Além disso, a valorização do petróleo também reforçou o clima otimista na B3. “A ata do Copom confirmando que haverá cortes dos juros é positiva. O Banco Central prevê 3,2% para a inflação no terceiro trimestre de 2027, é bem perto do centro da meta, de 3,0%. Não é um período muito distante”, diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, para quem ainda há algum efeito do juro restritivo para ser capturado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Com juros caindo, haverá impacto positivo para a economia. “Se não fosse o mercado de trabalho apertado, o ciclo já poderia ter começado”, completa Cima. Para Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, também faz sentido essa valorização do principal indicador. “Há fundamento para a alta, principalmente via queda de juros e fluxo estrangeiro”, afirma. Ele pontua, contudo, que o caminho para novos avanços tende a ser volátil e dependente de dados macro e percepção de risco.
Na agenda de dados doméstica, a produção industrial caiu 1,2% em dezembro ante novembro. Em relação a dezembro de 2024, a produção subiu 0,4%. No acumulado em 12 meses, houve alta de 0,6%, ante aumento de 0,7% até novembro.
Nos Estados Unidos, as atenções estiveram voltadas ao discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de Richmond, Tom Barkin. Ele sugeriu que a incerteza está se dissipando no início de 2026 e que a economia americana permanece “notavelmente resiliente”, em discurso preparado para o evento SC First Steps.
No cenário geopolítico, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu “negociações justas e equitativas” com os EUA, um sinal de que o país persa poderá participar das negociações propostas pela Turquia. Ontem Trump reafirmou que “coisas ruins” acontecerão ao Irã se não houver acordo.
A divulgação do relatório Jolts de criação de vagas, prevista para hoje, foi adiada para 19 de fevereiro devido à paralisação parcial do governo, após a publicação do relatório oficial de empregos, o payroll, também ter sido postergada.
A respeito da paralisação parcial do governo, Trump enfatizou que assinará um acordo de financiamento “imediatamente, assim que chegar em minha mesa”.
Nesta terça (3), o dólar doméstico fechou em queda de 0,18% cotado a R$ 5,25.
Ibovespa hoje: os principais destaques do mercado de ações nesta terça-feira (3)
Bolsas no exterior
Na Ásia, a Bolsa de Tóquio teve novo recorde de alta em meio a medidas econômicas propostas pelo PLD do Japão, antes das eleições gerais, e Bolsa de Seul, na Coreia do Sul, disparou quase 7%. O dólar caiu ante o dólar australiano após o BC da Austrália elevar a taxa básica de juros.
A Bolsa da Índia avançou 2,7% refletindo a expectativa de que o acordo comercial com os EUA amplie o fluxo de investimento para ações do país.
No pregão desta terça das Bolsas de Nova York, Dow Jones teve queda de 0,34%, S&P 500 desvalorizou 0,84% e Nasdaq teve a maior baixa, de 1,43%
Commodities e metais
O petróleo fechou em alta nesta terça-feira, revertendo movimento visto na véspera. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o Brent para abril subiu 1,55%, a US$ 67,33 o barril. Já o WTI, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), avançou 1,72%, a US$ 63,21 o barril.
O minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em queda de 1,14%, cotado a 777,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 111,92. O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em baixa de 1,23%, a 760 yuans, o equivalente a US$ 109,4 por tonelada.
O ouro para abril, por sua vez, subiu 6,07%, a US$ 4.935 por onça-troy, enquanto a prata para março teve alta de 8,17%, a US$ 83,30 por onça-troy. Para o Deutsche Bank, apesar da recente queda, o preço do ouro ainda pode atingir US$ 6 mil por onça-troy. “Os fatores que impulsionam o preço do ouro continuam positivos”, afirma o banco.
O que esteve no radar do Ibovespa hoje
Em relação à ata da reunião do Copom da semana passada, quando a Selic foi mantida em 15% ao ano, com o colegiado indicando cortes a partir de março, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, avalia que o documento não trouxe grandes novidades. “O Copom reconheceu a melhora do cenário externo e o processo de desaceleração da inflação corrente, o que abre espaço para o início do ciclo de flexibilização monetária”, diz em nota. Ainda assim, a economista do Inter avalia que diante de um ambiente marcado por incertezas, especialmente relacionadas aos efeitos fiscais na demanda, o Comitê tende a adotar uma postura cautelosa nos cortes de juros.
“Nossa expectativa é de que o ciclo comece com uma redução de 50 pontos-base, ritmo que deve ser mantido no cenário atual”, afirma. O Inter estima Selic em 12,50% ao final do ano. Para Lucca Maciera, analista de Mercado Victrix Capital, embora o Copom sinalize o início de um ciclo de redução de juros nas próximas reuniões, não há definição clara sobre intensidade, ritmo ou duração desse processo, evidenciando uma postura cautelosa e fortemente dependente da evolução dos dados econômicos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso Nacional o texto do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o plenário da Câmara vai apreciar o acordo na semana seguinte ao carnaval. O acordo, assinado em 17 de janeiro, no Paraguai, precisa ser aprovado pelos parlamentos de cada país do Mercosul e pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.
Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na Bolsa de Valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Informações de Patricia Lara, Cecília Mayrink, Luciana Xavier e Silvana Rocha, da Broadcast