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Investimentos

Novo título do Tesouro deve disputar espaço com ‘caixinhas’ e poupança; entenda como vai funcionar

Tesouro Reserva funcionará sem marcação a mercado e aceitará aportes a partir de R$ 1, 24 horas por dia

Por Beatriz Rocha

05/02/2026 | 9:25 Atualização: 05/02/2026 | 9:25

Noto título do Tesouro Direto estará disponível a partir de março ao público em geral. Foto: Adobe Stock
Noto título do Tesouro Direto estará disponível a partir de março ao público em geral. Foto: Adobe Stock

O Tesouro Nacional anunciou, na última semana, o lançamento do título Tesouro Reserva. A opção, atrelada à Selic, busca atrair mais investidores ao Tesouro Direto e deve competir com outros produtos tradicionalmente usados para a reserva de emergência, como a poupança e as “caixinhas” dos bancos.

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O novo título já está em funcionamento para um grupo restrito de clientes do Banco do Brasil, em fase de testes. A partir de março, ele estará disponível para investidores em geral.

A opção será a primeira do Tesouro a funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana. Atualmente, as aplicações e os resgates podem ser feitos apenas em dias úteis, das 9h30 às 18h, com os preços e taxas definidos no momento da transação. Das 5h às 9h30, o sistema fica em manutenção.

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Nos fins de semana e feriados, das 18h às 5h, os preços e taxas exibidos no site do Tesouro são apenas para referência. O investidor pode realizar aplicações e resgates, mas serão considerados os preços e taxas de abertura do mercado no próximo dia útil.

Agora, a proposta é disponibilizar o Tesouro Reserva para investimentos a qualquer momento. “Queremos dar acesso principalmente para as camadas mais populares da população que, durante o dia, não têm tempo ou condições para investir”, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, durante a apresentação do produto.

O Tesouro Reserva não sofrerá com a marcação a mercado. Isso significa que o investidor não correrá o risco de ter surpresas negativas no momento do resgate, o que trará mais previsibilidade.

O título aceitará aportes a partir de R$ 1, valor mais acessível do que outros papéis do Tesouro, que podem demandar investimentos mínimos acima de R$ 100. O vencimento do novo papel será de 3 anos, mais curto do que o oferecido por outras opções do Tesouro.

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Gabriel Almendra, sócio e líder de wealth na Warren Investimentos, vê o Tesouro Reserva como uma opção atrativa para qualquer perfil de investidor, dos mais conservadores aos arrojados. Isso porque o título se encaixa bem como uma forma de reserva de emergência, um pilar básico de qualquer planejamento financeiro. “Independentemente do apetite a risco, todos deveriam manter parte do patrimônio alocada em instrumentos com essas características”, avalia.

Tesouro Reserva x “caixinhas” x poupança

Especialistas apontam que o Tesouro Reserva deve, sim, disputar espaço com a poupança e com as “caixinhas” dos bancos – opções de renda fixa apresentadas ao público com uma roupagem mais didática. Um estudo do Google mostrou que os “cofrinhos” ganharam popularidade nos últimos dois anos, com as buscas por termos relacionados ao tema crescendo 297% no período.

Agora o Tesouro Reserva vem com duas vantagens: rendimento elevado, em linha com a Selic, e alta segurança, já que oferece o menor risco de crédito do Brasil, pois é garantido pelo governo federal.

A poupança, por sua vez, tem retorno menor, de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais o pagamento da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central, quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, como ocorre agora.

Já as “caixinhas”, apesar de ofertarem rentabilidade que pode chegar a 120% do CDI, não têm a mesma segurança do Tesouro, já que dependem da proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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“A poupança oferece liquidez imediata e simplicidade, mas historicamente apresenta rentabilidade baixa. Já as ‘caixinhas’ bancárias costumam investir em produtos de renda fixa e podem render mais que a poupança, porém variam bastante de banco para banco”, afirma Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital.

E o CDB?

Quando comparado com os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), o Tesouro Reserva pode oferecer uma rentabilidade mais baixa. Bancos médios costumam ofertar taxas acima de 100% do CDI, como 105% ou 110% do CDI, para atrair clientes, enquanto o novo título pagará algo próximo a 100% da Selic.

Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, a escolha entre uma opção e outra dependerá do nível de segurança procurado. “Se o investidor aceitar o risco da instituição financeira para ganhar aqueles 5% ou 10% a mais do CDI, o CDB continua valendo. Se o investidor procurar segurança máxima, o Tesouro Reserva será uma boa escolha”, diz.

Almendra, da Warren Investimentos, avalia que os CDBs costumam fazer mais sentido na construção de carteiras com prazos um pouco mais longos do que o de uma reserva de emergência. “Mas vale sempre levar em conta o risco do emissor e o perfil do investidor.”

Tesouro Reserva ou Tesouro Selic: qual escolher?

Embora sejam semelhantes, existem diferenças entre o Tesouro Selic e o Tesouro Reserva. O primeiro não conta com liquidez 24 horas por dia, sete dias por semana, mas atualmente é ofertado com um prazo de vencimento mais longo, de cinco anos.

Além disso, o Tesouro Selic exige um valor mínimo de investimento maior, na casa dos R$ 180, então o Tesouro Reserva poderá ser adquirido a partir de R$ 1.

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Patzlaff, planejador financeiro, destaca outra diferença. “O Tesouro Selic pode oscilar levemente para baixo em dias de muito estresse. Já com o Tesouro Reserva, que não possui marcação a mercado, o investidor verá o saldo apenas subir, eliminando o medo psicológico de ver menos dinheiro na conta temporariamente”, diz.

Na hora de escolher entre um título e outro, vale levar em conta essas diferenças. Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, destaca o prazo de três anos do Tesouro Reserva como um ponto central da decisão.

Por ser um prazo pequeno, esse título faz mais sentido para objetivos de curto prazo. Se for um dinheiro que poderia ficar investido por mais tempo, a escolha perde eficiência, especialmente por causa do impacto do Imposto de Renda (IR), que é maior em aplicações de menor duração. “Por outro lado, se os recursos têm um destino definido e serão usados em até três anos, o novo título tende a ser uma alternativa adequada”, afirma Fontes.

Segundo ela, um ponto de dúvida ainda existente se refere à chamada taxa de custódia, de 0,2% ao ano, cobrada nos seguintes casos:

  • Na venda antecipada de títulos;
  • No vencimento da posição;
  • Nos eventos de custódia (pagamento de juros de títulos).

No caso do Tesouro Selic, os investimentos são isentos dessa taxa até o limite de R$ 10 mil em estoque, com a porcentagem sendo cobrada apenas sobre os valores que excederem esse limite. Quando se trata do Tesouro Reserva, o Tesouro Nacional ainda não informou se essa mesma isenção será mantida.

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