, com um potencial de retorno maior, isso se reflete na precificação.”

O volume inicial investido também faz toda a diferença. Fundos com tíquete de entrada mais baixo têm taxas mais elevadas, o que de certa forma acaba penalizando o pequeno investidor. É uma questão de escala: quem adquire um produto em escala maior consegue um preço menor. Mas há outras explicações.

“O custo de distribuição de um fundo é bem maior no varejo”, diz André Souza Fernandes, superintendente de produtos financeiros da Ágora Investimentos. “Além disso, existe uma estratégia de segmentação para o segmento private. Um dos diferenciais oferecidos para atrair o cliente de alta renda é uma taxa menor.”

Por outro lado, ao contrário do que muitos pensam, quando o assunto é taxa de administração, comprar o fundo no banco ou em uma corretora não faz diferença. As corretoras oferecem fundos geridos por bancos e gestoras independentes, e os próprios bancos passaram a vender produtos de outras bandeiras. O mesmo produto terá a mesma taxa de administração em qualquer prateleira em que esteja exposto.

“Banco e corretora se complementam. A corretora é mais um canal de distribuição dos fundos do banco. E a precificação é consistente entre todas as plataformas”, diz Nantes.

Dito isso, em cada tipo de fundo as taxas de administração estão em patamares diferentes. Vamos tratar aqui apenas do fundo DI, do fundo de renda fixa (RF) e do fundo multimercado, que respondem por uma grande parcela de investidores.

Fundo DI puro: ‘conta de padaria’ a partir da Selic

Os fundos DI puros são compostos basicamente por títulos do Tesouro Direto atrelados à taxa Selic: as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), cujo nome comercial é Tesouro Selic. Por definição, pelo menos 95% da carteira de um fundo DI deve ser composta por títulos pós-fixados, atrelados ao CDI.

De funcionamento simples, esses produtos têm taxas de administração que partem de apenas 0,20% ao ano; não por acaso, são uma espécie de porta de entrada para o mundo dos fundos e muito usados para manter a reserva de caixa. “O gestor desses fundos não tem surpresas. O risco do título público é muito baixo e a taxa de administração também tem que ser baixa”, explica Sylvio Fleury, diretor de relações com o mercado da Ativa Investimentos.

Essa simplicidade ajuda o investidor a dimensionar com facilidade o peso da taxa de administração nos seus rendimentos. Como o fundo DI é praticamente todo formado por papéis Selic, seu rendimento bruto é muito parelho ao da taxa Selic, hoje em 3,75% ao ano. A partir daí, é só fazer uma “conta de padaria” para ter uma ideia do ganho real.

Partindo de 3,75%, desconta-se a taxa de administração; do resultado obtido, desconta-se o Imposto de Renda (a alíquota é regressiva de acordo com o tempo de aplicação) e se chega ao rendimento líquido. Depois, é só subtrair a inflação para saber qual foi o ganho real.

Com a Selic tão baixa, há pouca margem para a taxa de administração. Um fundo que cobra taxa de 0,5% ao ano entrega, em um ano, um rendimento líquido de cerca de 2,60%. E isso sem descontar a inflação do período, que beira os 3% – sim, o ganho real é negativo. É, a vida não está fácil para os fundos DI…

Fundo RF: não existe número mágico

Enquanto os fundos DI puros são simples e previsíveis, nos fundos RF já é um pouco mais difícil visualizar o retorno. Na composição desses fundos, ao lado de papéis atrelados ao CDI, aparecem prefixados e títulos de crédito privado, como debêntures.

Tudo isso agrega uma dose maior de volatilidade à carteira. O risco das empresas oscila com o tempo, assim como o valor de mercado dos papéis prefixados. Tudo isso faz a rentabilidade variar mais, inclusive de um fundo RF para outro. As taxas de administração são um pouco mais altas – costumam partir de 0,50% e chegar a 1%.

“Por ter maior exposição ao crédito privado, o fundo RF tem prêmio maior que o do fundo DI, que é calcado em títulos públicos. Tanto pela sofisticação como pelo retorno, isso justifica a cobrança de uma taxa de administração um pouco maior”, diz David Sousa Rocha, analista de fundos da Guide Investimentos.

Como esses fundos trazem ativos mais diversificados na carteira e mais expostos ao risco, com retorno diferente do que entrega um fundo DI, o investidor não consegue fazer a mesma “conta de padaria” a partir da taxa Selic. Por isso, não há como afirmar com segurança que uma taxa X é cara, ou que “fundos RF com taxas de administração superiores a Y terão rentabilidade líquida igual a zero”. Tudo dependerá dos rendimentos, e o retorno desses fundos é menos linear.

O que o investidor pode fazer, para obter uma referência, é analisar o histórico de rentabilidade do fundo. Veja quanto acima do CDI ele entregou nos últimos 12 meses, e faça uma média. Digamos que ele entregou 120% do CDI; nesse caso, você poderá refazer aquele cálculo explicado acima, acrescentando 20% ao valor da taxa Selic. (Mas cuidado! Veja se a rentabilidade informada pelo banco já não é líquida de taxa de administração, para você não aplicar o desconto duas vezes).

É verdade que rentabilidade passada não garante retorno futuro, mas pelo menos assim você terá uma noção do peso da taxa de administração sobre o horizonte de retorno do seu fundo RF.

Fundo multimercado: a sofisticação tem seu preço

Se nos fundos RF a composição da carteira dificulta uma estimativa de retorno, no caso dos fundos multimercado essa tarefa se torna ainda mais complicada. Afinal, o que caracteriza esses fundos é a possibilidade de atirar em várias direções ao mesmo tempo, combinando muitas classes de ativos na carteira. Para perseguir rentabilidades mais altas, os gestores podem alocar os recursos do fundo em papéis de juros, de inflação, em moeda estrangeira, em renda variável no Brasil ou no Exterior. E mudar essas alocações o tempo todo.

É um trabalho de gestão bem mais sofisticado, que exige a participação de uma equipe que estude vários mercados, e precisa ser melhor remunerado. O mais comum é que se cobrem taxas de administração de 2%. Além disso, costuma haver uma taxa de performance de 20% sobre os resultados que excederem o CDI.

Mais uma vez, o investidor precisa olhar o histórico de desempenho do fundo e verificar se ele entregou resultados consistentes ao longo dos anos. Mas, para fazer esse tipo de exame, é melhor contar com a ajuda de um especialista. “Há estilos diferentes de gestor. Uns se expõem mais a renda fixa estrangeira, outros têm mais expertise em Bolsa. Essas informações são de um nível de detalhamento que o investidor comum não tem”, diz Marcelo Nantes, do Bradesco.

O professor de finanças William Eid Júnior, da FGV-SP, explica que é preciso selecionar muito bem um fundo multimercado para que a taxa de administração de 2% não fique salgada demais. Ele analisa os resultados dos 10 semestres anteriores e vê se o fundo se destacou na categoria.

“Eu não quero um cara que só saiba dançar uma música. Quero alguém que performe bem em diferentes momentos da economia. Por isso, não considero fundos com menos de cinco anos”, explica Eid Júnior. “Também não olho a rentabilidade acumulada, pois um fundo pode ter tido um retorno excepcional em um ano isolado, e depois nunca mais repetir isso. Tem que olhar semestre por semestre. Dá trabalho mesmo.”

Não escolha um fundo só porque a taxa é barata

Para o professor de finanças Michael Viriato, do Insper, é um erro considerar a taxa de administração como critério para a escolha de um fundo. Ele explica que a lógica da compra do fundo não é a de um produto, mas a de um serviço. Como o produto entrega os atributos imediatamente, é possível avaliar se o preço pedido é caro ou não. Já no caso do serviço, os resultados só aparecem no futuro, o que muda a forma de avaliação.

“Quando você contrata um advogado, você não sabe se ele vai ganhar a causa. Você vê o currículo dele, o que ele já ganhou ou perdeu no passado, e presume o que ele irá entregar para você. É isso que conta. Se você olhar apenas o preço do advogado, você estará escolhendo o profissional de forma errada”, argumenta o professor.

O mesmo raciocínio se aplica aos fundos de investimentos. Neles, o investidor contrata o serviço de um gestor, que vai trabalhar para ele, com o dinheiro dele. “É preciso ver primeiro a qualidade e depois o preço: quem entregou mais retorno pelo menor risco. Se essa relação for alta, tudo bem o fundo ser mais caro”, diz Viriato. “Tem fundo RF que cobra 2% de taxa de administração, mas entrega 150% do CDI. Você vai dizer ‘não invista nele, porque uma taxa de 2% é cara demais?’. Não, não é a taxa que importa.”

Com a taxa, meu fundo perdeu para a inflação. E aí?

Outra ressalva que Viriato faz diz respeito ao desempenho dos fundos diante da inflação. Na avaliação do professor, não é porque o rendimento líquido de um fundo ficou aquém da inflação – como tem ocorrido com os fundos DI, após o desconto da taxa de administração – que esse produto deve ser rejeitado sumariamente pelo investidor.

Para os recursos de curto prazo, ele acredita que o fundo DI ainda é a melhor opção, mesmo com o ganho real negativo. “O objetivo desse investimento não é ganhar da inflação. É apenas para o dinheiro não ficar parado na conta corrente. Se você aloca a reserva de curto prazo em um investimento atrelado à inflação e faz o resgate em pouco tempo, pode ter prejuízo na marcação a mercado”, alerta. “Como a Selic caiu muito, a taxa do CDI vai perder da inflação mesmo. Nem por isso você vai aumentar o risco de toda a carteira.”

Por outro lado, se o objetivo da aplicação for o de constituir uma reserva para a aposentadoria, num horizonte de 20 anos, aí sim é preciso considerar a inflação. “Nesse caso, você pensa em um investimento atrelado ao IPCA, que repõe esse índice e paga um prêmio em juros.”

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