

Depois de passar por um ciclo de transformação de 4 anos, no qual a companhia saiu de um prejuízo de R$ 4 bilhões no acumulado de 2020 para encerrar 2024 com um lucro líquido de R$ 879,8 milhões, a Cogna (COGN3) destaca uma estratégia: busca agora fazer o uso da inteligência artificial nos cursos de ensino a distância com uma nova ferramenta chamada Edu e aumentar a quantidade de turmas de medicina pelo programa mais médicos 3. O objetivo é trazer crescimento e pagar cerca de 25% do seu lucro em dividendos aos acionistas, informaram os executivos da empresa em evento fechado com a imprensa para tratar sobre o Cogna Day.
Roberto Valério, CEO da Cogna, explica que a empresa não mudou o discurso e nem a rota dos últimos 4 anos, que inicialmente era desacreditada pelo mercado. Ele diz estar consciente de que ainda tem muita oportunidade nos ativos da própria empresa para crescer, e que a companhia pode chegar a explorar todas essas oportunidades. Para tentar preencher lacunas, a empresa criou o Edu, uma inteligência artificial com foco em melhorar a experiência e o aprendizado dos alunos matriculados no ensino à distância.
Silvia Cima Bizatto, diretora de experiência e aprendizagem, diz que a proposta da inteligência artificial é para personalizar os conteúdos e customizar a jornada de aprendizado dos alunos da graduação a distância. Segundo ela, esse aluno tem em média entre 26 e 28 anos, trabalha o dia todo e tem vontade de melhorar suas perspectivas de vida.
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Por isso, a plataforma vai medir quanto tempo o aluno estuda e as melhores formas de aprendizado que ele possui. Assim, ao término da primeira interação, a plataforma deve gerar um percurso adaptado para a forma de aprendizado do estudante. Outro ponto é que os cursos de engenharia devem ganhar o Edu, um tutor disponível 24 horas que faz interações com questionamentos que auxiliam os alunos.
“A nossa proposta é reduzir a evasão dos cursos, principalmente os de engenharia, que atualmente possuem taxa de 50%. Inicialmente, vamos nivelar os alunos com matérias do ciclo básico e depois vamos avançando com as demais. Por enquanto, o Edu está disponível somente nos cursos de engenharia – a partir de 2026, devemos disponibilizá-lo para os demais cursos”, diz Bizatto.
Cogna espera conseguir metade das vagas do mais médicos 3 que está concorrendo
Se no online o foco será em um tutor com inteligência artificial para reduzir a evasão, o ensino presencial deve continuar focando em cursos de tickets elevados, caso de medicina. A expectativa da companhia é de aumentar o número de vagas oferecido pelo curso. Questionado pelo E-Investidor sobre quantos novos cursos a Cogna pretende abrir, o CEO da Cogna, Roberto Valério, disse que a companhia se inscreveu para oito oportunidades. Ele espera que a companhia consiga pelo menos 4 das oito em que se inscreveu.
Valério lembra que medicina não é o único foco da empresa. Outros cursos, como odontologia, agronomia, enfermagem, direito, fazem parte da estratégia de aulas presenciais da empresa. “E por que estamos querendo aumentar a participação nesse curso? A maioria dos custos desses produtos são fixos. Então, se você cresce a receita com o custo fixo, aumenta a margem. O que passa a ser positivo para a lucratividade da empresa”, diz Valério.
Como devem ficar os dividendos da Cogna em 2025?
Com o aumento de margem por meio dos cursos de alta renda e pela redução da evasão com o uso de inteligência artificial, a companhia planeja melhorar ainda mais o lucro de R$ 879,8 milhões de 2024. Frederico Villa, CFO do Grupo Cogna, não deu nenhuma projeção financeira (guidance) para 2025, mas disse como serão os dividendos da Cogna. “Para o próximo ano, a gente deve ter um dividendo mínimo obrigatório de 25% do lucro. Todavia, como estamos usando ambas as estratégias, de recompra e de distribuição de dividendos, no final, estou usando o mesmo capital”, afirmou Frederico Villa.
Sobre as perspectivas futuras para o cenário macroeconômico, ele disse que a empresa estima que a Selic deve encerrar o ano em 15,25%, um ponto porcentual acima dos atuais 14,25%. Segundo ele, isso não deve trazer problemas para a Cogna (COGN3), visto que a alta de 1 ponto porcentual da Selic tende a aumentar a dívida da empresa em R$ 28 milhões. “Para uma empresa com lucro acima de R$ 800 milhões, que tem gerado caixa, não vejo que o cenário macroeconômico esteja influenciando tanto o nosso negócio”, explica Villa.
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