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Investimentos

É hora de dolarizar parte da carteira? Thiago Salomão responde

Analista defende que todos os investidores devem ter parte da carteira dolarizada

Por Geovana Pagel

13/03/2023 | 3:00 Atualização: 10/03/2023 | 17:40

Thiago Salomão, analista de investimentos CNPI e criador do projeto Market Makers (Foto:Victor Pontes)
Thiago Salomão, analista de investimentos CNPI e criador do projeto Market Makers (Foto:Victor Pontes)

Vivemos tempos pouco favoráveis para investir em renda variável. O Ibovespa fechou fevereiro em baixa de 7,49%, a pior marca já registrada no mês em 22 anos, com exceção do ano de 2020, quando a pandemia da covid-19 paralisou o mundo e provocaram quedas generalizadas nos mercados globais, segundo o Trade Map.

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Nesta semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se reúne para decidir se mantém a taxa básica de juros Selic em 13,75% ao ano.

Muitos analistas defendem que a redução nos juros é um acontecimento ainda distante, face ao aumento do risco fiscal e perspectivas de inflação mais alta. E a manutenção da taxa Selic em alta empurra cada vez mais investidores para a renda fixa.

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Uma regra básica no mundo dos investimentos, porém, é a diversificação de portfólio. E diversificar o capital em outras economias pode garantir ainda mais segurança no longo prazo.

“Se um investidor já tem renda fixa no Brasil e quer diversificar, tem a renda fixa americana. Se já tem bastante investimento em bolsa no Brasil e quer diversificar, tem a bolsa americana, que eu olharia muito mais como alocação em dólar do que ‘compre na bolsa americana'”, afirma Thiago Salomão, analista de investimentos CNPI e criador do projeto Market Makers.

E-Investidor – Pensando no investidor que pretende “dolarizar” parte da carteira, você recomenda olhar para onde agora?

Salomão – O investidor tem que ter dólar na carteira, seja 10%, 15% ou 20%. Seja o que for, mas ele tem que ser dolarizado. o cenário vai ser muito complicado para o Brasil e, diante de qualquer piora do País, o dólar vai subir e assim é possível proteger a carteira de alguma forma.
Se o dólar cair, tudo bem, porque todo o resto da sua carteira tem de andar bem. Se um investidor já tem bastante renda fixa no Brasil e quer diversificar, tem a renda fixa americana. O mesmo caso na bolsa de valores.

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Além dos Estados Unidos, tem algum outro mercado que você acha que valeria olhar ou evitar?
Salomão – Eu evitaria Japão porque eu acho que ele está na última ponta do aperto monetário. No entanto, é um país mais difícil em termos de acesso para investir. No caso da Europa, há uma visão de que o continente sofreu mais no ano passado por conta da alta do preço dos combustíveis e aí muitos apostaram contra, mas agora vemos uma retomada mais rápida.
Ainda assim prefiro os Estados Unidos, até porque as grandes empresas estão lá.

Após um ano de guerra na Ucrânia, como o conflito ainda impacta os investimentos?

Salomão – Existem setores que podem ser impactados, principalmente no caso das empresas de energia e produtoras de petróleo, porque são regiões de importante produção e escoamento. Em geral, é importante continuar monitorando as commodities.
Hoje, embora o clima seja mais ameno, vimos no início das tensões uma casa de análise americana falando sobre a chance de ter um conflito nuclear, com consequências trágicas para o mundo todo. Então chegou-se a ventilar essa possibilidade no mercado. Leve a sério ou não, isso segue no radar, e não só com Rússia e Ucrânia. Vemos uma atenção maior com Estados Unidos e China. O investidor deve monitorar a geopolítica e a maneira de se blindar é ter sempre uma carteira diversificada. É isso que vai te fazer continuar no jogo.

Olhando para a Bolsa brasileira. O escândalo envolvendo a Americanas respingou em todas as varejistas. O setor segue sensível para o investidor?

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Salomão – O pano de fundo é muito ruim para você investir no varejo, né? Sempre acho que a melhor maneira de resumir isso tudo é pensar em uma fabricante de Discman. Você pode ser o melhor fabricante de Discman, mas hoje ninguém mais usa. Em um ambiente que não é propício para o que você vende, não adianta você ser a melhor ou pior. É um setor no qual ficamos mais preocupados, pelos resultados que podem vir e pelas consequências da Americanas.
O varejo é muito impactado pelo cenário macro, inflação e alta na taxa de juros. O mercado de crédito mudou completamente. As prioridades do consumidor na hora da compra mudaram. Ele vai priorizar coisas mais importantes na cesta básica do mês, então olhamos muito mais para essas varejistas de alimentos, por exemplo. Até mais atacado do que uma varejista de vestuário, ou itens que você pode adiar a compra.

Como você enxerga as estatais em 2023?
Salomão – Somos bem conservadores na hora de investir em uma empresa porque olhamos muito a longo prazo. Tirando todo o viés político da análise, a gestão atual do governo já deixou muito claro que o objetivo não é maximizar o retorno para o acionista, o que deveria ser o objetivo de qualquer empresa de capital aberto. Portanto, esse é um grupo de empresas que preferimos ficar de fora.

Confira também a edição de fevereiro do Papo, Café &  Lucros:

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