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Como a alta da inflação pode afetar os investimentos

Os olhos dos investidores podem voltar-se mais atentamente aos ativos de renda fixa

Por Rebeca Soares

29/06/2021 | 3:00 Atualização: 29/06/2021 | 14:57

Para evitar muitas perdas, é importante saber como se proteger da inflação.(Foto: Envato). Foto: Patpitchaya/Shutterstock
Para evitar muitas perdas, é importante saber como se proteger da inflação.(Foto: Envato). Foto: Patpitchaya/Shutterstock

As atualizações do cenário econômico do País, divulgadas pelo Boletim Focus, apontam uma inflação maior para a economia do País. Na edição publicada nesta segunda-feira (28), a projeção para o IPCA passou de 5,90% para 5,97%. Apesar da elevação da inflação, a taxa de juros (Selic) permanece com expectativa de 6,5% para o fim do ano.

Leia mais:
  • ‘Perspectiva é que se restaure o juro real positivo do País’, diz economista
  • Selic a 4,25%: como ficam os investimentos?
  • Focus: Selic no fim de 2021 passa de 6,25% ao ano para 6,50%
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Com Selic e inflação mais altas, os olhos dos investidores podem voltar-se mais atentamente aos ativos de renda fixa, seja prefixado ou pós-fixado, já que esses investimentos rendem com base na taxa de juros (Selic) e pela medida de inflação (IPCA).

Simone Faganello, analista de produtos de renda fixa da Ágora Investimentos, sugere que o investidor busque calcular o valor do juro real, ou seja, a taxa de juros menos a inflação. “Há CDBs, LCAs e LCIs que pagam a variação da inflação. Além disso, existem os papéis mais arriscados de renda fixa que remuneram um pouco melhor em relação a essa diferença entre juros e inflação, que são os de crédito privado como debêntures, CRIs e CRAs”, afirma.

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O especialista em investimentos da Genial Investimentos, Luigi Wis, destaca que os ativos de renda fixa atrelados à inflação, ou seja, que têm o IPCA como base, como CDB, Tesouro Direto e Debêntures, funcionam como proteção. “O investidor deve procurar alternativas atreladas ao IPCA para proteger-se de uma alta da inflação, tendo cuidado com os pós-fixados de curto prazo atrelados à taxa Selic”, alerta Wis.

Pedro Vendramini, economista da One Investimentos, comenta que o aumento da inflação não é uma surpresa para o mercado nacional ou internacional, visto o período de crise sanitária que resultou no fechamento de fábricas e serviços, além da distribuição de renda do governo federal para garantir necessidades básicas das pessoas de baixa renda.

Ele destaca que a Selic esteve em mínimas históricas desde agosto de 2020 até janeiro deste ano, o que causou forte migração para os investimentos de renda variável durante a pandemia, já que a renda fixa não cobria os juros reais.

“É preciso ter no radar as decisões das autoridades monetárias para equilibrar juros e inflação. Em um cenário inflacionário, quando o BC mantém juros próximos a zero por muito tempo, o juro real (descontado da inflação) fica negativo, causando um cenário menos atrativo para a renda fixa”, diz Vendramini.

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Para os próximos encontros, o Copom espera continuar a “normalização” da economia após a crise advinda da pandemia. O Comitê reconhece a possibilidade de uma deterioração das expectativas de inflação, o que pode resultar na redução de estímulos monetários. Entretanto, outras variáveis serão decisivas, como a evolução da atividade econômica, o balanço de riscos e como esses fatores podem afetar as projeções de inflação.

Renda Variável e Inflação

De acordo com os analistas do mercado financeiro, as ações não tendem a sofrer grandes impactos com o aumento da inflação. Como as empresas listadas na Bolsa já são consolidadas, elas conseguem repassar o aumento do preço para o consumidor final. O que pode, inclusive, gerar mais renda para as companhias.

“Alguns setores, como empresas do setor imobiliário podem sofrer mais. Entretanto, o mercado de ações em geral não deve sentir tanta influência com o aumento da inflação. A não ser que se prolongue mais do que o esperado”, comenta Luigi Wis.

Segundo Vendramini, a expectativa de ajuste da inflação, resulta em juro real de longo prazo maior. “Quando a relação entre juros e inflação está ajustada, o juro real de longo prazo tende a estabilizar em níveis mais baixos, o que compromete os retornos”, explica o economista da One Investimento.

Ele complementa que a taxa de juros elevada pode descontar no valor das empresas de utilidades (energia, água e saneamento), por terem fluxo de caixa mais constante. Por outro lado, as companhias do setor imobiliário podem ser beneficiadas com os juros de longo prazo menores.

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