O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país poderia deixar o Irã em duas a três semanas, mesmo sem um acordo. Segundo a Bloomberg, o republicano deve reiterar esse intuito em pronunciamento hoje. O discurso está marcado para 21h em Washington (22h em Brasília) e trará uma “atualização importante” sobre o conflito, de acordo com comunicado da Casa Branca.
“A bolsa brasileira subiu, na minha visão, impulsionada pelas americanas, com perspectivas de uma resolução mais célere ou, ao menos, uma redução no conflito no Oriente Médio, com foco principalmente na normalização do fluxo no Estreito de Ormuz”, avalia Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em queda de 1,24% a US$ 100,12 o barril. Já o Brent para junho cedeu 2,70% a US$ 101,16 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). “O mercado está basicamente precificando um cenário de descompressão do risco geopolítico, mas ainda com cautela, principalmente por conta do Estreito de Ormuz, que continua sendo um ponto crítico”, diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
A queda da commodity pressionou ações de petroleiras na B3. A Petrobras (PETR3; PETR4) recuou 3,67% nas ações ordinárias e 2,67% nas preferenciais. Entre as demais empresas do setor, a Prio (PRIO3) caiu 3,14%, a Petrorecôncavo (RECV3) perdeu 3,06% e a Brava Energia (BRAV3) cedeu 3,65%.
Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq avançaram 0,72%, 0,48% e 1,16%, respectivamente. O setor privado dos Estados Unidos criou 62 mil empregos em março, segundo pesquisa com ajustes sazonais divulgada hoje pela ADP. A expectativa de analistas consultados pela FactSet era de geração de 39 mil postos de trabalho no mês passado. O levantamento da ADP antecede o payroll (relatório oficial de emprego dos EUA), que engloba dados dos setores privado e público e será divulgado na sexta-feira (3).
O dólar hoje fechou em baixa de 0,42% cotado a R$ 5,1566. “O dólar operou em queda na sessão, acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana diante do aumento do apetite por risco, após declarações de Trump indicando que o conflito com o Irã pode terminar nas próximas semanas”, avalia Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Embraer (EMBJ3), Cyrela (CYRE3) e Cury (CURY3).
Embraer (EMBJ3): 4,74%, R$ 80,6
As ações da Embraer (EMBJ3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 4,74% a R$ 80,6. O BTG Pactual incluiu o papel na carteira recomendada de ações para abril. O banco calcula que a fabricante de aviões é negociada com um desconto de 40% em relação a seus pares, com múltiplo de 9 vezes o lucro projetado de 2026.
A EMBJ3 está em alta de 4,74% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 9,03%.
Cyrela (CYRE3): 4,39%, R$ 28,52
Outro destaque positivo foi a Cyrela (CYRE3), com alta de 4,39% a R$ 28,52. O dia foi positivo para o setor imobiliário, com ações mais sensíveis a juros em alta.
A CYRE3 está em alta de 4,39% no mês. No ano, acumula uma valorização de 14,54%.
Cury (CURY3): 4,32%, R$ 36,91
Ainda dentro do segmento imobiliário, a Cury (CURY3) subiu 4,32% a R$ 36,91 no pregão.
A CURY3 está em alta de 4,32% no mês. No ano, acumula uma valorização de 17,14%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram MBRF (MBRF3), Braskem (BRKM5) e Petrobras (PETR3).
MBRF (MBRF3): -3,93%, R$ 20,79
Os papéis da MBRF (MBRF3) sofreram a pior queda do Ibovespa hoje e derreteram 3,93% a R$ 20,79. Na última sessão, os ativos já haviam derretido 3,09%.
A MBRF3 está em baixa de 3,93% no mês. No ano, acumula uma valorização de 4,05%.
Braskem (BRKM5): -3,72%, R$ 9,05
As ações da Braskem (BRKM5) cederam 3,72% a R$ 9,05. Notícias de que a petroquímica estaria avaliando um pedido de proteção judicial contra credores, conforme a Bloomberg, pressionou o apetite pelo papel. Mais cedo, no entanto, os ativos chegaram a saltar 6%, após o Citi elevar a recomendação da petroquímica de venda para neutro/alto risco e subir o preço-alvo de R$ 8 para R$ 10.
A BRKM5 está em baixa de 3,72% no mês. No ano, acumula uma valorização de 14,7%.
Petrobras (PETR3): -3,67%, R$ 51,93
Em linha com a queda dos contratos futuros de petróleo, a Petrobras (PETR3) fechou em baixa de 3,67% a R$ 51,93 no Ibovespa hoje.
A PETR3 está em baixa de 3,67% no mês. No ano, acumula uma valorização de 59,44%.
*Com Estadão Conteúdo