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Mercado

As razões por trás do investimento de R$ 20 milhões de Rafael Ferri na Casas Bahia (BHIA3)

O fundador da GTF Capital explica os motivos para apostar na recuperação da companhia e no setor de varejo

Por Beatriz Rocha

31/03/2025 | 3:00 Atualização: 31/03/2025 | 11:12

Rafael Ferri, fundador da GTF Capital e apresentador do podcast Café Com Ferri. Foto: Divulgação/Café com Ferri
Rafael Ferri, fundador da GTF Capital e apresentador do podcast Café Com Ferri. Foto: Divulgação/Café com Ferri

Enquanto os analistas do mercado financeiro recomendam a venda das ações da Casas Bahia (BHIA3), um investidor seguiu na contramão e desembolsou cerca de R$ 20 milhões para adquirir papéis da companhia. Trata-se de Rafael Ferri, fundador da GTF Capital, que atingiu uma posição de 5,11% na varejista em 11 de março.

Leia mais:
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O investimento considera tanto aquisições realizadas na pessoa física quanto por meio de empresas sob o controle do investidor, além de operações via derivativos de liquidação física.

Embora Ferri mantenha o otimismo com as ações da Casas Bahia, grandes bancos e corretoras adotam uma postura mais cautelosa. A Genial Investimentos e o BB Investimentos recomendam a venda dos papéis da varejista, ao passo que BTG Pactual e XP Investimentos mantêm indicações neutras após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2024, quando a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 452 milhões. No acumulado do ano passado, o resultado foi negativo em R$ 1,045 bilhão.

  • Casas Bahia (BHIA3) dispara e triplica de preço em março; o que explica essa alta?

O desempenho recente dos papéis da empresa, no entanto, parece contrariar as recomendações de analistas. Só em março, as ações BHIA acumulam ganhos de 289,06%. Em entrevista ao E-Investidor, o fundador da GTF Capital diz que acredita no potencial de valorização das ações em função da expectativa de queda nos juros. O investidor projeta que a retomada do ciclo de afrouxamento da Selic possa ocorrer ainda em 2025, a depender do cenário econômico nos Estados Unidos.

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“A Casas Bahia passou por períodos de dificuldades com os juros altos e com a entrada de concorrentes estrangeiros no Brasil, como o Mercado Livre (MELI) e a PDD Holdings (PDD), dona da varejista Temu. Essas companhias de fora vêm roubando espaço”, afirma.

E-Investidor – Por que comprar ações de uma empresa que tem reportado prejuízo nos últimos trimestres e com recomendação de venda entre analistas? 

Rafael Ferri – Eu acredito que o ciclo de alta de juros no Brasil vai acabar na próxima reunião e daqui para frente a Selic pode cair. Essa virada é o ponto mais importante para o varejo começar a responder. Fora isso, a Casas Bahia soltou um resultado do quarto trimestre de 2024 bastante sólido. A companhia voltou a seguir as estratégias do Samuel Klein, seu fundador, que é focar no crediário e não apenas vender eletrodomésticos. Além disso, a companhia realizou uma reestruturação de dívida, com a possibilidade de trocar com o Bradesco, um de seus credores, suas dívidas por ações.

Considerando o potencial da empresa, ela deveria valer algo em torno de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Quando vejo que está sendo avaliada em R$ 760 milhões, me parece extremamente barata. Obviamente, é um ativo estressado, que ninguém quer, mas tem muita coisa boa ali dentro e como não está valendo nada mesmo, eu virei sócio. Meu investimento se baseou em um tripé: preço atrativo do papel, parada da alta de juros e aposta na recuperação da empresa.

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Existe intenção de obter algum controle sobre a empresa no futuro?

Eu tenho comprado um pouco mais de ações nos últimos dias e posso aumentar ainda mais a posição se eu achar que o papel pode se valorizar. Tenho interesse em indicar um conselheiro na Assembleia Geral Ordinária de abril, para pelo menos ter alguém por perto da empresa.

O que o Sr. vislumbra para o setor do varejo em 2025 e nos próximos anos?

Eu gosto de empresas que estão em um momento complicado e que podem ser oportunidades. Tenho uma participação relevante em GPA (PCAR3), assim como em Magazine Luiza. Na Petz (PETZ3), eu tenho uma posição de cerca de 13%. O setor de varejo no Brasil sofreu muito e a hora da virada deve acontecer dentro dos próximos 6 a 18 meses. Penso que esse setor, apesar de ter uma competição acirrada, está muito barato e descontado.

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O Sr. está à frente da criação de um fundo de investimento, em parceria com investidores de alta renda, para adquirir a participação do Casino no GPA. Quem está envolvido nesse projeto? 

Temos o Nelson Tanure junto conosco e ele deve indicar um conselheiro para a Assembleia do próximo mês. Acredito que as ações do GPA são uma oportunidade boa para os investidores. Não só Pão de Açúcar, mas também Magalu, Casas Bahia e Petz – são todos nomes em que o mercado está completamente míope, principalmente porque as ações dessas empresas caíram muito nos últimos anos. Quando houver uma melhora nos juros, acredito que os papéis podem multiplicar de preço. Casas Bahia agora subiu mais de 200%, mas não valia quase nada, então essa porcentagem não significa muita coisa. Os investidores, muitas vezes, têm dificuldades de entender essa matemática.

Você mencionou ações do varejo que estão descontadas. Mas existe, na sua visão, alguma ação que está cara demais no setor?

Eu não acredito que Mercado Livre (MELI34) vale R$ 700 bilhões, por exemplo. É uma empresa excepcional, mas eu não acredito que ela consiga manter esse ritmo de crescimento ao longo dos próximos anos e o preço da ação atualmente supõe que ela vai conseguir manter essa tendência.

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Além do varejo, há companhias de outros setores que têm chamado a sua atenção? Quais seriam as principais empresas que estão no seu radar no momento?

Eu invisto mais em varejo, ramo em que eu acho que o preço está distorcido da realidade. Mas há diversos setores com empresas baratas, como Banco Inter (INBR32) e Marfrig (MRFG3), com preços descontados. Acredito que a Bolsa brasileira, de modo geral, está subvalorizada, em grande parte devido ao impacto dos gastos excessivos do atual governo. Esse descontrole pressionou a inflação, elevou os juros e, consequentemente, afetou o desempenho do mercado como um todo.

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