“O índice da B3 vem de um período de tendência de alta, rompeu a resistência dos 183, 184 mil pontos, tocou ontem pela primeira vez 190 mil pontos intradia. Quando tem esse movimento, é natural ficar mais lateralizado”, diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3.
Nesta quinta-feira (12), investidores repercutiram resultados do Banco do Brasil (BBAS3). Diante dos números apresentados ontem, os papéis do BB saltaram 7,67% às 10h26 (de Brasília), e entraram em leilão. Cotadas a R$ 26,82, as ações tinham maior valor intradiário desde maio de 2025. No fechamento, subiram 4,50% a R$ 26,03.
Acionistas também demonstraram altas expectativas pelo balanço da Vale (VALE3) do quarto trimestre de 2025, que será divulgado após o fechamento da B3, a Bolsa de Valores brasileira. Com a espera pelos números, as ações da mineradora exibiram queda de 0,95%, após saltarem 3,49% na véspera e marcarem novo pico histórico, aos R$ 90,09
O mercado digeriu ainda a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o volume de serviços prestados caiu 0,4% em dezembro ante novembro. O resultado ficou maior do que a mediana das estimativas encontrada na pesquisa feita pelo Projeções Broadcast. No fechado de 2025 como um todo, houve alta de 2,8% – em linha com a mediana.
Os dados reforçaram a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará o ciclo de recuo da Selic em março, com a maioria das apostas em queda de 0,50 ponto porcentual na taxa, que está em 15% ao ano.
Nos Estados Unidos, o foco recaiu sobre os pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que caíram 5 mil na semana encerrada em 7 de fevereiro, a 227 mil, informou hoje o Departamento do Trabalho. Analistas ouvidos pela FactSet esperavam uma queda um pouco mais acentuada, a 226 mil.
Ibovespa hoje: os fatores que ditaram o humor desta quinta-feira (12)
Mercados exteriores fecham sem direção única
Os mercados globais fecharam em direções opostas após o payroll bem acima das previsões (saiba mais AQUI). A criação robusta de vagas reforça a visão de que o Fed manterá postura restritiva, com cortes possivelmente só no segundo trimestre.
O diretor do Fed Stephen Miran vê espaço para reduzir juros, mas a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, reafirmou sua posição de manter a posição atual dos juros no curto prazo. Há ainda especulações sobre eventual flexibilização regulatória.
Em Nova York, no fechamento, o Dow Jones cedeu 1,34%, o S&P 500 recuou 1,57% e o Nasdaq registrou perda de 2,03%.
Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em queda. Em Londres, o FTSE 100 encerrou em baixa de 0,67%, a 10.402,44 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,82%, a 17.896,90 pontos. Em Frankfurt, o DAX perdeu 0,11%, a 24.827,83 pontos. Em Paris, o CAC 40 avançou 0,33%, a 8.340,56 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,62%, a 46.222,95 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve queda de 0,49%, a 9.025,65 pontos.
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quinta-feira, com a do Tóquio interrompendo o recente rali pós-eleitoral e a de Seul avançando a novo patamar inédito.
Na volta de um feriado no Japão, o índice Nikkei encerrou os negócios em Tóquio em baixa marginal de 0,02%, a 57.639,84 pontos, depois de renovar máximas históricas nos primeiros pregões da semana em reação a ampla vitória da primeira-ministra Sanae Takaichi nas eleições legislativas do último domingo (8).
Commodities e dólar
Os contratos futuros de petróleo recuaram após a Agência Internacional de Energia (AIE) reduzir projeções para o crescimento tanto da demanda quanto da oferta da commodity (matéria-prima) em 2026, em relatório mensal publicado há pouco.
O barril do petróleo WTI para março cedeu 2,85% na Nymex, a US$ 62,84, enquanto o do Brent para abril recuou 2,71% na ICE, a US$ 67,52.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em queda de 0,20%, cotado a 762 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 110,21.
O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em queda de 0,07%, a 745 yuans, o equivalente a US$ 107,75 por tonelada.
Já o índice DXY do dólar – que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes – teve alta de 0,07%, a 96,906 pontos.
Banco do Brasil e Ambev registram resultados acima das expectativas
O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou na noite de quarta-feira (11) o seu balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25). A empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, uma queda de 40,1% em relação ao mesmo período de 2024. Na comparação com o terceiro trimestre, o resultado avançou 51,7%. No acumulado de 2025, o lucro foi de R$ 20,7 bilhões.
O lucro do BB no 4T25 veio 36% acima da previsão dos analistas consultados pelo Prévias Broadcast. A projeção era de ganho de R$ 4,21 bilhões no período, de acordo com a média das estimativas de sete casas consultadas (Citi, BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of América, Goldman Sachs, Morgan Stanley e XP).
O Banco do Brasil também anunciou, pouco depois de apresentar seus resultados, que irá distribuir R$ 1.234.746.707,80 a título de remuneração aos acionistas sob a forma de juros sobre capital próprio (JCP), relativos ao quarto trimestre de 2025.
A Ambev (ABEV3), por sua vez, registrou lucro líquido de R$ 4,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, queda de 9,9% em relação a igual período do ano anterior. No acumulado de 2025, porém, a companhia fechou o ano com lucro de R$ 15,9 bilhões, alta de 7,7% ante 2024.
O resultado veio 13% acima da previsão dos analistas consultados pelo Prévias Broadcast. A projeção era de ganho de R$ 3,99 bilhões no período, de acordo com a média das projeções de cinco casas (Citi, Itaú BBA, BTG Pactual, XP Investimentos e Santander).
Esses e outros fatores ditaram o humor dos mercados e influenciaram os resultados do Ibovespa hoje.
*Com informações de Luciana Xavier, Maria Regina Silva, Sérgio Caldas e Silvana Rocha, da Broadcast