Ao longo do dia, investidores também acompanham operações do Banco Central (BC) no mercado de câmbio e de juros, além da continuidade da temporada de balanços corporativos. Às 11h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concede entrevista ao UOL e a agenda traz a divulgação da balança comercial. Após o fechamento do mercado, o balanço do Bradesco deve influenciar o desempenho do setor financeiro na B3.
No exterior, as decisões de política monetária pelo Banco Central europeu (BCE) e Banco da Inglaterra (BoE) ficam em destaque. Para o BCE, a expectativa é de manutenção em 2% pela quinta vez consecutiva, mas que o euro forte pode colocar em debate a flexibilização. Já o BC inglês deve manter os juros em 3,75% e as atenções estarão se o placar será novamente dividido em meio a preocupações com a inflação.
Nos Estados Unidos, entram no radar os pedidos semanais de auxílio-desemprego e o relatório Jolts, que aponta o número de vagas abertas na economia e serve como termômetro da força do mercado de trabalho, além de discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Na sessão de quarta-feira (4), o Ibovespa fechou em forte queda de 2,14%, aos 181.708,23 pontos, pressionado principalmente pelo desempenho negativo das ações de bancos e por uma combinação de fatores locais e externos. O pregão foi marcado pela repercussão do relatório ADP de emprego nos Estados Unidos, que mostrou a criação de apenas 22 mil vagas no setor privado em janeiro, bem abaixo das expectativas do mercado. O dado reforçou a leitura de desaceleração da economia americana e aumentou as apostas de retomada do ciclo de cortes de juros pelo Fed.
Ibovespa hoje: os principais destaques do mercado de ações nesta quinta-feira (5)
Bolsas no exterior
A cautela predomina nas bolsas internacionais em meio a balanços, como Shell e BNP Paribas, e em compasso de espera por decisões de juros na Europa. Na madrugada, a Bolsa de Londres cedia 0,42%, com as ações da Shell em queda de 1,9% após recuo no lucro. A Bolsa de Frankfurt ganhava 0,13%. Paris tinha avanço de 0,48%. A Bolsa de Milão apontava valorização de 0,20% e a de Lisboa estava em queda de 0,51%. Madri marcava baixa de 0,4%.
No pré-mercado em NY, as ações da Alphabet caíam mais de 2% após a controladora do Google anunciar lucro acima do esperado, mas informar que dobrará seus gastos. Há pouco, no mercado futuro, o Dow Jones cedia 0,09%, o S&P 500 avançava 0,08% e o Nasdaq ganhava 0,24%.
O Dollar Index sobe após a diretora do Fed, Lisa Cook, ter dito que este é o “momento certo” para sentar e esperar para ver o que acontece em meio a um cenário de política monetária “um pouco” restritiva.
As Bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em queda, com o índice sul-coreano Kospi registrando perdas acentuadas. Em Tóquio, o índice japonês Nikkei fechou em baixa de 0,9%, aos 53.818,04 pontos, enquanto em Seul, na Coreia do Sul, o Kospi caiu 3,9%, a 5.163,57 pontos.
Em Hong Kong, o índice Hang Seng terminou perto da estabilidade, com variação de 0,1%, aos 26.885,24 pontos. O índice chinês Xangai Composto fechou em baixa de 0,6%, aos 4.075,92 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto perdeu 1,3%, a 2.650,65 pontos.
O Taiex, de Taiwan, registrou desvalorização de 1,5%, aos 31.801,27 pontos e a bolsa australiana marcou perdas, com o índice S&P/ASX recuando 0,43%, para 8.889,20 pontos.
Commodities e metais
Os contratos futuros de petróleo recuam na madrugada desta quinta-feira, após Estados Unidos e o Irã chegarem a um acordo para realizar negociações nucleares em Omã na última sexta-feira (30), pondo fim a um impasse sobre o que seria discutido e reiniciando uma delicada dança diplomática.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter conversado na quarta-feira (4) com Xi Jinping sobre a “situação no Irã”, horas depois de o líder chinês ter realizado uma ligação com Moscou sobre as mesmas tensões crescentes, segundo o The Wall Street Journal.
O petróleo WTI para março negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) cedia 1,6%, a US$ 64,09 o barril. Já o Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuava 1,6%, a US$ 68,34 o barril.
Já o contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em queda de 1,73%, cotado a 768,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 110,7. O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em queda de 1,77%, a 751 yuans, o equivalente a US$ 108,18 por tonelada.
O que mais esperar do Índice Bovespa
O tom mais defensivo no exterior, com queda das bolsas e do petróleo, tende a pesar no Ibovespa. O mercado também repercute o balanço do Itaú Unibanco. O dólar mais forte no exterior pode pressionar o real. O EWZ, principal ETF (fundo de investimento negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação) brasileiro negociado em NY, tinha leve queda há pouco no pré-mercado.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, confirmou que o governo não tinha conhecimento prévio dos projetos de lei aprovados na véspera pelo Congresso que ampliam os ganhos dos servidores do Legislativo. Agora os deputados se movimentam para turbinar a verba de seus próprios gabinetes.
Segundo parlamentares ouvidos pelo Estadão/Broadcast, um ato da Mesa Diretora seria editado para aumentar a verba de gabinete dos atuais R$ 133 mil para mais de R$ 160 mil. A preocupação com piora fiscal em ano de eleições pode manter alguma cautela nos mercados, em especial na ponta longa de juros.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Patricia Lara, Cecília Mayrink, Luciana Xavier e Silvana Rocha, da Broadcast