O mercado digeriu a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de serviços prestados caiu 0,4% em dezembro ante novembro. O resultado ficou maior do que a mediana das estimativas da pesquisa feita pelo Projeções Broadcast, de queda de 0,1%, com intervalo entre uma retração de 1,0% a uma alta de 0,6%.
“Acredito que a notícia de moderação da atividade no setor de serviços foi marginalmente positiva, e ajudou, sem dúvidas, a dar leve alívio à curva de juros, mas não foi suficiente para garantir sinal positivo ao pregão”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
No radar do mercado, também esteve o balanço do Banco do Brasil (BBAS3) do quarto trimestre de 2025. O banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, uma queda de 40,1% em relação ao mesmo período de 2024. Na comparação com o terceiro trimestre, o resultado avançou 51,7%. O lucro superou previsões, mas a inadimplência na carteira do agronegócio ainda levantou preocupações entre analistas. Veja a repercussão do balanço nesta matéria.
As ações do BB subiram 4,5% nesta quinta-feira. Os ativos do Itaú (ITUB4) cederam 2,29%, os do Santander (SANB11) despencaram 4,88% e os do BTG Pactual (BPAC11) recuaram 0,91%. Os papéis do Bradesco (BBDC3;BBDC4) também se saíram mal: os ordinários (BBDC3) caíram 1,34% e os preferenciais (BBDC4), 1,44%.
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq cederam 1,57%, 1,34% e 2,03%, respectivamente. Após os dados do payroll (relatório oficial de emprego dos Estados Unidos) terem vindo acima das expectativas, o mercado agora aguarda o índice de preços ao consumidor (CPI), que sairá na sexta-feira (13).
No mercado doméstico de câmbio, o dólar hoje fechou em alta de 0,25% cotado a R$ 5,2004, depois de ter atingido o menor nível desde maio de 2024 na última sessão. “A moeda americana também subiu no exterior, em um dia de maior aversão ao risco, com o mercado vendendo ações e indo para Treasuries (títulos públicos americanos)”, diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Assaí (ASAI3), Ambev (ABEV3) e Banco do Brasil (BBAS3).
Assaí (ASAI3): 5,09%, R$ 9,7
As ações do Assaí (ASAI3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 5,09% a R$ 9,7, após o balanço do quarto trimestre da companhia. Para a XP, a empresa reportou resultados em linha com o esperado, com revisão de guidance (projeção) e novas iniciativas de monetização para reforçar o foco em desalavancagem. Já a Ativa destacou que a parceria com o Mercado Livre e a ampliação do negócio com o iFood devem trazer tração para a receita do Assaí.
A ASAI3 está em alta de 13,19% no mês. No ano, acumula uma valorização de 34,72%.
Ambev (ABEV3): 4,76%, R$ 16,52
Os papéis da Ambev (ABEV3) também se saíram bem e avançaram 4,76% a R$ 16,52. A companhia registrou lucro líquido de R$ 4,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, queda de 9,9% em relação a igual período do ano anterior. O resultado veio 13% acima da previsão dos analistas consultados pelo Prévias Broadcast. A projeção era de ganho de R$ 3,99 bilhões no período, de acordo com a média das projeções de cinco casas (Citi, Itaú BBA, BTG Pactual, XP Investimentos e Santander).
A ABEV3 está em alta de 11,25% no mês. No ano, acumula uma valorização de 19,19%.
Banco do Brasil (BBAS3): 4,5%, R$ 26,03
Outro destaque positivo foi o Banco do Brasil (BBAS3), com valorização de 4,5% a R$ 26,03. O lucro da empresa no 4T25 veio 36% acima da previsão dos analistas consultados pelo Prévias Broadcast. A estimativa era de ganho de R$ 4,21 bilhões no período, de acordo com a média das estimativas de sete casas consultadas (Citi, BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of América, Goldman Sachs, Morgan Stanley e XP).
A BBAS3 está em alta de 3,21% no mês. No ano, acumula uma valorização de 18,75%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Raízen (RAIZ4), Braskem (BRKM5) e CSN (CSNA3).
Raízen (RAIZ4): -12,99%, R$ 0,67
Os papéis da Raízen (RAIZ4) sofreram a pior queda do Ibovespa hoje e despencaram 12,99% a R$ 0,67. Na terça-feira (10), os ativos já haviam afundado 8,33% no pregão.
A RAIZ4 está em baixa de 34,95% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 17,28%.
Braskem (BRKM5): -11,27%, R$ 9,61
Quem também se saiu mal foi a Braskem (BRKM5), que despencou 11,27% a R$ 9,61. O movimento ocorreu simultaneamente à notícia de que a petroquímica teria, supostamente, sido a maior responsável pelo impacto negativo na carteira de crédito do Banco do Brasil, afetando a taxa de inadimplência do banco, segundo disseram fontes à Broadcast.
Em comunicado ao mercado, após o fechamento do pregão, a companhia esclareceu que não possui, ou possuía em 2025, exposição financeira material junto ao Banco do Brasil e que está adimplente com as obrigações financeiras mantidas com tal instituição financeira, não tendo ocorrido qualquer inadimplemento no referido período de 2025.
A BRKM5 está em alta de 4,23% no mês. No ano, acumula uma valorização de 21,8%.
CSN (CSNA3): -9,56%, R$ 8,7
As ações da CSN (CSNA3) completaram os destaques negativos do Ibovespa hoje, após tombarem 9,56% a R$ 8,7, em dia de queda do minério de ferro no exterior.
A CSNA3 está em baixa de 13,6% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 2,68%.
*Com Estadão Conteúdo