O IPCA-15 subiu 0,44% em março, resultado acima da mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,29%, e próximo ao teto, de avanço de 0,48%. O piso era de aumento de 0,24%.
Do ponto de vista da política monetária, Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, pontua que o dado de hoje reforça uma mensagem de cautela. “O IPCA-15 acima do esperado não muda a tendência de desinflação, mas mostra que o processo será mais lento e sujeito a volatilidade. Para o mercado, a leitura é de continuidade do ciclo de queda de juros ao longo do tempo, mas com um ritmo potencialmente mais gradual e dependente da evolução dos preços de alimentos, energia e do ambiente internacional”, afirma.
No exterior, o dia foi marcado por um novo salto do petróleo. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para maio fechou em alta de 4,61% a US$ 94,48 o barril. Já o Brent para junho subiu 4,61% a US$ 101,89 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar os negociadores do Irã, alertando que eles devem levar as conversas para um acordo com Washington “a sério”, caso contrário “não haverá volta e não será nada bonito”. O país persa respondeu ao plano proposto pelos EUA, mas criticou a proposta dizendo que ela é vista como um “projeto enganoso”, com objetivo de melhorar a imagem externa, conter os preços do petróleo e ganhar tempo para nova ação militar terrestre no sul do Irã.
Em Nova York, o Dow Jones caiu 1,01%, o S&P 500 recuou 1,74% e o Nasdaq teve perda de 2,38%. Bancos cederam em bloco diante das tensões no mercado de crédito privado: pedidos de resgate na indústria somam cerca de US$ 13 bilhões no trimestre, mas limites de retirada já travam ao menos US$ 4,6 bilhões, segundo a Bloomberg. Morgan Stanley caiu 1,46%, o Goldman Sachs recuou 2,32% e o JPMorgan teve baixa de 1,27%.
O dólar hoje fechou em alta de 0,69% cotado a R$ 5,2562. “A escalada das tensões no Oriente Médio, com impacto direto sobre o petróleo, sustentou os juros nos EUA em patamares mais elevados e reforçou a busca por proteção, favorecendo o dólar frente às moedas emergentes”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Brava Energia (BRAV3), MBRF (MBRF3) e Prio (PRIO3).
Brava Energia (BRAV3): 5,02%, R$ 19,87
As ações da Brava Energia (BRAV3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 5,02% a R$ 19,87. Na última sessão, os papéis da empresa já haviam saltado 6,05%.
A BRAV3 está em alta de 6,6% no mês. No ano, acumula uma valorização de 17,99%.
MBRF (MBRF3): 4,2%, R$ 20,58
Outro destaque positivo foi a MBRF (MBRF3), que subiu 4,2% a R$ 20,58. Na semana, positiva para os papéis, as ações já avançam 23,92%.
A MBRF3 está em baixa de -0,48% no mês. No ano, acumula uma valorização de 3%.
Prio (PRIO3): 2,2%, R$ 68,76
As ações da Prio (PRIO3) completaram os destaques positivos do índice e tiveram valorização de 2,2% a R$ 68,76, em linha com a alta dos contratos futuros de petróleo.
A PRIO3 está em alta de 26,19% no mês. No ano, acumula uma valorização de 66,01%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Braskem (BRKM5), Direcional (DIRR3) e Equatorial (EQTL3).
Braskem (BRKM5): -7,22%, R$ 10,15
Os papéis da Braskem (BRKM5) sofreram a pior queda do Ibovespa hoje e afundaram 7,22% a R$ 10,15. A petroquímica divulga o seu balanço do quarto trimestre de 2025 após o fechamento do mercado.
A BRKM5 está em alta de 5,84% no mês. No ano, acumula uma valorização de 28,64%.
Direcional (DIRR3): -5,74%, R$ 13,31
Os ativos da Direcional (DIRR3), por sua vez, cederam 5,74% a R$ 13,31.
A DIRR3 está em baixa de 18,44% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 5,74%.
Equatorial (EQTL3): -5,24%, R$ 40
Entre as maiores baixas do Ibovespa hoje, as ações da Equatorial (EQTL3) sofreram queda de 5,24% a R$ 40. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 102 milhões no quarto trimestre de 2025, ante o lucro líquido de R$ 1,503 bilhão observado em igual etapa de 2024.
A EQTL3 está em baixa de 5,01% no mês. No ano, acumula uma valorização de 3,9%.
*Com Estadão Conteúdo