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Mercado

Inter: há falsa impressão de que alta da Selic para 3,50% melhora renda fixa

Rafaela Vitória, economista-chefe do banco, lembra que retorno real fica abaixo da inflação

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Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter (Foto: Divulgação/Inter)
  • A alta veio em linha com a expectativa do mercado e, para Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, não deverá causar maiores impactos no cenário econômico atual
  • Isso porque em março, ao elevar a taxa básica de juros para 2,75%, o colegiado do Banco Central (BC) já sinalizou a possibilidade de a calibragem atual ser feita na mesma medida da anterior
  • Com a Selic deixando os 2% em março e chegando agora em 3,5%, a economista considera o avanço importante, mas lembra que o retorno real ainda fica abaixo da inflação

A taxa Selicfoi para 3,50% ao ano, após o ajuste de 0,75 ponto porcentual anunciado nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A alta veio em linha com a expectativa do mercado e para Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, não deverá causar maiores impactos no atual cenário econômico.

Em março, ao elevar a taxa básica de juros para 2,75%, o colegiado do Banco Central (BC) já sinalizou a possibilidade de a calibragem atual ser feita na mesma medida da anterior. “Ao longo das últimas semanas, os membros da autoridade monetária chegaram a repetir em algumas ocasiões a intenção de uma alta de 0,75%”, diz Vitória.

“O cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica. O comitê enfatiza, entretanto, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”, afirmou o comunicado do Copom.

Com a Selic deixando os 2% em março e chegando em 3,5%, a economista considera o avanço importante, mas lembra que o retorno real ainda fica abaixo da inflação. Por isso permanece a recomendação de diversificar o portfólio também com renda variável. “Mesmo considerando o cenário base, que é uma normalização parcial, vamos ter uma Selic entre 5% e 5,5%, só um pouco acima da inflação. Então o juro real ainda será pequeno, comparado com o padrão histórico que se tinha no Brasil”, lembra Vitória.

Confira a entrevista:

E-Investidor – O que muda no cenário econômico do País com a alta de 0,75 ponto percentual?

Rafaela Vitória – Como já era uma alta esperada, vemos um impacto neutro no cenário com relação à magnitude do ajuste. O Copom foi muito claro na reunião passada, quando fez uma alta maior do que se esperava, de 0,75%, e já colocou no seu comunicado que viria de novo em 0,75%.

Ao longo dessas últimas semanas, os membros da autoridade monetária chegaram a repetir em algumas ocasiões essa intenção de uma alta de 0,75%. A surpresa estava mais ligada a alguma mudança no comunicado.

E-Investidor – Qual o impacto dessa elevação nos investimentos? As aplicações mais conservadoras finalmente voltam a ficar no azul?

Vitória – As pessoas estão com uma falsa impressão de que essa alta da Selic está resolvendo todos os problemas da renda fixa. E é importante atentar que ainda não. Uma Selic em 3,5% ainda está abaixo da inflação esperada para os próximos 12 meses, que está por volta de 4%.

Então ainda é importante para o investidor diversificar o seu portfólio, porque ao concentrar todo o rendimento no CDI ou em títulos de renda fixa atrelados ele pode perder para a inflação nos próximos meses.

De todo modo, para o investidor é uma mudança considerável. Dois meses atrás tínhamos uma Selic de 2% e agora vamos para 3,5%. Em um espaço curto, é uma boa mudança.

E-Investidor – Quais títulos de renda fixa podem ganhar mais impulso com essa alta?

Vitória – A renda fixa pós-fixada vai ficar mais atrativa em todos os casos, porque segue a Selic. Mas os títulos mais longos indexados à inflação, que hoje já rendem um juro real de 3% a 4% – além do IPCA, são títulos mais atrelados ao CDI. Mesmo com essa alta, a diversificação ainda é importante.

Considerando o cenário base, que é uma normalização parcial, vamos ter uma Selic entre 5% e 5,5%, só um pouco acima da inflação. O juro real ainda será pequeno, comparado com o padrão histórico que se tinha no Brasil.

E-Investidor – Como fica o cenário para a renda variável? Vai perder atratividade?

Vitória – Independentemente da Selic estar a 2% ou estar 5,5%, é muito importante ter uma parcela do portfólio em renda variável, objetivando um ganho maior de longo prazo. Acredito que nesse ciclo de ajuste da Selic o que está motivando esse ajuste é uma normalização da economia. O PIB crescendo, um pouco mais de inflação, tudo isso é benéfico para as empresas. Vamos ter lucros subindo, as empresas se valorizando, corrigindo suas vendas.

