O movimento do indicador da B3 contrariou o desempenho positivo dos índices em Nova York e o avanço das commodities, em um dia de agenda relativamente esvaziada de indicadores. Hoje, o minério de ferro fechou em alta de 0,58%, enquanto o petróleo Brent avançou 2,55% após nova apreensão de um petroleiro venezuelano pelos Estados Unidos.
“O petróleo estende os ganhos recentes, com o Brent voltando a superar US$ 61. Se, por um lado, há a perspectiva de avanços no processo de paz entre Rússia e Ucrânia, por outro cresce a pressão dos Estados Unidos sobre os petroleiros da Venezuela”, afirma Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria.
Em meio a tensões geopolíticas globais, o ouro subiu acima da marca de US$ 4.450 por onça-troy e a prata rompeu o nível de US$ 69 a onça, ambos pela primeira vez na história – veja os detalhes aqui.
Profissionais da renda variável observam que a liquidez mais fraca esperada a partir de agora até o fim do ano pode limitar a trajetória de alta do índice Ibovespa, dificultando uma retomada consistente acima dos 160 mil pontos. O mercado segue atento, ainda, ao noticiário relacionado à corrida eleitoral.
Nesta manhã, o boletim Focus reduziu a projeção do IPCA para os cenários de 2025 e 2026, a 4,33% e 4,06% respectivamente. Enquanto isso, o relatório do BC aumentou as projeções para Selic, indo de 12,13% para 12,25% no fim de 2026, retomando a previsão de duas semanas atrás.
Em Nova York, o bom humor foi sustentado pelo avanço do setor de tecnologia, após o Citi projetar aumento dos gastos globais com inteligência artificial (IA). As bolsas asiáticas encerraram o pregão em alta, enquanto os mercados europeus fecharam na maioria em queda, com as tensões geopolíticas no radar. A União Europeia (UE) prorrogou por mais seis meses, até 31 de julho de 2026, o prazo das sanções contra a Rússia.
No câmbio, o dólar hoje teve queda ante pares globais, mas avançou 0,99% em relação ao real, a R$ 5,584 na venda, no maior valor de encerramento desde 31 de julho.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (22)
Bolsas globais mostram sinais opostos em semana de liquidez reduzida
Em uma sessão esvaziada típica da semana de Natal, os índices de Nova York fecharam em alta modesta, enquanto nas bolsas europeias predominou o sinal negativo. O movimento ocorreu após dados neutros do PIB britânico e em meio à expectativa por avanços nas conversas entre Rússia e Ucrânia.
Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,32%, a 9.865,97 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,03%, a 24.296,15 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,37%, a 8.121,07 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,37%, a 44.593,60 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,03%, a 17.175,00 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 0,25%, a 8.191,21 pontos.
As taxas dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) subiram em reflexo da recente elevação dos juros no Japão, movimento que também contribuiu para o enfraquecimento do dólar hoje frente às principais moedas, apesar das tensões geopolíticas persistentes.
Na Ásia, as bolsas fecharam em alta, impulsionadas pela demanda por semicondutores e pela manutenção das taxas básicas pelo Banco Central da China. O cenário combina cautela de fim de ano com discreto otimismo, apoiado em tecnologia, política monetária ainda acomodatícia e expectativas sobre o crescimento americano.
O que mais repercutiu no Ibovespa hoje
A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 226,753 bilhões em novembro, informou a Receita Federal. O montante ficou acima da mediana das estimativas da pesquisa Projeções Broadcast, de R$ 224,2 bilhões, após R$ 261,908 bilhões em outubro. As estimativas do mercado iam de R$ 219,8 bilhões a R$ 231,8 bilhões.
Também permaneceu no radar a notícia de que o julgamento de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pode limitar o porcentual de emendas de deputados em sete orçamentos estaduais. Na prática, o veredicto pode contrariar a crescente busca de deputados estaduais e distritais por maior controle sobre os respectivos orçamentos.
Além disso, o ministro do STF Flávio Dino indicou que, em 2026, a Corte deverá julgar a validade das emendas impositivas — aquelas que obrigam o governo federal a executar os recursos indicados por deputados e senadores.
Agenda econômica da semana
O IPCA-15 de dezembro — também chamado de prévia da inflação — e o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos são os principais destaques da semana, que tem agenda mais curta por causa do feriado de Natal, na quinta-feira (25).
Na terça-feira (23), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) define a bandeira tarifária de energia elétrica de janeiro. Na sexta-feira (26), tem a nota de crédito de novembro.
No exterior, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) divulgou hoje o índice de atividade nacional de setembro, que subiu para -0,21 em setembro, ante -0,31 em agosto (dado revisado). O dado de agosto foi revisado para baixo, de -0,12 originalmente. Na China ocorre a reunião do Comitê Permanente do 14º Congresso Popular Nacional.
Na terça-feira (23), tem o PIB dos EUA do 3º trimestre, encomendas de bens duráveis e produção industrial do país, além de ata do Banco do Japão (BoJ). Na quarta-feira (24), saem pedidos de auxílio-desemprego nos EUA.
Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Denise Abarca, Paula Dias e Luciana Xavier, do Broadcast