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Mercado

Empiricus rejeita pessimismo do mercado, vê alta histórica do Ibovespa e já mira cortes na Selic

Casa fundamenta tese para o mercado financeiro brasileiro sobre 3 pilares; “Hora de comprar é agora”, diz

Retrato de busto sob fundo azul escuro.
Por Jenne Andrade
Editado por Wladimir D'Andrade

21/02/2025 | 9:30 Atualização: 20/02/2025 | 19:44

Veja análise da Empiricus para a Bolsa (Foto: Adobe Stock)
Veja análise da Empiricus para a Bolsa (Foto: Adobe Stock)

O ano de 2024 chegou ao fim com uma alta histórica do dólar, dos juros futuros, revisões de inflação para cima e um sentimento de que tudo continuaria piorando. Isto porque o principal motivador para o estresse, a decepção com as medidas para contenção dos gastos anunciadas pelo governo federal e a percepção de falta de comprometimento com as contas públicas, seguia, e segue, sem solução. Por isso, a recuperação dos ativos domésticos no Ibovespa nestes dois primeiros meses de 2025 surpreendeu.

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Em 2025, o Ibov sobe 6,08%, o dólar cai 7,7%, os juros futuros demonstram certa estabilidade e a inflação parece mais benigna. Em janeiro, por exemplo, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,16%, a menor taxa para o mês desde o Plano Real. Um “voo de galinha” para grande parte do mercado e uma oportunidade de compra ímpar para a Empiricus.

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A casa rejeita o pessimismo corrente e vê um possível ciclo histórico de valorização do Ibovespa se iniciando. “Discordo da interpretação que aponta ativos brasileiros subindo no vazio”, afirma a Empiricus, em relatório enviado com exclusividade ao E-Investidor. “Há um ambiente mais positivo para mercados emergentes e para o Brasil se formando, capaz de alimentar uma trajetória secular (ou de uma década inteira) à frente.”

Projeções “ousadas” para a taxa básica de juros em 2025, na visão da Empiricus, precisarão ser revistas. Seja pela queda do dólar e pela inflação mais branda ou por uma postura menos dura do Banco Central de Gabriel Galípolo. “O fato é que uma Selic muito acima de 15,5% parece improvável”, diz a instituição, que já vê o início do ciclo de cortes no horizonte. “Deve acontecer entre o final deste ano e o começo do próximo, com a devida antecipação dos juros menores nas cotações das ações.”

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Por fim, o resultado dessa possível inversão brusca de conjuntura é também uma mudança nas preferências da Bolsa de Valores. As ações hoje “esquecidas”, de varejo, construção e educação, também devem voltar aos holofotes e de maneira rápida. “Dado o nível de short (apostas na baixa das ações) dessas companhias, o movimento seria brutal”, provoca a Empiricus.

Os 3 pilares da tese da Empiricus para o mercado financeiro brasileiro

1. “All-in” em inteligência artificial? Não mais

O primeiro fator que apoia essa tese é a melhora na liquidez global após arrefecimento da euforia em torna das ações do setor de inteligência artificial nos EUA. Para a Empiricus, ações como as da Nvidia sugavam todo o capital estrangeiro. Com o evento “DeepSeek”, empresa chinesa que criou uma IA investindo supostamente muito menos, esse fluxo foi quebrado.

Em apenas um dia, só a Nvidia perdeu R$ 600 bilhões em valor de mercado – e esse capital saindo das empresas de IA precisa ir para algum lugar. Neste sentido, o Brasil está bem posicionado para receber esse fluxo, com ativos baratos, demanda doméstica forte e menos vulnerável a guerras tarifárias, por menor exposição ao comércio global.

  • Leia também: Fluxo de investidores estrangeiros na B3 em janeiro é o maior desde agosto

“O gringo tem sido forte comprador de ações brasileiras nos últimos dias, inclusive forçando o encerramento de posições vendidas em Ibovespa Futuro por locais — falamos de um volume de R$ 11 bilhões desde o dia 11 de fevereiro, com redução de short nesse período de 185 mil contratos para 111 mil contratos no consolidado”, aponta a Empiricus.

