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Mercado

Ibovespa em máxima histórica: veja ações que ainda estão “baratas” na Bolsa

Analistas enxergam oportunidades, principalmente entre ações de varejistas, que podem se beneficiar de queda da Selic

Por Beatriz Rocha
Editado por Geovana Pagel

05/02/2026 | 5:30 Atualização: 04/02/2026 | 19:39

O Ibovespa é o principal índice da B3, a Bolsa de Valores brasileira (Foto: Divulgação/B3)
O Ibovespa é o principal índice da B3, a Bolsa de Valores brasileira (Foto: Divulgação/B3)

O Ibovespa encerrou janeiro com alta acumulada de 12,6%, seu maior avanço para um mês de janeiro desde novembro de 2020 e o melhor janeiro desde 2006. No mês, investidores estrangeiros ingressaram com R$ 26,314 bilhões na Bolsa brasileira, mais do que o total observado em 2025, que foi de R$ 25,473 bilhões.

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Em dólares, o índice avançou 18,42%, segundo dados da Elos Ayta Consultoria. Outros indicadores da América Latina também se saíram bem. O S&P/BVL General, do Peru, subiu 22,51% em dólares, seguido pelo MSCI Colcap, da Colômbia, com ganho de 21,16%. Na sequência, além do Ibovespa, aparecem o IPSA, do Chile, com alta de 15,65%, e o IPyC, do México, que avançou 9,18% em dólares.

Em fevereiro, o índice da B3 voltou a renovar recordes. Na terça-feira (3), terminou o dia com ganho de 1,58% aos 185.674,43 pontos, depois de alcançar 187.333,83 pontos, o maior nível intradiário já registrado em sua história. Já na quarta-feira (4), fechou em baixa de 2,14%, mas conseguiu manter o nível de 181 mil pontos.

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O grande impulsionador do movimento de valorização recente tem sido o investidor estrangeiro. Analistas do mercado observam uma rotação global, com recursos saindo dos Estados Unidos e migrando para emergentes. A XP, que recentemente elevou a projeção do Ibovespa para 190 mil pontos, entende que esse movimento deve permanecer “intacto” ao longo dos próximos trimestres.

Depois dos recordes alcançados pelo Ibovespa, o desafio agora está em reconhecer quais ações da Bolsa brasileira ainda estão “baratas” e atrativas para os investidores.

Os setores descontados na Bolsa local

A XP avalia que o Brasil continua se destacando entre os mercados globais de ações, combinando valuations relativamente atrativos com fundamentos corporativos sólidos, ao mesmo tempo em que ainda oferece espaço para uma nova onda de expansão de múltiplos, com uma potencial queda da Selic a caminho.

Ao analisar os principais segmentos do Ibovespa, a corretora observa uma expansão de preços nos setores financeiros e defensivos desde o início de 2025, enquanto o segmento de commodities passou a apresentar expansão apenas a partir do segundo semestre de 2025.

Quanto se trata de ativos cíclicos (mais sensíveis aos ciclos econômicos), a XP entende que os múltiplos de preço sobre lucro (P/L) ainda permanecem abaixo dos níveis observados no início de 2024.

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Em uma perspectiva de prazo mais longo, o setor de consumo discricionário (de bens e serviços não essenciais) se destaca como o mais barato em relação à sua média histórica, negociando com um desconto de 43%, seguido por energia, com 26% de desconto, e saúde, com 18% de desconto.

Já o Santander realizou uma análise a partir da taxa interna de retorno (IRR, na sigla em inglês) implícita para as ações brasileiras do momento atual até o fim de 2028. Essa métrica ajuda a medir a rentabilidade de potenciais investimentos.

Sob essa ótica, as oportunidades mais descontadas concentram-se nos setores de educação, varejo e transporte, com retornos implícitos bem acima do custo de oportunidade mesmo sob premissas conservadoras.

Por outro lado, os retornos implícitos em setores exportadores – como alimentos e bebidas, materiais e óleo e gás –, utilidade pública e tecnologia, mídia e telecomunicações (TMT) são menos atraentes, na visão do banco.

As ações brasileiras mais “baratas”

O Santander vê nomes descontados na Bolsa brasileira, com preços atrativos ou fundamentos em melhora ainda subprecificados. O banco cita as seguintes ações: C&A (CEAB3), SmartFit (SMFT3), Cyrela (CYRE3), Inter (INTR), Direcional (DIRR3), Eneva (ENEV3), Localiza (RENT3), Vivara (VIVA3), Cury (CURY3) e Rede D’Or (RDOR3).