A alta da Selic não impacta um desaquecimento das empresas e consequentemente uma perda de valor delas na bolsa. Por isso, o investidor deve continuar buscando, aos poucos, montar uma carteira maior de renda variável, seja com um fundo de ações, um ETF, porque para o longo prazo vemos que a bolsa vai ter um rendimento maior do que o CDI.

E-Investidor – Como viu a permanência da expressão “normalização parcial” no comunicado divulgado após o anúncio da nova taxa? 

Vitória – Existe uma preocupação de alguns analistas no mercado de que quando o BC coloca que vai buscar só uma normalização parcial, de alguma maneira, a autoridade estaria pondo um certo limite, um “teto”, para essa taxa de juros. E se a inflação continuar subindo, isso pode ter uma sensação negativa de que o BC está deixando a inflação seguir essa rota de alta, e está sendo mais algum dovish.

Eu não concordo que o BC precisaria retirar essa frase da ata, porque ainda temos uma economia fragilizada, vindo do impacto de uma segunda onda (de pandemia). Apesar de ter sido um pouco melhor que o esperado, vimos hoje a produção industrial mostrar uma queda na margem. Vamos ter na quinta-feira (6) os dados do comércio, que devem mostrar que março foi um mês de pequena desaceleração. Abril também deve ter alguma acomodação. E o País tem um mercado de trabalho com uma ociosidade muito grande.

Por isso não há necessidade de elevar a Selic para um patamar tão alto nesse primeiro momento, considerando que saindo da pandemia ainda temos muito potencial de crescimento, principalmente no mercado de trabalho, que é um ponto de atenção muito grande para o BC.

E-Investidor – Quais são suas projeções para a Selic em 2021 e 2021? Está otimista diante do cenário atual?

Vitória – Estamos mais otimistas com a recuperação econômica, com a redução dos dados da pandemia e avanço da vacinação. O crescimento econômico de março e abril ficou um pouco mais impactado, mas acreditamos que vamos ter uma retomada.

Neste cenário de retomada e ainda com uma inflação um pouco acima da meta, o BC deve subir a Selic até 5% este ano, e 5,5% em 2022.

E-Investidor – Esses valores estão acima das suas previsões de janeiro. Por quê?

Vitória – Tínhamos estimativa de 3,5% para 2021 e 5,5% para o próximo ano. A inflação foi um pouco mais alta entre janeiro e abril. Isso impacta um pouco na inflação futura. Ainda vamos ver a parte de serviços voltando mais forte agora no segundo semestre. Podemos ver correção de preços. Isso vai levar o BC a ter uma Selic maior do que esperávamos no começo do ano.

E-Investidor – Quais fatores justificam projeções mais otimistas?

Vitória – A grande variável que temos hoje é a vacinação. No ritmo que está hoje, acreditamos que ela consegue cobrir 50% da população vacinável até mais ou menos julho, que são os grupos prioritários, 77 milhões (de pessoas). Então isso já deve ser suficiente para que a gente tenha um processo de abertura, com uma economia crescendo de maneira mais robusta no segundo semestre.

E-Investidor – Quais são os fatores de risco que podem reduzir esse otimismo?

Vitória – A vacinação retrocedendo por algum motivo, como ausência de vacina ou de logística. Não é o cenário base, mas sabemos que problemas acontecem na importação, na produção. Um segundo risco é a inflação maior do que o esperado, principalmente com a alta recente das commodities, levando a um aumento de custos de algumas empresas. Além disso, uma alta maior do que esperamos da Selic poderia causar um desaquecimento da economia.

E-Investidor – Como vê o risco político com a CPI da covid-19 em andamento?

Vitória – Existe uma preocupação do risco político associado ao risco fiscal, o quanto os problemas políticos podem resultar em eventual aumento de gastos. Acompanhamos essa CPI para ver como vai ser o desfecho, o que pode gerar de alguma eventual negociação entre Congresso e Executivo para mais gastos.

E-Investidor – Qual poderia ser o impacto do saldo da CPI para a retomada econômica?

Vitória – Nunca sabemos o que pode sair de uma CPI. Então fica essa preocupação de ter algum impacto fiscal. Mas hoje acreditamos que a recuperação econômica é cíclica e deverá acontecer independentemente desse cenário político.

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