Segundo dados do TradeMap, enviado com exclusividade ao E-Investidor, de março de 2021 até o pregão desta quinta-feira (29), enquanto o Ibovespa entregou uma rentabilidade negativa de 2,15%, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) ofereceu um retorno ao investidor de 13,35% no mesmo período.
De acordo com o levantamento, nove ações conseguiram entregar uma rentabilidade acima de 100% em relação ao CDI. Entre o grupo, os papéis do Assaí (ASAI3), Positivo (POSI3) e Fer Heringer (FHER3) se destacaram no período. Outras seis companhias também conseguiram distribuir dividendos.
Não há uma razão em comum para o desempenho desses papéis. Pelo contrário, cada companhia teve um cenário favorável específico para os seus ganhos ao longo do período. No caso do Assaí, a boa performance aconteceu em virtude da sua capacidade de se beneficiar com a alta dos preços.
“A inflação alta e a corrosão da renda do trabalhador levaram muitas pessoas a comprar no “atacarejo”, comprando quantidades maiores e com desconto”, afirma Fernando Siqueira, head de research da Guide Investimentos. Em paralelo, a empresa segue em expansão para diversas regiões do país. “Os resultados têm sido consistentemente fortes e a empresa é defensiva.”
Ao olhar por setor econômico, as companhias de commodities prevaleceram no ranking com uma valorização expressiva acima do CDI. Os papéis da Petrobras (PETR3/PETR4) tiveram os maiores ganhos em virtude do aumento do preço do petróleo no mercado internacional e também da distribuição recorde de dividendos.
Segundo os dados do TradeMap, o dividend yield da companhia ficou em torno dos 60% entre março de 2021 e setembro de 2022. O porcentual de distribuição de proventos foi o maior entre as ações analisadas.
“Há uma dinâmica do preço do petróleo ainda favorável. Tivemos um conjunto de fatores com a reabertura da econômica (após as restrições de isolamento social da pandemia da covid-19), guerra na Ucrânia e também no pagamento de dividendos”, ressalta Jennie Li, estrategista de ações da XP.
Os ganhos aconteceram em um momento considerado ruim para os ativos de renda variável. Quando o Copom decide elevar a Selic para combater a alta dos preços, as projeções de lucro das companhias de capital são revisadas. Normalmente, o mercado projeta resultados menores em comparação a períodos de queda da taxa de juros.
“Em um cenário em que se restringe a atividade econômica, naturalmente, as empresas vão faturar menos e ter menos lucros”, diz Renato Chanes, analista de investimentos da Ágora.
Como o lucro é uma métrica importante para a precificação, a tendência é que as ações das empresas sofram quedas com as estimativas de baixo desempenho. “Quanto maior a taxa de juros, mais o investidor vai exigir de retorno para estar posicionado em renda variável porque temos o risco de eleição, de commodities, entre outros”, afirma.
Vale lembrar que as performances passadas das companhias não são garantias na mesma magnitude para o futuro. Por isso, os investidores precisam analisar se as projeções pontam para um desempenho rentável nos próximos meses.
No caso das empresas ligadas ao petróleo, Siqueira avalia que o desempenho pode sofrer quedas diante do cenário macroeconômico desfavorável. “As empresas devem ter desempenho pior nos próximos meses em função da queda recente do petróleo e menor perspectiva de recuperação em função da desaceleração econômica global”, avalia.
De março deste ano até o dia 2 de agosto, a cotação do barril de petróleo permanecia na faixa de US$ 100, segundo dados do Investing. Neste intervalo, o dia oito de março foi o período que commodity alcançou o seu maior patamar ao ser negociada a quase US$ 130 (US$ 127,98) em virtude dos conflitos entre Rússia e Ucrânia.
Logo depois, os preços passaram a ser negociadas abaixo dos US$ 100. Nesta quinta-feira (29), por exemplo, o preço do barril de petróleo fechou em US$ 87,1. O valor representa uma queda de 31,8% em relação ao seu pico, no dia oito de março.