No caso de debêntures da Raízen, além de 64,6% que estavam nas mãos da Itaú Asset, o banco mais exposto à empresa era o Banco do Brasil, que ficava com 10,3% do volume total de debêntures da companhia em fundos (R$ 194 milhões). Ele era seguido pelo BTG, que tinha 5,9% (R$ 111 milhões); o Santander, que tem 1% (R$ 19 milhões), e o Bradesco e a XP, que ficam com 0,3% (R$ 6,2 milhões e R$ 5,8 milhões, respectivamente). O restante (17,5%) do volume (R$ 331 milhões) está pulverizado entre as gestoras independentes.
| Títulos (principalmente debêntures) nos fundos dessas gestoras em 30/11/2025 |
Raízen R$ x 1000 |
Participação em relação ao total da amostra |
GPA (CBD) R$ x 1000 |
Participação em relação ao total da amostra |
| BB |
194.906,5 |
10,3% |
0,0 |
0,0% |
| Bradesco |
6.282,8 |
0,3% |
0,0 |
0,0% |
| BTG Pactual |
111.765,0 |
5,9% |
0,0 |
0,0% |
| Caixa |
0,0 |
0,0% |
0,0 |
0,0% |
| Itaú |
1.222.121,5 |
64,6% |
1.274,5 |
0,5% |
| Santander |
19.300,2 |
1,0% |
0,0 |
0,0% |
| XP |
5.823,8 |
0,3% |
0,0 |
0,0% |
| Outros |
331.875,4 |
17,5% |
242.758,8 |
99,5% |
| Total (R$ x 1000) |
1.892.075,3 |
100,0% |
244.033,3 |
100,0% |
Os dados são de 30 de novembro de 2025, pois os fundos demoram cerca de três meses para divulgar suas carteiras. É possível que existam mais títulos do GPA e Raízen nos fundos, mas Rochman aponta que não é fácil de capturar por causa dos sistemas de cada gestora. “Por isso a tabela é uma aproximação da realidade”. Lembrando que foram considerados na conta apenas fundos de investimento: as instituições financeiras podem ter mais debêntures espalhadas em suas carteiras administradas e, no caso dos bancos, em suas tesourarias, conclui.
Procurado, o Itaú aponta que, atualmente, a exposição da gestora na Raízen representa menos de 0,2% do patrimônio líquido dos fundos que investem em crédito privado. Considerando a dívida total da companhia, a exposição é inferior a 2% da dívida bruta.
Estudo feito por Einar Rivero, da Elos Ayta, mostra que os fundos do banco têm menos de 1% alocado nas debêntures.
| Fundo |
Total de debêntures da Raízen na carteira (em R$) |
Porcentual da carteira |
Patrimônio |
Data da carteira |
| Top RF Mix Cred Priv LP FIF Resp Limitada |
26.092 |
0,51 |
5.072.120 |
30/11/2025 |
| Special RF Ref DI FIF Resp Limitada |
54.336 |
0,00042 |
129.359.979 |
31/01/2026 |
| Itaú RF Cred Priv Master Active Fix FIF Resp Limit |
76.409 |
51,00 |
14.852.840 |
30/11/2025 |
| Itaú RF Cred Priv Diferenciado Fundo |
128.098 |
0,30 |
42.171.029 |
30/11/2025 |
| Itaú Flexprev High Yield FIF RF Cred Priv – Resp L |
81.316 |
0,51 |
15.963.563 |
30/11/2025 |
| Itaú Flexprev Active Fix FIF RF Cred Priv – Resp L |
76.865 |
0,51 |
15.260.618 |
30/11/2025 |
| Itaú Flexprev Sinfonia FIF Mult Cred Priv – Resp L |
133.841 |
0,90 |
14.889.965 |
30/11/2025 |
| Itaú Sinfonia Mult Cred Priv FIF Resp Limitada |
79.745 |
0,90 |
8.819.671 |
30/11/2025 |
| Itaú Flexprev High Yield II FIF Mult Créd Priv – R |
276.307 |
0,51 |
54.252.993 |
30/11/2025 |
| Itaú Deb Inc CDI V FIF Incentivado Infra RF Cred P |
20.587 |
0,69 |
2.964.636 |
30/11/2025 |
| Itaú Debêntures Incentivadas CDI VI FIF Incentivad |
83.423 |
0,80 |
10.412.930 |
30/11/2025 |
| Itaú Private Deb Incentivadas Pós Fixado Fundo Inc |
27.125 |
0,86 |
3.163.106 |
30/11/2025 |
Quando estourou a fraude das Americanas, o Itaú também era um dos mais expostos a títulos da empresa, o que fez com que deixasse de liderar o ranking dos Melhores Fundos feito pela FGV por dois anos consecutivos. Contudo, o valor que o banco tinha investido na rede varejista empresa era bem maior do que o que tem na Raízen: beirava R$ 3 bilhões.