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Ramiro Gomes Ferreira, cofundador do Clube do Valor, avalia que algumas ações do setor financeiro seguem negociadas a preços descontados, como Banco do Brasil (BBAS3), Banrisul (BRSR6) e Banco ABC (ABCB4).

O analista também enxerga oportunidades no varejo, setor que ainda reúne papéis considerados “baratos”, como C&A, além de Lojas Renner (LREN3) e Grendene (GRND3).

Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, é outro que vê atratividade dentro do segmento varejista, que pode se beneficiar da queda da Selic. Ele cita nomes como Magazine Luiza (MGLU3) e União Pet (AUAU3).

“Vemos potencial nas empresas que apresentam um Ebit (lucro antes de juros e impostos) positivo, mas um lucro ainda pressionado pelo custo das dívidas, que pode se recuperar. Exemplos são Vamos (VAMO3) e a Movida (MOVI3)”, acrescenta.

Como fugir de armadilhas?

Especialistas explicam que o fato de uma ação estar barata não necessariamente a transforma em uma oportunidade. Fatores como a liquidez do papel e o balanço das companhias precisam ser levados em consideração.

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“Uma ação pode estar barata por diferentes motivos: ela é impopular, o setor está em crise ou existe um medo generalizado sobre o futuro dela. O jeito para não cair na armadilha é conseguir ter uma estratégia que sistematize a análise das ações”, afirma Ferreira, do Clube do Valor.

Ele recomenda fugir de ativos que sejam difíceis de negociar por não terem liquidez e ter cuidado com empresas que apresentaram resultados ruins no último trimestre ou ano.

Na análise do balanço, vale checar um indicador conhecido como earnings yield (EY), também conhecido como rendimento dos lucros, calculado como a razão entre os lucros por ação e o preço da ação.

Mesmo com fluxo de capital estrangeiro na Bolsa, Ferreira entende que a forma de avaliar as ações brasileiras não se altera. “Estratégias quantitativas não mudam por conjunturas econômicas ou políticas. No fim, a análise sempre vai ser sobre os fundamentos das empresas, os resultados que elas entregam e o preço que estão sendo negociadas. Nisso sim essas conjunturas têm influência, mas não na forma de avaliar as ações”, diz.

Os nomes atrativos para dividendos

Pedro Galdi, analista CNPI do Ações Garantem o Futuro (AGF), ainda vê nomes descontados entre boas pagadoras de dividendos. Ele cita Banco do Brasil, Isa Energia (TRPL4), Axia Energia (AXAI3), Cemig (CMIG4), Sanepar (SAPR11) e Bradesco (BBDC4).

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A casa, no entanto, coloca o Banco do Brasil como um caso à parte, que deixou a posição de maior dividend yield (rendimento de dividendos) entre grandes bancos, diante das dificuldades da carteira do agronegócio. “Nossa visão é de que a instituição vai se recuperar e voltar a assumir sua antiga posição no ranking de boas pagadoras de dividendos”, afirma.

Como estão as blue chips?

Entre as chamadas blue chips – ações de maior peso na composição do Ibovespa – poucas negociam a preços descontados, segundo a análise do Clube do Valor. A casa destaca a Petrobras (PETR4) como um papel que ainda apresenta atratividade. Já Itaú (ITUB4) e Vale (VALE3), apesar de pagarem bons dividendos, ficam de fora. “São empresas com bons números e que não enfrentam problemas de liquidez. Ainda assim, mesmo com essas características positivas, não são papéis baratos”, avalia Ferreira.

A forte entrada de fluxo estrangeiro tende a se concentrar, num primeiro momento, nas blue chips, justamente por serem ações mais líquidas. O ponto de atenção, porém, é que muitos desses papéis têm desempenho atrelado aos preços das commodities.

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, em um cenário de possível queda do minério e do petróleo, o mercado passará a exigir maior foco na geração de lucros dessas empresas. “Precisamos acompanhar de perto a dinâmica de cada commodity para entender para onde esse movimento vai. Depois de um rali forte e na ausência de novos catalisadores, pode haver algum nível de acomodação para Petrobras e Vale”, afirma.

Na avaliação do analista, passada essa primeira onda de valorização puxada pelo investidor estrangeiro, uma eventual segunda etapa, liderada por investidores locais, poderia beneficiar as small caps, empresas de menor capitalização da Bolsa brasileira. “Mas ainda não dá para cravar nada. É preciso ter calma”, pondera.

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