A B3 anunciou planos para entrar no mercado de previsões, com contratos inspirados em opções e foco inicial em decisões do Copom, dólar e bitcoin, em diálogo com a CVM. (Imagem: Adobe Stock)
A B3 anunciou nesta quinta-feira (5) que pretende entrar no chamado mercado de previsões (prediction market, em inglês). Esse tipo de plataforma, em que os investidores negociam contratos sobre a probabilidade de eventos futuros, como o resultado de eleições, ganhou popularidade nos Estados Unidos.
Segundo Gilson Finkelsztain, CEO da B3, a empresa tem trabalhado próxima à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em torno do tema e deve começar com opções digitais para o Comitê de Política Monetária (Copom).
O executivo disse que o contrato de previsão deve funcionar como uma opção: o investidor paga um valor antecipadamente, chamado de prêmio. Se a previsão estiver correta, ele recebe 100% do valor combinado. Se estiver errada, recebe zero. O ponto importante é que não existe a possibilidade de perder mais do que o prêmio pago no início. Em geral, esse prêmio pode variar, por exemplo, entre 20%, 30%, 40% ou 50% do valor final.
Além do contrato de previsão sobre indicador financeiro, a B3 também tem olhado, nesse primeiro momento, para opções ligadas ao preço do dólar e do bitcoin.
“Existe uma discussão ainda com o regulador sobre o formato de restrições de vendas e público-alvo. Isso está acontecendo, mas planejamos lançar no primeiro trimestre. Se não for no primeiro trimestre, vem no início do segundo trimestre”, afirma Finkelsztain.
O mercado de previsão ganhou destaque no final de 2025 após a brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, tornar-se a bilionária “self-made” mais jovem do mundo, segundo a revista Forbes. O termo “self-made” é usado para descrever aqueles que constroem a própria fortuna. Lara conquistou o posto após sua empresa de mercado de previsões, a Kalshi, levantar US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos.
Durante seu Investor Day, em dezembro de 2025, a B3 já havia adiantado que estava conversando com a CVM e com participantes do mercado financeiro para entender como os prediction markets poderiam se desenvolver no Brasil. Na época, no entanto, a empresa ainda não havia passado mais detalhes sobre esse nicho.