Em fundos de renda fixa ou crédito privado, que normalmente têm volatilidade baixa, uma perda de 1% em poucos dias já é suficiente para derrubar o desempenho relativo no ranking anual. Rankings geralmente avaliam rentabilidade ajustada ao risco em 12 ou 24 meses. Quando alguns fundos grandes da casa sofrem quedas abruptas de cota, volatilidade inesperada e resgates pesados, isso puxa para baixo o resultado médio da gestora no período.
Debêntures GPA
Já no caso das debêntures do GPA, os grandes bancos não tinham nenhuma exposição aos títulos em novembro, exceto o Itaú, que tinha 0,5%. Neste caso, as seguintes gestoras de fundos independentes concentram o volume de debêntures, por ordem da maior para menor concentração: AZ Quest, SPX, Legacy, JGP, Valora, Vinland e Scalare, conforme tabela abaixo:
| Gestoras |
Títulos GPA em 30/11/2025 em R$ x 1000 |
Part. % |
| Az Quest |
171.075,9 |
50,6% |
| Spx Capital |
52.673,4 |
15,6% |
| Legacy Capital |
22.904,2 |
6,8% |
| Jgp Gestão de Crédito Ltda. |
16.699,5 |
4,9% |
| Valora Renda Fixa Ltda. |
14.498,2 |
4,3% |
| Vinland Capital Management Credito Priva |
14.260,9 |
4,2% |
| Scalare Capital |
12.586,0 |
3,7% |
| Af Invest |
8.030,8 |
2,4% |
| Vista Real Estate |
6.201,8 |
1,8% |
| Credit Suisse Hedging-Griffo Wealth Mana |
1.572,3 |
0,5% |
| Norte Asset Management Gestão de Recurso |
1.545,2 |
0,5% |
| Itau Asset |
1.274,5 |
0,4% |
| Riza Líquidos |
787,0 |
0,2% |
| Suno Asset Management |
692,7 |
0,2% |
| Quatá Investimentos |
656,1 |
0,2% |
| Rubik Capital |
467,2 |
0,1% |
| Tivio Capital |
359,0 |
0,1% |
| Schroder Investment |
168,8 |
0,0% |
| BNP Paribas Asset Ma |
165,6 |
0,0% |
| Multinvest Capital |
134,5 |
0,0% |
| Xp Advisory Gestao de Recursos |
83,3 |
0,0% |
| Daycoval Asset Manag |
42,1 |
0,0% |
| Guardian Gestora |
22,1 |
0,0% |
| Kadima Gestão |
16,2 |
0,0% |
| Lakewood Investment Management |
3,7 |
0,0% |
| Outras |
11.231,4 |
3,3% |
| Total (R$ x 1000) |
338.152,5 |
100,0% |
A Az Quest tem títulos da Raízen distribuídos em cinco estratégias diferentes. Ou seja, cada fundo pode ter um porcentual diferente dos títulos. Mas o fundo com maior exposição às debêntures do GPA tinha 2% de sua carteira atrelada aos títulos. Dos R$ 40 bilhões sob gestão da AZ Quest, R$ 30 bilhões estão relacionados a fundos de crédito.
Impacto para os cotistas
O impacto para o investidor vai depender da concentração dos títulos dessas empresas nas carteiras de cada um dos fundos. Rochman crê que esses impacto será, em geral, limitado.
Contudo, o investidor vai perceber queda no valor de sua cota, pois os fundos terão que marcar o valor dos títulos ao mercado. “Entre esta e a próxima semana veremos os impactos”, aponta Rochman.
Ainda que as debêntures representam 0,90% dos fundos, caso caíam 50%, como aconteceu com alguns títulos da Raízen, o cotista já verá uma marcação a mercado negativa de 0,45%. “O valor da cota cai de um dia para outro. Não precisa ter muito na carteira para sentir as dores da desvalorização das debêntures“.
Depois da marcação a mercado, restará esperar o plano de recuperação. As gestoras poderão tentar vender os títulos no mercado, mas, neste caso, amargarão perdas.