Investidores monitoram cenário externo e dados da indústria brasileira para consolidar trajetória de alta do Ibovespa. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje reflete preocupações renovadas sobre a guerra no Oriente Médio, com reflexos vindo principalmente do preço do petróleo, que voltou a subir nesta quinta-feira (2). O mercado financeiro global reage ao discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na noite de ontem ameaçou atacar o Irã com “extrema força” nas próximas duas a três semanas.
A fala caiu como um balde de água fria nos investidores, que estavam esperançosos na véspera por um tom mais apaziguador do presidente americano sobre o conflito, aumentando as incertezas especialmente sobre o setor de energia.
Na agenda doméstica, embora o dia não reserve grandes catalisadores de volatilidade para a B3, a atenção se volta à divulgação dos dados da produção industrial de fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que, no geral, mostrou avanço na indústria em fevereiro.
No exterior, o mercado calibra as expectativas para uma sequência de indicadores macroeconômicos. O destaque fica para a divulgação dabalança comercial dos EUA, dado essencial para entender a dinâmica de trocas da maior potência global.
Cruzando o globo, o sentimento do investidor também será pautado pelo desempenho da atividade na Ásia, com a leitura dos índices de gerentes de compras (PMIs) do Japão e da China, que funcionam como termômetros para a saúde da indústria e o ritmo de crescimento econômico no continente.
Bolsas reagem ao discurso de Trump
Os mercados financeiros do mundo hoje repercutem o discurso de 19 minutos em cadeia nacional do presidente americano, realizado na noite de ontem. Trump defendeu o que chamou de “sucesso” da guerra no Oriente Médio e repetiu uma lista de conquistas militares no conflito que, segundo ele, está perto do fim. Pressionado pela alta dos combustíveis nos EUA e pelo índice de aprovação cada vez pior, ele reiterou o prazo de “duas a três semanas” para encerrar os combates.
“Nas próximas duas ou três semanas, vamos levá-los [Irã] de volta à Idade da Pedra, onde é o lugar deles”, afirmou. “Enquanto isso, as negociações continuam.”
A fala contraditória pendeu para o lado das incertezas do conflito e faz pressão sobre os ativos financeiros do mundo todo nesta quinta-feira. As Bolsas de Nova York operam em baixa. Às 11h20 (de Brasília), o Dow Jones recuava 1,01%, o S&P 500 caía 0,84% e o Nasdaq tinha perda de 1,08%. Os rendimentos dos Treasuries(títulos públicos americanos) e de títulos soberanos europeus operavam em alta.
Na Europa, as principais Bolsas abriram em baixa e continuam no vermelho desde então, com destaque para os índices acionários de Paris (CAC40) e de Frankfurt (DAX), que caíam 1,05% e 1,64%, respectivamente, às 11h20 (de Brasília) desta quinta-feira. No mesmo horário, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,94%, a 592,09 pontos.
Na Ásia, as Bolsas de Valores do continente fecharam em baixa nesta madrugada, com o índice sul-coreano Kospi em forte queda de 4,47%, acompanhado do Nikkei japonês, que caiu 2,38%, e do Hang Seng em Hong Kong, com recuo de 0,70%. Na China continental, o Xangai Composto teve queda de 0,74% e o menos abrangente Shenzhen Composto, de 1,59%.
Petróleo volta a subir
Os contratos futuros do petróleo operam hoje em forte alta após as perspectivas de novos ataques dos EUA vindas de Trump. A ameaça “injetou novas incertezas nos mercados de energia”, diz a equipe de estratégia de commodities do ING, em nota. Segundo a companhia, “mesmo que o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz seja retomado, um retorno às condições de mercado pré-guerra provavelmente será lento, já que a retomada da produção upstream, a normalização logística e a recomposição de estoques levarão tempo”.
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Às 11h20 (de Brasília), o barril do petróleo WTI para maio subia 10,90% na Nymex, a US$ 111,03, enquanto o do Brent para junho avançava 6,95% na ICE, a US$ 108,13.
Em movimento contrário, os preços do ouro e da prata aceleraram as perdas nas últimas horas, enquanto o cobre também operava em baixa. Na Comex, às 11h20 (horário de Brasília), o ouro para junho caí 2,60%, a US$ 4.688,40 por onça-troy, enquanto a prata para o mesmo mês tombava 5,66%, a US$ 71,77 por onça-troy, e o cobre, também para maio, recuava 1,13%, a US$ 5,582 a libra-peso.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em queda de 1,29%, cotado a 805 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 117,12. O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em queda de 1,51%, a 780,5 yuans, o equivalente a US$ 113,55 por tonelada.
Dólar ganha força
O dólar se fortalece em relação a moedas de outras economias desenvolvidas nesta quinta-feira, após Trump decepcionar com o discurso de ontem à noite. O índice DXY do dólar — que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes — tinha alta de 0,54% às 11h20 (de Brasília), a 100,11 pontos.
No mesmo horário, a moeda americana subia 0,09% sobre o real, cotada a R$ 5,159 na venda, enquanto o euro caía a R$ 5,955 e a libra recuava a R$ 6,821.
Resultados balança comercial dos EUA
Dados publicados pelo Departamento do Comércio americano, o déficit comercial dos Estados Unidos subiu 4,80% em fevereiro ante janeiro, a US$ 57,35 bilhões. Analistas consultados pela FactSet previam déficit maior para o mês, de US$ 67,9 bilhões.
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O déficit da balança de janeiro foi levemente revisado para cima, de US$ 54,46 bilhões para US$ 54,68 bilhões.
As exportaçõesdos EUA subiram 4,2% em fevereiro ante janeiro, a US$ 314,79 bilhões, enquanto as importaçõesavançaram 4,3%, a US$ 372,14 bilhões.
Além disso, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos teve queda de 9 mil na semana encerrada em 28 de março, a 202 mil. O resultado ficou abaixo da expectativa da FactSet, que previa 212 mil solicitações.
O total de pedidos da semana anterior foi levemente revisado para cima, de 210 mil para 211 mil.
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Já o total de pedidos continuados mostrou aumento de 25 mil na semana encerrada em 21 de março, a 1,841 milhão, superando a projeção de 1,836 milhão da FactSet. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.
O que esperar do Ibovespa hoje
O Ibovespa hoje deve seguir a tendência verificada no exterior e refletir o pessimismo das Bolsas globais no pregão, apesar da alta do petróleo, de certo modo, favorecer mercados exportadores da commodity, como o do Brasil.
Ontem, a Bolsa brasileira iniciou o segundo trimestre de 2026 (2T26) em tom positivo – veja aqui. O principal índice da B3 encerrou o pregão em alta, com avanço de 0,26%, aos 187.952 pontos. A Bolsa foi impulsionada principalmente pela queda do petróleo e expectativas de um possível cessar-fogo no conflito com o Irã nas próximas semanas.
Por volta de 11h20 (de Brasília), os ADRs da Vale (VALE) recuavam 0,34% a US$ 16, enquanto os papéis da Petrobras (PBR) tinham forte alta de 3,01%, a US$ 20,69 cada um.
Produção industrial forte
O IBGE divulgou nesta manhã a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), que mostrou avanço na indústria em fevereiro. 16 dos 25 ramos analisados registraram crescimento na comparação com janeiro.
Considerando ajuste sazonal, essa alteração equivale a um aumento de 0,9% na produção. Contudo, em comparação anual, o setor caiu 0,7%. A produção da indústria de bens de capital subiu 2,3% em fevereiro ante janeiro mas recuou 13,5% no ano.
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Já nos bens de consumo, a produção registrou alta de 0,9% na passagem do mês. Porém, seguindo o padrão dos outros ramos, houve recuo de 1,8% em um ano. Na categoria de bens de consumo duráveis, na avaliação mensal, a produção subiu 0,9%. Já na anual, houve queda de 9,3%.
Entre os semiduráveis e os não duráveis, houve alta de 0,7% no mês e queda de 0,3% no ano. Para os bens intermediários, o IBGE informou que a produção subiu 1,1% no mês e contrariando as outras categorias, também avançou em relação a fevereiro de 2025, com alta de 1,1%.
Agenda econômica desta quinta-feira (2)
Horário
País
Indicador / Evento
05h00
Brasil
Fipe: IPC (mar)
09h00
Brasil
IBGE: Produção industrial (fev)
11h00
Brasil
Tesouro faz leilão de NTN-F (2031, 2033, 2037) e LTN (2026, 2028, 2030)
12h00
Brasil
BC oferta até R$ 5 bi em operações compromissadas de 3 meses
09h30
EUA
Deptº do Trabalho: pedidos de auxílio-desemprego – semana até 21/mar
09h30
EUA
Deptº do Trabalho: pedidos de auxílio-desemprego continuados – semana até 14/mar
09h30
EUA
Deptº do Comércio: balança comercial (fev)
09h30
EUA
Deptº do Comércio: Exportações
09h30
EUA
Deptº do Comércio: Importações
11h15
EUA
Presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan participa de conferência
13h45
EUA
Vice-presidente do Fed, Michelle Bowman participa de conferência
21h30
Japão
S&P Global/Jibun Bank: PMI composto (final) – mar
21h30
Japão
S&P Global/Jibun Bank: PMI serviços (final) – mar
22h45
China
S&P Global/RatingDog: PMI composto (final) – mar
22h45
China
S&P Global/RatingDog: PMI serviços (final) – mar
–
Reino Unido
Reunião com ministros das Relações Exteriores de 35 países