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Como a Vale (VALE3) pode surfar na alta do preço do minério; veja análises

Segundo dados do TC, os contratos futuros da commodity da bolsa de Dalian subiram 16,6% em 2023

Como a Vale (VALE3) pode surfar na alta do preço do minério; veja análises
Vale (VALE3) é a empresa com maior peso para a composição do Ibovespa. (Foto: Fabio Motta/Estadão)
  • Com a valorização do minério de ferro, aumentam as chances da companhia entregar resultados melhores no último trimestre do ano
  • A alta da commodity ajudou na recuperação do papel da mineradora na bolsa de valores nos últimos dois meses
  • Diante do cenário favorável, a maioria dos analistas enxergam a ação como uma boa oportunidade de investimento

A alta do preço do minério de ferro no mercado internacional deve reverter as perdas das ações da Vale (VALE3) no acumulado de 2023 e melhorar os resultados da companhia para os próximos trimestres. Segundo dados do TC, o contrato futuro da commodity da bolsa de Dalian, na China, já subiu 16,6% em yuan chinês neste ano. A valorização foi suficiente para melhorar o ânimo do mercado com a mineradora, especialmente ao longo dos últimos dois meses, quando o papel subiu 10%.

Segundo Renato Chanes, analista da Ágora Investimentos, o avanço da cotação da commodity nas últimas semanas é reflexo de uma relação favorável entre a oferta e a demanda, o que pode manter a cotação na faixa dos US$ 135 (ou CNY 983,5) no mercado internacional. “Temos visto cada vez mais os estoques de aço caindo na China. Isso faz com que a disponibilidade reduza e influencie na alta do preço do aço no mercado internacional’, explica Chanes.

Com a maior demanda pelo aço, as margens das siderúrgicas aumentam e permitem que as mineradoras possam vender o minério de ferro a preços mais elevados para a produção do aço. “Há um claro posicionamento do governo chinês em aumentar o seu déficit público para financiar obras de infraestrutura. Isso influencia na alta do eixo da demanda e reduz o eixo do estoque”, acrescenta o analista da Ágora.

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O cenário mais favorável pode ajudar a mineradora a entregar ao mercado resultados melhores ao divulgar o seu balanço do quarto trimestre. Nos meses de julho a setembro deste ano, a companhia apresentou um lucro líquido de US$ 2,836 bilhões. O valor apesar de ser uma cifra bilionária representa um recuo de 36,6% em comparação ao mesmo período do ano passado.

No entanto, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, ressalta que não o preço da commodity não é determinante para a entrega de um balanço surpreendente. “Os lucros não dependem apenas dos preços do minério, mas também de fatores como custos operacionais, eficiência na produção e estratégias de mercado”, afirma Lima. O desempenho da companhia na produção de níquel e cobre também influencia na performance das ações e nos resultados operacionais.

Nesta terça-feira (5), a Vale realizou o Vale Day, evento dirigido a investidores e analistas de mercado em um hotel em Londres, no Reino Unido. Na ocasião, Gustavo Pimenta, vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores da companhia, informou que a mineradora pode elevar seu Ebitda em US$ 4 bilhões nos próximos dois anos. A melhora de alguns indicadores seria o responsável por essa conquista.

Segundo informações do Broadcast, a empresa almeja reduzir o custo caixa C1 (da mina ao porto) para US$ 20 por tonelada em 2026. Neste ano, esse custo deve fechar em US$ 22,50. “Estamos entregando eficiência de custos e compensando os efeitos inflacionários. Estamos implementando redução de custos acelerada e otimização das compras. Nos próximos anos manteremos o Capex controlado e eficiente para sustentar a produção”, declarou Pimenta durante evento.

Alta do minério de ferro até quando?

Os especialistas acreditam que o preço do minério de ferro deve continuar em patamares acima dos US$ 120 nos próximos meses mesmo com algumas volatilidades. No entanto, a permanência da cotação a esses níveis a partir do segundo trimestre de 2024 vai depender do crescimento econômico da China. Segundo Vinicius Steniski, analista do TC, o governo chinês pode implementar medidas de proteção para controlar os preços.

“Dado que o minério de ferro é um insumo crítico e a China possui consideráveis investimentos em infraestrutura, o governo pode intensificar sua interferência, indo além do que tem feito até o momento”, analisa o especialista. Caso essa estratégia seja adotada, poderá impedir o movimento de recuperação das ações da Vale (VALE3).

Apesar do risco, o analista recomenda a compra das ações da companhia por enxergar uma oportunidade de investimento para o papel. A Ágora Investimentos também possui a mesma recomendação para o papel com um preço-alvo de R$ 92.

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Já Fabiano Vaz, sócio e analista de Ações da Nord Research, por sua vez, orienta os investidores a ficarem de fora do papel devido a grande dependência da economia chinesa. “A Vale apresentou bons sinais de melhora, mas ainda possui uma grande dependência sobre o que vai acontecer com a China. Então, preferimos esperar”, afirmou o analista. Segundo ele, por causa desse fator, não há expectativas de uma grande valorização das ações.

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