

Os primeiros quatro meses de 2022 estão promovendo uma revanche inesperada no mercado financeiro. A Cielo (CIEL3), que desde meados de 2018 vinha sendo considerada a grande perdedora da ‘guerra das maquininhas’, sobe 57% desde o início de janeiro, aos R$ 3,51.
A companhia de serviços de pagamentos é a maior alta do Ibovespa no período e deixou para trás as antigas algozes Stone (STOC31) e PagSeguro (PAGS34), listadas em Nova York, mas com BDRs (título que replica o movimento de ações estrangeiras) negociados no Brasil. As companhias acumulam baixas de 58% e 54%, respectivamente, a R$ 47,99 e R$ 15,40.
Essa vantagem da Cielo vem da recuperação apresentada no ano passado, após um longo período de resultados abaixo do esperado. Entre 2009 e 2020, a margem líquida da empresa caiu de 42,4% para 5,6%, justamente na esteira do aumento de competição no segmento de maquininhas, principalmente com a entrada de Stone e PagSeguro.
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Já em 2021, houve avanço substancial do Ebitda (30%), resultado líquido (+98%) e de volume financeiro de transações (+10,8%), além do aumento da margem líquida para 9,9%. Por outro lado, Stone e PagSeguro entregaram resultados abaixo do esperado.
O BTG Pactual tem recomendação neutra para Stone e PagSeguro. No caso da primeira, erros na abordagem comercial e de concessão de crédito teriam pesado nos últimos resultados e causado reprecificação. “Nossa percepção é que eles ainda querem fazer muitas coisas ao mesmo tempo, com vários desafios simultâneos, aumentando a complexidade do negócio. Como recuperar a confiança dos investidores leva tempo, permanecemos neutros enquanto monitoramos de perto as ações”, diz a instituição, sobre a Stone.
No início de abril, a principal escolha do BTG no setor de pagamentos se tornou a Cielo. “Se você quiser surfar a reprecificação, acreditamos que CIEL3 (e não PAGS ou STNE) pode ser o melhor caminho a percorrer (já que a avaliação é muito mais barata)”, afirma a instituição financeira, em relatório.
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