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Mercado

Ibovespa hoje fecha em alta com otimismo em NY após operação de captura de Maduro

Pregão desta segunda-feira (5) foi marcado por ganhos nas principais bolsas globais e nos mercados de commodities

Por Igor Markevich, Camilly Rosaboni e Beatriz Rocha

05/01/2026 | 5:00 Atualização: 05/01/2026 | 18:47

Petróleo instável e bolsas sobem após captura de maduro, em semana de IPCA e Payroll (Foto: Adobe Stock)
Petróleo instável e bolsas sobem após captura de maduro, em semana de IPCA e Payroll (Foto: Adobe Stock)

Após operar em queda pela manhã, o Ibovespa hoje ganhou fôlego e bateu sucessivas máximas durante a tarde, fechando em alta de 0,83% aos 161.869,76 pontos. Nesta segunda-feira (5), as atenções do mercado estiveram nos desdobramentos da invasão dos Estados Unidos na Venezuela, com impacto sob o petróleo e ações de defesa.

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A recuperação do índice acompanhou a alta das commodities e dos índices de ações do ocidente, com o tom positivo das bolsas em Nova York. Nas bolsas de valores globais, repercutiu-se a invasão da tropa norte-americana na Venezuela, seguida de prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.

Em reflexo, em Nova York, os papéis da Chevron e de outras companhias ligadas ao petróleo, como ConocoPhillips e ExxonMobil, avançaram. A Chevron é a única grande empresa petrolífera dos EUA atualmente presente na Venezuela, país que, sob o governo de Maduro e de seu antecessor Hugo Chávez, teve anos de relações conturbadas com Washington.

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No Brasil, apesar da valorização do índice, permanecem incertezas sobre a crise geopolítica. Hoje, ocorreu a reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) para debater a situação da Venezuela.

Já Maduro compareceu pela primeira vez a um tribunal americano nesta segunda-feira para responder às acusações de narcoterrorismo usadas pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, para justificar a captura e extradição para Nova York. O ditador se declarou inocente das acusações. “Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”, disse por meio de um intérprete.

Além da alta dos índices de ações do ocidente e da Ásia, motivada principalmente por ações de empresas de defesa, os contratos futuros de prata e de ouro saltaram. No câmbio, o dólar hoje exibiu queda de 0,37%, a R$ 5,4055 na venda.

Em relação às commodities, o petróleo Brent ganhou 1,66% repercutindo os ataques norte-americanos à venezuela. Já o minério de ferro fechou em alta de 0,95% na China. Na contramão, os ativos da Petrobras (PETR3; PETR4) caíram 1,67% e 1,66% nos papéis ordinários e preferenciais, respectivamente, enquanto a Vale (VALE3) avançou 1,02%.

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Em meio a incertezas relacionadas à crise geopolítica, Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos, ressalta que a volatilidade do mercado tende a aumentar. “Não sabemos o que acontecerá. O que sabemos é que o presidente dos Estados Unidos disse que vai tocar a Venezuela, e sabemos do seu interesse pelo petróleo”, cita em nota.

O noticiário local ainda traz como destaque na semana o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechado de dezembro e de 2025, que sairá na sexta-feira (9). No mesmo dia, será informado o relatório oficial de emprego norte-americano, o payroll.

Hoje, saiu o primeiro boletim Focus de 2026. A mediana para a inflação suavizada nos próximos 12 meses passou de 4,01% para 4,02% e a para o IPCA de 2026 passou de 4,05% para 4,06%, aquém do teto da meta de 4,50%. Ainda foi informado o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que encerrou dezembro com alta de 0,28% e de 4% em 2025.

Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (5)

Bolsas globais avançam impulsionadas por ações de defesa

Trump divulgou foto de Maduro vendado, já sob custódia americana, rumo aos Estados Unidos Foto: Reprodução/Donald Trump

As incertezas em torno da crise geopolítica desencadeada pela invasão dos EUA na Venezuela deixaram os mercados globais em alerta nesta tarde. No sábado (3), o país norte-americano atacou a Venezuela com bombardeios em Caracas e capturou o ditador Nicolás Maduro e sua esposa. O presidente americano, Donald Trump, confirmou a informação em sua rede social, a Truth Social.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos”.

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A China pediu a bancos com influência na política estatal e a outras grandes instituições financeiras que detalhem sua exposição a empréstimos concedidos à Venezuela. O gigante asiático também solicitou aos Estados Unidos a libertação imediata de Maduro e de sua esposa.

Enquanto isso, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, enfatizou que Washington manterá uma “quarentena” militar sobre as exportações de petróleo do país, com o objetivo de exercer pressão sobre a nova liderança em Caracas, Delcy Rodríguez, que, por sua vez, busca relações respeitosas. Além de monitorar os desdobramentos da crise geopolítica, investidores aguardam os dados da semana, sobretudo o payroll, em meio às expectativas de pausa nos cortes de juros dos EUA neste mês.

Focus reduz projeção de inflação pela 8ª semana seguida

O boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou, nesta segunda-feira (5), as previsões para os principais indicadores econômicos, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic.

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 caiu de 4,32% para 4,31%, a oitava baixa seguida. A taxa está 0,19 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,05% para 4,06%, interrompendo a sequência de seis baixas consecutivas.

A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Há um mês, também estava em 12,25%. Considerando apenas as 39 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana caiu de 12,13% para 12,0%.

Petróleo avança sob temor de oferta após operação dos EUA

Os contratos futuros de petróleo ganharam fôlego, inverteram o sinal e fecharam em alta, enquanto investidores ponderam as consequências da deposição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após o ataque dos Estados Unidos ao país durante o fim de semana.

Há expectativas de que o mercado da commodity fique superabastecido em 2026, apesar de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) ter decidido manter a pausa no aumento da produção para o primeiro trimestre de 2026.

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“O consenso vê o mercado severamente superabastecido em 2026”, diz Peter McNally, da Third Bridge, em e-mail. Segundo o chefe global de Analistas de Setores, o consenso também vê os preços do petróleo venezuelano com desconto em relação aos benchmarks (referência de performance do ativo) globais, devido à sua baixa qualidade.

Ambiente de cautela

O Ibovespa hoje iniciou a semana em um ambiente de cautela, com investidores atentos aos desdobramentos da invasão dos Estados Unidos na Venezuela, seguida da captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no sábado (3).

Nos EUA, destaque para o Índice de Gerentes de Compras (PMI) industrial americano, elaborado pelo ISM, de dezembro, divulgado nesta segunda. O indicador caiu para 47,9 em dezembro, ante 48,2 em novembro, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira. O resultado de dezembro contrariou a expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta do índice a 48,7. A leitura abaixo de 50 sinaliza que o setor manufatureiro dos EUA permaneceu em contração pelo décimo mês consecutivo em dezembro.

A semana ainda conta com divulgações de peso. Nos Estados Unidos, sai o relatório oficial de emprego, o payroll, e, no Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ambos na sexta-feira. Ainda serão divulgados PMIs na Europa e nos EUA, além de dados de inflação na zona do euro.

Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.

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*Com informações de Isabella Pugliese Vellani, Maria Regina Silva e Luciana Xavier, do Broadcast

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