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Casas Bahia (BHIA3) propõe operação para converter dívida em ações e reduzir alavancagem

Empresa pede aval dos debenturistas para maior flexibilidade no uso dos recursos de conversão em ações

Por Júlia Pestana e Manuela Miniguini

06/06/2025 | 8:53 Atualização: 06/06/2025 | 14:01

Casas Bahia (Foto: Márcio Fernandes/ Estadão)
Casas Bahia (Foto: Márcio Fernandes/ Estadão)

Com foco na redução do endividamento, o Grupo Casas Bahia (BHIA3) anunciou um plano que contempla a conversão antecipada de R$ 1,57 bilhão em debêntures da segunda série em ações da companhia.

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Debêntures são títulos de dívidas emitidos por empresas para uso dos recursos em projetos específicos. A operação da Casas Bahia, que ainda depende de aprovações internas e dos credores, pode reduzir pela metade a alavancagem da empresa e liberar recursos para novos investimentos.

Caso a totalidade das debêntures seja convertida, serão emitidas 328,9 milhões de novas ações, o equivalente a 77,58% do capital social da companhia. Mesmo com a diluição do bolo de acionistas, o presidente da empresa, Renato Franklin, acredita que o plano cria valor no longo prazo.

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“É melhor ter uma participação menor de uma empresa que vai valer mais no futuro do que manter uma fatia maior de uma companhia travada pelo endividamento”, afirmou, em entrevista ao Broadcast.

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Com a conversão, o diretor Financeiro (CFO) da Casas Bahia, Elcio Ito, destacou que a dívida da companhia que somou R$ 4,55 bilhões no primeiro trimestre deste ano cairia para R$ 2,984 bilhões. “A alavancagem da empresa cai pela metade. A dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cai de 1,6 vez para 0,8 vez, enquanto a dívida líquida sobre o capital total passa de 61,8% para 33,1%”, afirmou.

Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, na prática o plano antecipa a conversão das dívidas da Casas Bahia com seus dois principais credores [Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC3;BBDC4)] em ações da companhia. Para a conversão funcionar, haveria um terceiro veículo financeiro envolvido para ser o acionista da companhia.

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Contratualmente, a primeira janela para os credores exercerem a opção de conversão começaria apenas em outubro deste ano. Contudo, as mesmas fontes acreditam que a empresa tenha proposto antecipar a conversão para abater a dívida e, com isso, reduzir custo de capital. “A proposta foi impulsionada pelo cenário macroeconômico mais desafiador e por pressões do mercado para acelerar o plano de transformação”, afirmaram.

Prazo e permissões

O plano para transformar estrutura de capital da Casas Bahia também propõe o reperfilamento das debêntures da primeira série, com duas principais alterações: a postergação do início do pagamento de juros, de novembro de 2026 para novembro de 2027, e a modificação do cronograma de amortização do valor principal.

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Segundo o CFO, a proposta já foi discutida com investidores que representam mais da metade dos títulos dessa série, e que manifestaram apoio à alteração. “A expectativa é que isso gere mais caixa livre para investimentos e aumente sua flexibilidade financeira“, afirmou.

Aval dos debenturistas

Além disso, a Casas Bahia solicitará aos debenturistas autorização para, durante um período de 12 meses a partir da aprovação, realizar “eventos de liquidez“, como a venda de ativos, sem que os recursos obtidos sejam automaticamente destinados à amortização antecipada da dívida, conforme previsto atualmente na escritura. O valor autorizado poderá chegar a R$ 500 milhões.

A efetivação do plano depende de aprovações internas e do aval dos debenturistas. A reunião do conselho de administração para analisar a questão da Casas Bahia está marcada para o dia 12 de junho.

*com informações do Broadcast.

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