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Notícias

Mais competição, menos receita: por que os bancos estão ‘felizes’ com o Pix?

Novo serviço diminui faturamento vindo de tarifas e acirra mercado de serviços financeiros

Imagem mostra em primeiro plano um QR Code em uma tela celular e, ao fundo, a logomarca do pix, que é um trevo de quatro folhas estilizado em verde e o nome pix escrito ao lado
Pix: novo serviço de transferência move gigantes do mercado, como Visa e Mastercard. (Cris Faga/ Pagos)
  • Se por um lado o Pix traz vários benefícios para as pessoas físicas, por outro os bancos vão sofrer com a queda nas receitas vindas de tarifas
  • O Pix vai colocar os bancos tradicionais e as fintechs no mesmo patamar de igualdade para competir pelos clientes, o que desenfreou uma corrida pelo cadastramento de chaves usadas no novo serviço de transferências
  • Especialistas explicam que a evolução do mercado de pagamentos é inevitável e quem ganha com essas novas tecnologias é o cliente

Que o Pix vai trazer muitos benefícios para as pessoas físicas, não é surpresa. O novo serviço de transferências do Banco Central, que entra em vigor no dia 16 de novembro, vai permitir que os brasileiros enviem e recebam dinheiro 24 horas por dia, sete dias de semana, e de forma gratuita. Para as pessoas jurídicas, porém, a instituição financeira poderá cobrar taxas, mas com preços melhores do que os TEDs e DOCs.

Em um primeiro momento, tudo isso vai resultar em perda de receita para os bancos, principalmente os tradicionais. Segundo a agência americana de classificação de risco Moody’s, as instituições financeiras devem sofrer queda de 8% no faturamento vindo de tarifas. A chegada do Pix também pode colocar fintechs e plataformas de pagamento em pé de igualdade com os gigantes dos serviços financeiros.

Ainda assim, nas últimas semanas não faltaram propagandas, sorteios e promoções para impulsionar o cadastro dos correntistas no Pix. Essa balança que pende mais para o lado dos clientes, do que para as instituições financeiras, levantou dúvidas nos usuários: por que os bancos parecem ‘felizes’ em oferecer um serviço que, aparentemente, não vai dar lucro nenhum e vai minar parte da receita?

O que os bancos tradicionais deixam de perder

Segundo Carlos Netto, CEO da empresa de desenvolvimento de tecnologia para o mercado financeiro Mattera, o primeiro ponto para entender essa questão não passa pelo que os bancos tradicionais ganham com o novo serviço, mas pelo que deixam de perder.

“Em um primeiro momento, o incentivo ao Pix é muito mais para não perder os clientes”, afirma. “Hoje, a maioria tem um ‘banco domicílio’ para pagar as contas de água, luz, IPVA, entre outras, já que muitas fintechs não conseguem ofertar essa opção. Isso vai mudar com o Pix, o que pode deixar qualquer conta de fintech tão boa quanto uma conta bancária comum”, diz Netto.

É importante lembrar que, atualmente, uma grande barreira de entrada no mercado de serviços financeiros envolve as ofertas de pagamentos de contas. É muito caro para um novo entrante se conveniar com todas as concessionárias de água, luz, esgoto e etc, para oferecer aos clientes o pagamento desse tipo de boleto pelos aplicativos.

O Pix vai encurtar esse caminho, já que o serviço terá convênio com essas grandes concessionárias, como a Agência Nacional de Energia Elétrica, e o processo não precisará ser feito individualmente pelas empresas. Logo, apenas com o Pix, as fintechs e plataformas de pagamento de menor porte terão sanado essa dificuldade – o que nivela os serviços oferecidos por pequenas e grandes instituições financeiras e incentiva a migração de clientes de um banco para o outro.

Bruno Magrani, diretor de relações institucionais do Nubank, falou sobre essa questão na live do E-Investidor. “Para uma instituição financeira oferecer o pagamento de uma conta básica, é necessário que essa instituição esteja conveniada com essa concessionária. Se eu quero que o usuário consiga pagar seus tributos de qualquer lugar do Brasil, eu tenho que ter convênio com os mais de 5000 municípios do País. É um custo alto, uma ineficiência enorme.”

Além de favorecer a competitividade, a conjuntura faz com que os bancos batalhem para que os correntistas se fidelizem. E um grande ‘sinal’ de que essa fidelização está acontecendo é por meio do cadastro das principais chaves Pix em uma determinada instituição financeira. “Quando o usuário concentra seus pagamentos e recebimentos em uma instituição, a contratação de outros produtos acontece de forma natural e o banco ganha de formas relacionadas”, diz Maurício Guerra, gerente de desenvolvimento de negócios da Sicredi Vale do Piquiri.

Além disso, na corrida pela captação de clientes através do Pix, quem sai na frente são as fintechs, e não os grandes bancos. Os atuais ‘campeões’ em cadastramento de chaves, de acordo com o Banco Central, são Nubank, Mercado Pago e Pag Seguro. “Imagina a situação de um bancão olhando isso e pensando no risco dos correntistas irem para essas fintechs e usarem elas como banco principal”, diz Netto.

Evolução dos pagamentos é inevitável

Fora as fintechs, que ganham em condições de competitividade com os bancos tradicionais, as demais instituições financeiras deverão estar abertas às novas formas de encarar o mercado de pagamentos para ganhar dinheiro.

“É inevitável ter uma perda de receita, seja nos TEDs, na receita do cartão ou nas maquininhas. Tudo isso vai impactar no financeiro”, diz João Bragança, gerente especialista em meios de pagamento da consultoria Roland Berger. “Efetivamente não há muito a ganhar no Pix para um banco grande, mas é uma necessidade de transformação. Os serviços financeiros que conhecemos até hoje serão diferentes no futuro e o Pix vai fazer com que os bancos brasileiros tenham que explorar a transformação digital.”

O especialista ressalta ainda que os bancos brasileiros são muito sólidos e como o novo serviço irá fazer com que essas instituições se preocupem mais com a experiência do cliente, esse processo de mudança pode acontecer de forma mais rápida. “O cadastro das chaves, no caso dos bancos grandes, é um movimento defensivo, para não perder clientes. Mas eles têm que fazer mais do que isso. São os clientes que vão fazer essas organizações preservarem oportunidades de rentabilidade no futuro”, diz Bragança.

 

 

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