Ibovespa hoje: veja como foi o pregão desta quarta-feira (26). (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje acompanhou o bom humor externo e fechou em novo nível recorde. Nesta quarta-feira (26), o principal índice da B3 encerrou em alta de 1,7% aos 158.554,94 pontos. Mais cedo, chegou a bater máxima aos 158.713,52 pontos, maior patamar intradia da sua história.
No exterior, as atenções se voltaram a indicadores americanos de atividade, além do Livro Bege do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos). O documento apontou que as perspectivas permaneceram amplamente inalteradas, mas com alguns distritos observando um risco aumentado de atividade mais lenta nos próximos meses, enquanto algum otimismo foi observado entre os fabricantes.
Ainda segundo o Livro Bege, o consumo geral caiu ainda mais nos distritos, enquanto o gasto no varejo de alto padrão permaneceu resiliente. Em paralelo, a atividade econômica pouco mudou desde o relatório anterior, embora dois distritos tenham notado um declínio modesto.
Já no cenário doméstico, o mercado repercutiu o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de novembro, que, apesar de mostrar leve alta, corroborou as expectativas de economistas de que o Banco Central vai começar a cortar a Selic no início do ano que vem. A agenda interna contou ainda com a sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil.
Ao mesmo tempo, investidores monitoraram questões fiscais, com a divulgação à tarde do resultado primário do Governo Central de outubro, após o Senado aprovar ontem, por 57 votos a zero, um projeto de lei que concede aposentadoria especial a agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias, elevando os gastos públicos, que já extrapolam o orçamento.
Considerada uma “pauta-bomba” pelo governo devido ao impacto fiscal, a medida agora segue para apreciação na Câmara. O Ministério da Previdência estimou um impacto de R$ 24,72 bilhões em dez anos, enquanto a Confederação Nacional dos Municípios calcula R$ 103 bilhões.
Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o IPCA-15. A taxa do índice acelerou a 0,20% em novembro, após ter avançado 0,18% em outubro. Com o resultado, o IPCA-15 registra alta de 4,50% em 12 meses, ante taxa de 4,94% até outubro. O dado ficou acima da mediana das estimativas encontrada na pesquisa feita pelo Projeções Broadcast, de 0,18%.
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Entre as commodities, o petróleo Brent encerrou em valorização de 1,19% e o minério de ferro fechou com alta de 0,19% em Dalian, na China.
No câmbio, o dólar hoje recuou ante moedas fortes no exterior. Em relação ao real, a moeda fechou em queda de 0,78% cotada a R$ 5,3346.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações desta quarta-feira (26)
Bolsas globais avançam apoiadas por expectativa de corte de juros do Fed
Os índices de NY subiram, apoiados pela confiança em corte de juros pelo Fed em dezembro e pela possível indicação de Kevin Hassett para presidir o BC americano.
As Bolsas da Europa fecharam em alta, com investidores ponderando ainda possíveis efeitos do orçamento do Reino Unido, anunciado hoje. Em Londres, o FTSE 100 encerrou em valorização de 0,85%, a 9.691,58 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,98%, a 23.695,23 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,88%, a 8.096,43 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 1,01%, a 43.130,32 pontos. Em Madri, o Ibex 35 registrou ganhos de 1,36%, a 16.361,10 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 se valorizou 0,95%, a 8.126,36 pontos.
No câmbio, o dólar hoje avançou ante o iene, mesmo após a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmar que seu governo tomará “medidas adequadas” no mercado de câmbio.
IPCA-15 avança 0,20% em novembro acima das projeções
IPCA-15 é conhecido como prévia da inflação. (Foto: Adobe Stock)
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 0,20% em novembro e ficou 0,02 ponto percentual (p.p.) acima do resultado de outubro (0,18%). O resultado veio acima da mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,18%, com intervalo entre avanços de 0,10% e 0,23%.
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Também recuaram a gasolina (-0,48%), impulsionada pela redução dos preços para distribuidoras anunciada pela Petrobras, e a energia elétrica residencial (-0,38%), ainda afetada pela mudança na bandeira tarifária em outubro.
Segundo Rodrigo Marques, gestor e economista-chefe da Nest Assset Management, a partir do resultado do IPCA-15 de hoje, as expectativas de desinflação continuam nos próximos meses. “Essa trajetória benigna dos núcleos aumenta a possibilidade da queda da Selic no primeiro trimestre de 2026″.
Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, a queda nos preços das commodities e a desvalorização do dólar frente ao real têm contribuído para aliviar a pressão sobre os alimentos e os bens industriais. ”Essa recente melhora nos preços é muito bem-vinda, mas não significa que a inflação está sob controle”, avalia Moreno, cuja expectativa é de que o IPCA termine o ano em 4,5%, no limite do intervalo de tolerância da meta.
Para os juros, a economista do C6 acredita que o ciclo de cortes começará apenas em março do ano que vem, com os a Selic terminando 2026 em 13%.
Agenda econômica do dia
No Brasil, as contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) tiveram superávit primário de R$ 35,527 bilhões em outubro, informou o Tesouro Nacional. Em setembro, houve déficit primário de R$ 14,497 bilhões. O resultado de outubro ficou praticamente em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que indicava superávit primário de R$ 36,875 bilhões. As estimativas do mercado iam de R$ 12,0 bilhões a R$ 43,40 bilhões.
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Nos Estados Unidos, as encomendas de bens duráveis subiram 0,5% em setembro ante agosto, a US$ 313,7 bilhões, segundo dados publicados hoje pelo Departamento do Comércio do país. O resultado confirmou as projeções dos analistas consultados pela FactSet, que previam aumento de 0,5% no período.
O número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na semana encerrada em 22 de novembro foi de 216 mil, com uma diminuição de 6 mil em relação ao nível revisado da semana anterior. O número ficou abaixo da previsão compilada pela FactSet, que era de 230 mil pedidos. Os dados foram divulgados pelo Departamento do Trabalho nesta quarta-feira.
Na agenda doméstica, o projeto de lei que aumenta a taxação das bets e das fintechs está pautado para votação na reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Em paralelo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez palestra sobre perspectivas para o Brasil em 2026 em evento do UBS. O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reuniu-se pela manhã com o embaixador interino e encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar.
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Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Maria Regina Silva, Anna Scabello, Gabriela Jucá, Daniel Tozzi, Silvana Rocha e Luciana Xavier, do Broadcast