A China também surpreende com uma recuperação dos mercados. “A melhora da China implica um empurrão duplo aos mercados brasileiros. O primeiro decorre da sustentação dada ao preço de algumas de nossas principais commodities”, afirma a Empiricus. “E o segundo se liga à dinâmica do fluxo de capitais: certo ou errado, o Brasil é percebido como uma derivada de China e muito investidor global acaba alocando aqui depois da pernada por lá.”

2. Risco de dominância fiscal ficou no passado

Outro fator que deve abrir caminho para um ciclo de alta da Bolsa é o afastamento do risco de “dominância fiscal”, quando o descontrole das contas públicas é tamanho que subir os juros se torna ineficiente para controlar a inflação. A política monetária perde o efeito.

Esse risco estava vivo no radar do mercado no ano passado, em meio à espiral de pessimismo pós-divulgação do pacote de corte de gastos. Agora, o cenário já não caminha mais para essa direção, pelo menos para a Empiricus, uma vez que há sinais de desaceleração da atividade e de que a inflação pode estar entrando nos eixos. “Observamos a política monetária fazendo efeito e promovendo a desejada desaceleração da atividade”, afirma a Empiricus. A casa espera uma rodada de revisões para baixo das projeções para os juros e para a inflação, incluindo aquelas contidas no Boletim Focus, a partir destes novos dados econômicos.

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Toda essa mudança no cenário deve provocar uma movimentação de capital na B3, das ações “resilientes a qualquer cenário”, como bancos e utilities (companhias que oferecem serviços básicos, como energia e saneamento), para as ações hoje preteridas, como varejo e construção civil.

3. Presidente Lula sem saída

Por último, a Empiricus vê poucas saídas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomar a popularidade. A última pesquisa do DataFolha mostrou que apenas 24% da população aprova o governo do petista, o menor índice de todos os mandatos dele. Esse dado alimentou apostas em uma troca do Executivo nas eleições de 2026, o que empurrou a Bolsa para cima e o dólar para baixo, com os investidores precificando uma mudança na política econômica. Talvez, para uma mais “pró-mercado”, mas somente a possibilidade de troca já desengataria um ciclo de valorização.

“A interpretação imediata é de que Lula terá grande dificuldade para se reeleger”, diz a Empiricus. As condições econômicas também não estão favoráveis ao presidente. “A Selic ainda está subindo e isso vai bater na atividade. O desemprego sobe, o índice de miséria se eleva, a confiança do consumidor cai. A tendência é de piora adicional da popularidade, não melhora.”

  • “Trade de eleição”: por que 2026 já começou a movimentar os investimentos

E ainda que o governo invista em um aumento de gastos para tentar avançar nos índices eleitorais, a resposta imediata será uma disparada do dólar e dos juros futuros, que em última instância alimentam a inflação – o que também resulta em uma queda de popularidade e aumento de derrota em 2026. Por outro lado, se optasse por um ajuste fiscal, o dólar cairia ainda mais, assim como os juros e perspectivas para a inflação, o que também desenrolaria um ciclo de alta da Bolsa.

O resumo da Empiricus é: ainda que o Executivo dobre a aposta em aumento de gastos para reverter a queda da aprovação, as medidas levarão ao efeito contrário, com deterioração do cenário. E se 2025 for ruim para os ativos em função do aumento risco fiscal, isto contrataria uma alternância do ciclo político, sugerindo um rali eleitoral do Ibovespa em 2026. Já se 2025 for bom, caso Lula avance em uma agenda de cortes de gastos, então não haverá problema. “Por ora, não é nada claro. Essas coisas ficam óbvias a posterior. E, então, pode ser tarde demais. A hora de comprar é agora”, conclui.

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