Os leilões de títulos prefixados também entraram no radar, diante da atuação do Tesouro para estabilizar um mercado sensível à volatilidade gerada pela guerra do Oriente Médio, que caminha para completar um mês.
No exterior, o foco recaiu sobre os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que aumentaram de 5 mil na semana encerrada em 21 de março, a 210 mil, segundo pesquisa divulgada pelo Departamento do Trabalho nesta quinta-feira. O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados pela FactSet.
O barril do petróleo Brent fechou acima dos US$ 100 e a pressionou as bolsas internacionais, enquanto o dólar e os rendimentos dos Treasuries sobem diante da intensificação do conflito entre EUA e Israel contra o Irã e da ausência de sinais concretos de cessar-fogo neste 27º dia de ataques. O aumento das tensões, com ofensivas de Israel a Isfahan e a resposta do Irã contra o país e outros territórios do Golfo, sustenta a alta da commodity, em meio a sinais de choque na oferta.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o impacto do aumento atual do petróleo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro precisa ser analisado, uma vez que não se deve à alta da demanda. “O crescimento precisa ser estudado com mais atenção, porque, historicamente, a gente estabelece essa correlação positiva entre o preço de petróleo e o crescimento da economia brasileira. No passado, quando o petróleo estava subindo, normalmente a gente tinha um ciclo de demanda global pressionando esse preço. Não é isso que ocorre agora. O petróleo está subindo por outras razões”, disse o banqueiro central.
Ele ponderou que a percepção dos bancos centrais é de que, em uma situação de choque de oferta, a tendência é ter mais inflação e menos crescimento. Ele voltou a enfatizar que ainda é preciso entender como serão os desdobramentos da crise atual, principalmente considerando que o Brasil ainda está com uma taxa de juros bastante restritiva.
Apesar de declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, indicando avanço nas negociações, a rejeição inicial de Teerã deixa o cenário indefinido. Mediadores da Turquia, Egito e Paquistão pressionam por uma reunião entre autoridades dos EUA e do Irã, mas ambos os lados seguem distantes, segundo o The Wall Street Journal.
Nesse contexto, o Parlamento iraniano discute a cobrança de taxas para navios que cruzam o Estreito de Ormuz e há relatos de que embarcações já estariam pagando até US$ 2 milhões por passagem desde o início do conflito.
Resultado do IPCA-15
Nesta quinta-feira (26), foi divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março, que registrou alta de 0,44%. Com o resultado, o indicador acumula avanço de 0,84% no ano e de 3,90% em 12 meses. Segundo os cálculos da Terra Investimentos, o indicador perdeu força na passagem de fevereiro para março.
O grupo de Alimentação e bebidas voltou a ganhar força, com alta de 0,88% no mês, após avanço mais moderado de 0,20% em fevereiro. Dentro do segmento, a alimentação no domicílio acelerou para 1,10% em março, enquanto a alimentação fora do domicílio subiu 0,35%, desacelerando em relação à alta de 0,46% observada no mês anterior.
Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, afirma que “o resultado mostra que a inflação segue em processo de moderação, mas de forma irregular e ainda sujeita a choques relevantes”. No caso dos combustíveis, explica Spyer, houve estabilidade média com leve queda no mês, com o cenário internacional sendo um fator de risco importante. No IPCA-15, o óleo diesel mostrou alta de 3,77%, uma vez que as tensões geopolíticas mantêm o petróleo em patamar elevado e aumentam a incerteza sobre o comportamento futuro dos preços de energia.
Já Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, com relação aos juros, segue “com a visão de cenário desafiador, e projeção de Selic terminal de 13%”.
Petróleo em nova alta reforça incerteza nas bolsas internacionais
Os contratos futuros do petróleo voltaram a subir, revertendo perdas da sessão anterior, enquanto operadores avaliaram os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Trump afirmou que conversas com o Irã estão em andamento e que o regime iraniano “quer muito fazer um acordo”. Ainda assim, segundo a mídia estatal, o Irã rejeitou uma proposta dos EUA para encerrar o conflito, embora se mostre disposto a ouvir mediadores.
O barril do WTI (CLNK26) para maio subiu 4,61% na Nymex, a US$ 94,48, enquanto o Brent para junho avançou 4,61%, a US$ 101,89.
As bolsas globais refletiram esse ambiente mais tenso. Em Nova York, os índices encerraram em baixa, revertendo os ganhos recentes: o Dow Jones caiu 1,01%, o S&P 500 recuou 1,74% e o Nasdaq teve perda de 2,38%.
Na Europa, o movimento também foi negativo: as bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta-feira, pressionadas pela volta da aversão ao risco diante de sinais contraditórios sobre negociações de paz entre EUA e Irã.
Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 1,33%, a 9.972,17 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,64%, a 22.581,07 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,98%, a 7.769,31 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,71%, a 43.701,84 pontos. Em Madri, o Ibex 35 cedeu 1,40%, a 16.929,80 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,19%, a 8.997,09 pontos.
Na Ásia, os mercados fecharam no vermelho, liderados pelo Kospi, da Coreia do Sul, que caiu 3,22%. O Hang Seng recuou 1,89% em Hong Kong, o Nikkei perdeu 0,27% em Tóquio, o Taiex caiu 0,30% em Taiwan, enquanto na China continental o Xangai Composto teve baixa de 1,09% e o Shenzhen Composto recuou 1,46%.
Na Oceania, o S&P/ASX 200 caiu 0,10% em Sydney.
Tesouro dos EUA intervém para estabilizar o mercado de renda fixa
No mercado de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries (títulos públicos norte-americanos) subiram, acompanhando o avanço do petróleo e a busca dos investidores por proteção.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou hoje que ofertou US$ 44 bilhões em leilão de T-Notes de 7 anos com rendimento máximo de 4,255% – acima da média recente de 3,877% calculada pelo BMO Capital. A taxa bid-to-cover, um indicativo da demanda, ficou em 2,43 vezes, abaixo da média de 2,46 vezes.
O juro da T-note de 2 anos subiu a 3,998%, o da T-note de 10 anos avançou a 4,426% e o do T-bond de 30 anos chegou a 4,941%.
Dólar avança pelo mundo
No câmbio, o dólar hoje avançou frente a euro e libra, refletindo o ambiente de aversão a risco e o fortalecimento da moeda dos EUA. O euro cedeu a US$ 1,1546 e a libra a US$ 1,3346, enquanto o dólar subiu a 159,61 ienes.
O índice DXY, que compara a divisa norte-americana com uma cesta de outras seis moedas globais, registrou alta de 0,4%, aos 100 pontos.
*Com informações do Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet