O vice-presidente da Anbima, José Eduardo Laloni, ressalta em entrevista à imprensa que a queda das emissões de ações não foi um fenômeno só brasileiro, mas mundial. “Esse mercado sofreu muito”, disse. Entre os fatores que contribuíram para a piora está a alta de juros no Brasil e no exterior, para combater o avanço da inflação, e a piora do cenário geopolítico no mundo.
“Os IPOs (aberturas de capital) pararam”, afirmou Laloni, afirmando não ver tendência de mudança desse quadro no curto prazo.
Do total das ofertas de ações este ano, a grande maioria ficou concentrada em uma única operação, a da Eletrobras, que captou R$ 34 bilhões em junho no evento que marcou a privatização da companhia. O restante foi de ofertas subsequentes (“follow on”).
Na renda fixa, o destaque ficou com a emissão de debêntures, que somou R$ 205 bilhões. Foram 351 emissões, das quais 75 delas foram acima de R$ 1 bilhão. Laloni destacou que o setor de energia foi o líder em captações com debêntures, com R$ 39 bilhões.
Apesar do cenário adverso, Laloni afirmou que, no geral, o volume de emissões no mercado de capitais foi bom e era esperado que a renda fixa assumisse a liderança desse mercado.